quinta-feira, 15 de maio de 2014

Revista Espírita: Poder do ridículo

Fevereiro, 1869

Lendo um jornal, encontramos esta frase proverbial: Na Franca o ridículo sempre mata. Isto nos sugeriu as seguintes reflexões:
Porque na Franca, antes que alhures? É que aqui, mais que alhures, o espírito, ao mesmo tempo fino, caustico e jovial, apreende logo de saída o lado alegre ou ridículo das coisas; busca-o por instinto, sente-o, adivinha-o, por assim dizer fareja-o; descobre-o onde os outros não o percebiam e o põe em relevo com habilidade. Mas o espírito francês quer, antes de tudo, o bom gosto, a urbanidade ate na troça; ri de boa vontade de uma pilheria fina, delicada, sobretudo espirituosa, ao passo que as troças sem sal, a critica pesada, grosseira, causticante, semelhante à pata de urso ou ao soco do rústico, lhe repugnam, porque tem uma repulsa instintiva pela trivialidade.
Talvez digam que certos sucessos modernos parecem desmentir essas qualidades. Haveria muito a dizer sobre as causas desta desvio, que não deixa de ser muito real, mas que É apenas parcial, e não pode prevalecer sobre o fundo do caráter nacional, como demonstraremos qualquer dia. Apenas diremos, de passagem, que esses sucessos que admiram as pessoas de bom gosto, em grande parte são devidos à curiosidade muito vivaz, também, no caráter francês. Mas escutai a multidão à saída de certas exibições; o julgamento que domina, mesmo na boca do povo, resume-se nestas palavras: É desagradável! contudo a gente veio unicamente para poder dizer que viu uma excentricidade. Lá não voltam, mas, esperando que a multidão de curiosos tenha desfilado, o sucesso esta feito, e é tudo o que pedem. Dá-se o mesmo em certos sucessos supostamente literários.
A aptidão do espírito francês para captar o lado cômico das coisas faz do ridículo uma verdadeira potencia, maior na Franca do que em outros paises: mas É certo dizer que sempre mata?
Ha que distinguir o que se pode chamar o ridículo intrínseco, isto É, inerente à coisa mesma e o ridículo extrínseco, vindo de fora e derramado sobre uma coisa. Sem duvida, este ultimo pode ser lançado sobre tudo, mas só fere o que É vulnerável; quando ataca as coisas que não dão margem, desliza sem alcançá-las. A mais grotesca caricatura de uma estatua irrepreensível nada tira de seu mérito e não a faz decair na opinião, pois cada um pode apreciá-la.
O ridículo não tem forca senão quando fere com precisão, quando ressalta com espírito e finura os caprichos reais: É então que mata; mas quando cai no falso, absolutamente não mata, ou antes ele se mata. Para que o adágio acima seja completamente verdadeiro, seria preciso dizer: "Na Franca o ridículo sempre mata o que É ridículo". O que realmente É verdadeiro, bom e belo jamais É ridículo. Se se leva à troça uma personalidade notoriamente respeitável, como, por exemplo, o cura Viannet, inspira-se desgosto, mesmo aos incrédulos, tanto que É verdade que o que É respeitável em si É sempre respeitado pela opinião publica.
Como nem todos tem o mesmo gosto, nem a mesma maneira de ver, o que É verdadeiro, bom e belo para uns, pode não o ser para outros. Então quem será o juiz? O ser coletivo que se chama todo o mundo, e contra cujas decisões em vão protestam as opiniões isoladas. Algumas individualidades podem ser momentaneamente desviadas pela critica ignorante, malévola ou inconsciente, mas não as massas, cujas opiniões sempre acabam triunfando. Se a maioria dos convivas num banquete acha um prato a seu gosto, por mais que digais que É ruim, não impedireis que o comam, ou pelo menos que o provem.
Isto nos explica porque o ridículo, derramado em profusão sobre o Espiritismo, não o matou. Se ele não sucumbiu, não É por não ter sido revirado em todos os sentidos, transfigurado, desnaturado, grotescamente ridicularizado por seus antagonistas. E contudo, apos dez anos de encarnecida agressão, ele esta mais forte do que nunca. É porque ele É como a estatua de que falamos ha pouco.
Em definitivo, sobre o que se exerceu particularmente o sarcasmo, a propósito do Espiritismo? Em que realmente apresenta o flanco à critica: os abusos, as excentricidades, as exibições, as explorações, o charlatanismo sob todos os aspectos, as praticas absurdas que são apenas a sua parodia, de que o Espiritismo serio jamais tomou a defesa, mas que ao contrario, tem sempre desautorizado. Assim, o ridículo não feriu, e não pode morder senão o que era ridículo na maneira por que certas pessoas pouco esclarecidas concebem o Espiritismo. Se ainda não matou inteiramente esses abusos, deu-lhes um golpe mortal, e era de justiça.
Então o Espiritismo verdadeiro não pode senão ganhar em se desembaraçar da chaga de seus parasitas, e foram os seus inimigos que disso se encarregaram. Quanto à Doutrina propriamente dita, É de notar que quase sempre ela ficou fora de debate. E, contudo, É a parte principal, a alma da causa. Seus adversários bem compreenderam que o ridículo não poderia atingi-lo; sentiram que a fina lamina da troça,a espirituosa deslizava sobre a couraça, por isso a atacaram com o tacape da injuria grosseira e o soco rústico, mas com tão pouco sucesso.
Desde o principio, o Espiritismo pareceu a certas pessoas, à cata de expedientes, uma fecunda mina a explorar por sua novidade; alguns, menos tocados pela pureza de sua moral do que pelas chances que ai entreviam, meteram-se sob a égide de seu nome, com a esperança de fazer dele um meio. São os que podem ser chamados espíritas de circunstancia.
Que teria acontecido a esta doutrina se ela tivesse usado toda a sua influencia para frustrar e desacreditar as manobras da exploração? Ter-se-iam visto os charlatões pululando de todos os lados, fazendo uma aliança sacrílega daquilo que ha de mais sagrado: o respeito aos mortos com a suposta arte dos feiticeiros, adivinhos, tiradores de cartas, ledores da sorte, suprindo os Espíritos pela fraude, quando estes não vem. Logo ter-se-iam visto manifestações levadas para os palcos, truncadas pelos passes de escamoteação; gabinetes de consultas espíritas anunciados publicamente e revendidos, como agencias de emprego, conforme a importância da clientela, como se a faculdade mediúnica pudesse transmitir-se, à maneira de um fundo de comercio.
Por seu silencio, que teria sido uma aprovação tácita, a doutrina ter-se-ia tornado solidária com esses abusos, diremos mais: cúmplice deles. Então a critica teria feito um belo jogo, porque com todo o direito, poderia ter tomado o partido da doutrina, que por sua tolerância, teria assumido a responsabilidade do ridículo e, por conseguinte, da justa reprovação lançada sobre os abusos; talvez tivesse ela levado mais de um século para erguer-se desse choque. Seria preciso não compreender o caráter do Espiritismo e, ainda menos, seus verdadeiros interesses, para crer que tais auxiliares possam ser úteis à sua propagação e sejam próprios para o fazer considerar como uma coisa santa e respeitável
Estigmatizando a exploração, como temos feito, temos a certeza de haver preservado a doutrina de um verdadeiro perigo, perigo maior que a má vontade de seus antagonistas confessos, porque ela lhes teria apresentado um lado vulnerável, ao passo que eles se detiveram ante a pureza de seus princípios. Não ignoramos que contra nos suscitamos a animosidade dos exploradores e que nos afastamos de seus partidários. Mas que importa? Nosso dever É tomar em mãos a causa da doutrina e não os interesses deles; e esse dever nos cumpriremos com perseverança e firmeza, atÉ o fim.
Não era insignificante lutar contra a invasão do charlatanismo, num século como este, sobretudo um charlatanismo acompanhado, por vezes suscitado pelos mais implacáveis inimigos do Espiritismo. Porque, depois de haver fracassado pelos argumentos, bem compreendiam que o que lhes poderia ser mais fatal era o ridículo. Por isso o mais seguro meio seria fazê-lo explorar pelo charlatanismo, a fim de desacreditá-lo na opinião publica.
Todos os espíritas sinceros compreenderam o perigo assinalado e nos acompanharam em nossos esforços, reagindo por seu lado contra as tendências que ameaçavam desenvolver-se. Não são alguns casos de manifestações, supondo-os reais, dados como espetáculo, como aperitivo à minoria, que dão verdadeiros prosélitos ao Espiritismo porque, em tais condições, eles autorizam a suspeita. Os próprios incrédulos são os primeiros a dizer que, se os Espíritos realmente se comunicam, não será para servirem de comparsas ou parceiros a tanto por sessão; por isso riem deles; acham ridículo que nessas cenas se misturem nomes respeitáveis, e estão cem vezes com a razão. Para uma pessoa que seja levada ao Espiritismo por essa via, sempre supondo um fato real, haverá cem que serão desviadas, sem mais querer ouvir dele falar. A impressão será outra nos meios onde nada de equivoco pode fazer suspeitar da sinceridade, da boa-fé e de desinteresse, onde a notória honorabilidade das pessoas impõe respeito. Se dai não se sai convencido, pelo menos não se leva a idéia de uma charlatanice.
Assim, o Espiritismo nada tem a ganhar, e só poderia perder, apoiando- se na exploração, ao passo que os exploradores É que se beneficiariam de seu credito. Seu futuro não esta na crença de um individuo por tal ou qual caso de manifestação: esta inteirinho no ascendente que conquistar pela moralidade. Foi por ai que triunfou e triunfara ainda das manobras dos adversários. Sua forca esta no seu caráter moral, e é o que lhe não poderão tirar.
O Espiritismo entra numa fase solene, mas na qual ainda terá que sustentar grandes lutas. É necessário, pois, que seja forte por si mesmo e, para ser forte, É preciso que seja respeitável. Cabe aos seus adeptos dedicados fazê-lo respeitar, inicialmente. pregando pela palavra e pelo exemplo; depois, em nome da doutrina, desaprovando tudo quanto possa prejudicar a consideração de que deve ser rodeado. É assim que poderá desafiar as intrigas, a troça,a e o ridículo. 

Allan Kardec.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Revista Espírita: Considerações sobre a mediunidade curadora

Novembro, 1866

Voltemos ao nosso assunto: as considerações gerais sobre a mediunidade curadora.
Dissemos, e nunca seria demais repetir, que há uma diferença radical entre os médiuns curadores e os que obtêm prescrições médicas da parte dos Espíritos. Estes em nada diferem dos médiuns escreventes ordinários, a não ser pela especialidade das comunicações. Os primeiros curam só pela ação fluídica em mais ou menos tempo, às vezes instantaneamente, sem o emprego de qualquer remédio. O poder curativo está todo inteiro no fluido depurado a que servem de condutores. A teoria deste fenômeno foi suficientemente explicada para provar que entra na ordem das leis naturais e que nada há de miraculoso. É o produto de uma aptidão especial, tão independente da vontade quanto todas as outras faculdades mediúnicas; não é um talento que se possa adquirir. Não se faz um médium curador como se faz um médico. A aptidão para curar é inerente ao médium, mas o exercício da faculdade só tem lugar com o concurso dos Espíritos. De onde se segue que se os Espíritos não querem, ou não querem mais servir-se dele, é como um instrumento sem músico, e nada obtém. Pode, pois, perder instantaneamente a sua faculdade, o que exclui a possibilidade de transformá-la em profissão.
Um outro ponto a considerar é que sendo esta faculdade fundada em leis naturais, tem limites traçados pelas mesmas. Compreende-se que a ação fluídica possa dar a sensibilidade a um órgão existente, fazer dissolver e desaparecer um obstáculo ao movimento e à percepção, cicatrizar uma ferida, porque então o fluido se torna um verdadeiro agente terapêutico. Mas é evidente que não pode remediar a ausência ou a destruição de um órgão, o que seria um verdadeiro milagre. Assim, a vista poderá ser restaurada a um cego por amaurose, oftalmia, belida ou catarata, mas não a quem tivesse os olhos estalados. Há, pois, doenças fundamentalmente incuráveis, e seria ilusão crer que a mediunidade curadora vá livrar a humanidade de todas as suas enfermidades.
Além disso, há que levar em conta a variedade de nuanças apresentadas por esta faculdade, que está longe de ser uniforme em todos os que a possuem. Ela se apresenta sob aspectos muito diversos. Em razão do grau de desenvolvimento do poder, a ação é mais ou menos rápida, extensa ou circunscrita. Tal médium triunfa sobre certas moléstias em certas pessoas e, em dadas circunstâncias e falha completamente em casos aparentemente idênticos. Parece mesmo que em alguns a faculdade curadora se estende aos animais. 

Trocando ideia...

Alguém nos escreveu fazendo a colocação abaixo:

" um pouco de maldade nas melhores pessoas, e um pouco de bondade nas piores."


E nos solicitou que colocássemos aqui para trocarmos ideia sobre a frase.

E aí? Como você explicaria a questão proposta?

Beijos e abraços,

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O que é poluição sonora?

O que é poluição sonora?

Especialistas definiram um limite seguro para seus ouvidos, mas situações cotidianas o ultrapassam fácil, fácil. Quer saber quais? Os sons do metrô, dos latidos de cães, do secador de cabelos, do liquidificador e até o de uma bronca...

Poluição sonora é todo ruído que pode causar danos à saúde humana ou animal. Existem diversas situações que causam desconforto acústico,... como uma pessoa falando alto ao celular e um indivíduo ouvindo música sem fones. Mas, se não tiver potencial para causar dano, não é poluição sonora.

Embora não se acumule no meio ambiente, como outros tipos de poluição, ela é considerada um dos principais problemas ambientais das grandes cidades e uma questão de saúde pública.
Uma pessoa exposta a ruídos muito altos pode sofrer de insônia, depressão, perda de memória, gastrite, doenças cardíacas e, claro, surdez. Por isso, existem leis e normas para evitar altos níveis de ruídos. Entre os especialistas, o consenso é que o limite seguro é de 80 dB.

INIMIGOS DO OUVIDOConheça algumas das fontes mais nocivas de decibéis ao seu redor:
- Trânsito congestionado: 80 a 90 dB;
- Avenida em obras com britadeiras: 120 dB;
- Feira livre: 90 dB;
- Trios elétricos: 110 dB;
- Latidos: 95 dB;
- Secador de cabelos: 95 dB;
- Bronca: 84 dB;
- Banda de rock: 100 dB;
- Liquidificador: 85 dB;
- Fogos de artifício: 125 dB e
- Avião decolando: 140 dB.

TOCADOR DE MÚSICAOs aparelhos mais populares passam de 100 dB. O recomendável é não usar fones em volume mais alto do que a metade da capacidade do player: 15 minutos ouvindo música a mais de 110 dB bastam para causar um trauma acústico. E as células da audição não se regeneram, ou seja, o dano aos ouvidos é irreversível.

CURIOSIDADE
O Congresso brasileiro estuda aprovar uma lei que obrigue os tocadores a mostrar o volume em decibéis.
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Consultoria: Oswaldo Laercio M. Cruz, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, e Pedro Luiz Mangabeira Albernaz, otorrinolaringologista do Hospital Israelita Albert Einstein

terça-feira, 6 de maio de 2014

Espero que você seja...


Radiante

Joamar Zanolini Nazareth
Amigos, a vida é um convite permanente à superação, à conquista de novos caminhos, novas descobertas e novas soluções aos problemas que “brotam” adiante de nossos passos.

O mundo muito se desenvolveu nos momentos de crise e desafios e assim prossegue, arrancando das horas ásperas um volume maior de progresso.

É uma bela demonstração de que, diante instantes dolorosos e difíceis, em que parece não haver portas nem janelas abertas, temos a opção de escolher qual nossa posição: a de quem encara o desafio de frente ou prefere se fechar no medo e no desalento. Alguém pode indagar: você quer que eu fique alegre ante as alegrias e fique também bem ante as dores e dificuldades? Não será viver alienado?

A resposta não é difícil. Não nos são proibidos os minutos de dúvidas, de lágrimas, de angústias.

O que temos que entender é que quando paramos para ouvir as lamúrias de nosso próprio íntimo paralisamos nossas oportunidades e o socorro que está a caminho. Sejamos tal qual o sol, que insiste em dissolver as nuvens tempestuosas, e mesmo que demore alguns dias, volta a brilhar para todos. Sejamos radiantes.

Uma pessoa que irradia otimismo e simpatia consegue obter soluções que pareciam impossíveis, cativar pessoas que ninguém acreditaria que pudessem ser cativadas, abrir portas que todos supunham intransponíveis...

De pessoas assim os outros gostam de estar perto; de pessoas sombrias e pessimistas todos querem distância. Ser radiante é espargir alegria e confiança em si e na vida.

 Joamar Zanolini Nazareth

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Estudo dirigido: O Evangelho segundo o Espiritismo

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EESE
Cap. IV – Itens 1 a 7

Tema:  
Ressurreição e reencarnação
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A - Texto de Apoio:

1. Jesus, tendo vindo às cercanias de Cezaréia de Filipe, interrogou assim seus discípulos: "Que dizem os homens, com relação ao Filho do Homem? Quem dizem que eu sou?" - Eles lhe responderam: "Dizem uns que és João Batista; outros, que Elias; outros, que Jeremias, ou algum dos profetas." - Perguntou-lhes Jesus: "E vós, quem dizeis que eu sou?" - Simão Pedro, tomando a palavra, respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." - Replicou-lhe Jesus: "Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que isso te revelaram, mas meu Pai, que está nos céus." (S. Mateus, cap. XVI, vv. 13 a 17; S. Marcos, cap. VIII, vv. 27 a 30.)

2. Nesse ínterim, Herodes, o Tetrarca, ouvira falar de tudo o que fazia Jesus e seu espírito se achava em suspenso - porque uns diziam que João Batista ressuscitara dentre os mortos; outros que aparecera Elias; e outros que uns dos antigos profetas ressuscitara. - Disse então Herodes: "Mandei cortar a cabeça a João Batista; quem é então esse de quem ouço dizer tão grandes coisas?" E ardia por vê-lo. (S. Marcos, cap. VI, vv. 14 a 16; S. Lucas, cap. IX, vv. 7 a 9.)

3. (Após a transfiguração.) Seus discípulos então o interrogam desta forma: "Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?" - Jesus lhes respondeu: "É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas: - mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem." - Então, seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara. (S. Mateus, cap. XVII, vv. 10 a 13; - S. Marcos, cap. IX, vv. 11 a 13.)

Ressurreição e reencarnação

4. A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As idéias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

5. Ora, entre os fariseus, havia um homem chamado Nicodememos, senador dos judeus - que veio à noite ter com Jesus e lhe disse: "Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor, porquanto ninguém poderia fazer os milagres que fazes, se Deus não estivesse com ele."

Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo."

Disse-lhe Nicodemos: "Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez?"

Retorquiu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. - O que é nascido da carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. - Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. - O Espírito sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem ele, nem para onde vai; o mesmo se dá com todo homem que é nascido do Espírito."

Respondeu-lhe Nicodemos: "Como pode isso fazer-se?" - Jesus lhe observou: "Pois quê! és mestre em Israel e ignoras estas coisas? Digo-te em verdade, em verdade, que não dizemos senão o que sabemos e que não damos testemunho, senão do que temos visto. Entretanto, não aceitas o nosso testemunho. - Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis, quando vos fale das coisas do céu?" (S. JOÃO, cap. III, vv. 1 a 12.)

6. A idéia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos, notadamente nas acima reproduzidas (nº 1, nº 2, nº 3). Se fosse errônea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras. Longe disso, ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo." E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo.

7. Estas palavras: Se um homem não renasce do água e do Espírito foram interpretadas no sentido da regeneração pela água do batismo. O texto primitivo, porém, rezava simplesmente: não renasce da água e do Espírito, ao passo que nalgumas traduções as palavras - do Espírito - foram substituídas pelas seguintes: do Santo Espírito, o que já não corresponde ao mesmo pensamento. Esse ponto capital ressalta dos primeiros comentários a que os Evangelhos deram lugar, como se comprovará um dia, sem equívoco possível. (1)

(1) A tradução de Osterwald está conforme o texto primitivo. Diz: "Não renasce da água e do Espírito"; a de Sacy diz: do Santo Espírito; a de Lamennais: do Espírito Santo.

À nota de Allan Kardec, podemos hoje acrescentar que as modernas traduções já restituíram o texto primitivo, pois que só imprimem "Espírito" e não Espírito Santo. Examinamos a tradução brasileira, a inglesa, a em esperanto, a de Ferreira de Almeida, e todas elas está somente "Espírito".

Além dessas modernas, encontramos a confirmação numa latina de Theodoro de Beza, de 1642, que diz:

"...genitus ex aqua et Spiritu..." "...et quod genitum est ex Spiritu, spiritus est."

É fora de dúvida que a palavra "Santo" foi interpolada, como diz Kardec. - A Editora da FEB, 1947.

B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 – Como era a crença dos judeus com relação à reencarnação?

2 – Como interpretar “Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”?

3 – Extraia do texto acima a frase ou parágrafo que mais gostou e justifique.

domingo, 4 de maio de 2014

Pergunta feita: dúvidas de uma mãe de jovem...

Nome: E.

É espírita: sim

Estado: Pernambuco

Assunto: relacionamento com estudos

Mensagem: Minha filha é muitíssimo inteligente, 20 anos 4 vestibulares, aprovação em 3.Iniciou 2 faculdades e trancou no 1º semestre.Foi iniciada no espiritismo se diz espírita, fala c/quem tivesse anos de doutrinação,mas anda sem coragem, energia motivação p/ voltar a estudar, inclusive de ler em geral. Tb tá muito voltada para as baladas e a internet. O q fazer com esse poço de saber e de preguiça ? sou uma mãe sem orientação, embora tenha trabalhado com jovens e me dado bem, 2º depoimento das outras duas mães.

Aguardo notícias e/ou ajuda de vcs. E.

 

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Olá, E.!

 

Muita paz a você e que Jesus nos abençoe.

 

Quando tratamos das responsabilidades que todos temos no decorrer de nossas vidas, lembramos que elas vêm conforme nossa capacidade de lidar com elas, somado ao fato de que em cada fase de nosso desenvolvimento nossas percepções e interesses sobre os compromissos se modificam, tendo cada indivíduo um comportamento diferente. Não entramos na questão do certo e do errado, mas observamos apenas as escolhas que cada um faz. Há aqueles que desejam abrir suas asas e conhecer o mundo; há os que se perdem em seu próprio universo íntimo de sonhos; há os que assumem uma postura mais objetiva sabendo e buscando o que deseja... Mais uma vez, cada um faz suas escolhas conforme seus interesses.

 

A casa dos 20 anos, quando se desfruta de maior liberdade (psicologicamente, espiritualmente e socialmente), saímos vida afora em busca dos nossos desejos. Nesse momento, apesar de aparentemente assustador, não estamos sozinhos, pois tudo o que temos de valores, os que foram semeados durante nossa maturação, além dos que já temos aflorados em nossa consciência, é chamado para a prática na vida cotidiana. Não importa a direção para onde demos os primeiros passos; naturalmente, seremos conduzidos para a direção para a qual tendemos e para qual somos chamados.

 

Como se isso tudo já não fosse o suficiente, há aqueles que conosco convivem, encarnados ou não, que, atentos, no ajudam ampliando nossa visão para que acertemos sempre que possível.

 

Portanto, se erramos é ou por desatenção, ou por mau uso do nosso livre-arbítrio, situação esta que nos é legítima, pois Deus assim nos permite. Dr. Bezerra de Menezes, nosso paternal amigo espiritual, assim nos orienta: “A experiência é adquirida através das tentativas de erros e acertos”. Isso nos leva ao entendimento de que aprender com os próprios erros faz parte na nossa evolução.

 

E., óbvio que, como mãe, seu desejo é que sua filha siga sempre o melhor caminho, o do sucesso, do crescimento, das virtudes, etc, mas sua influência é limitada, cabendo a você apenas aconselhar e apoiar quando for possível. As realizações propriamente ditas cabem a ela, que tomará as decisões que melhor lhe convierem, condicionadas às consequências das escolhas feitas que virão ao seu encontro, positivamente ou não, segundo a lei de causa e efeito. O conhecimento doutrinário aumenta nossas responsabilidades – a quem muito foi dado, muito será cobrado. Isso por que cada estudo feito é uma luz que nos é acesa em nossa consciência, nos permitindo ver melhor o mundo e a direção que seguimos, além do próprio autorreconhecimento como espírito que somos. Diante disso, sabemos que aprendemos pelo amor ou pela dor. A decisão é nossa, individual e intransferível.

 

Não há solução clara e pronta para solucionarmos problemas dessa natureza, cara irmã, já que lidamos com pessoas, e cada pessoa é um ser independente, como nós mesmos, com vontades, tendências, sonhos, anseios, medos, fraquezas, virtudes... O que nos é permitido é nos influenciarmos mutuamente usando a força máxima do universo. Recordemos as palavras do Espírito Hammed, no livro "Um modo de entender", psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto: "Pode ser que, em muitas ocasiões, não possamos escolher as situações e ocorrências externas de nossa vida, mas com certeza sempre poderemos optar pela única maneira sensata de enfrentá-las: com amor!"

 

Dialogue com sua filha, não pela imposição de suas opiniões sobre as dela, o que caracterizaria um duelo improdutivo e a afastaria de você afligindo-a mais ainda – pense sempre nisso: a repreensão afasta; o amor e a atenção atraem. Porém, conversando com compreensão e amor maternal, poderá estimulá-la à retomada dos compromissos (estudos acadêmicos, doutrinários, trabalho, etc), conciliando-os com a vida social que ela construiu (amigos, lazer, relacionamento afetivo, etc). Somos seres gregários, E., ou seja, temos uma natural tendência a nos relacionarmos uns com os outros – é uma lei de Deus. Assim, devemos entender que há espaço para tudo em nossa vida, bastando apenas uma boa administração do nosso tempo e da distribuição equilibrada da nossa atenção para cada setor da nossa vida. Não há nada de complexo nisso.

 

Aos poucos tudo retomará seu curso. Confie na educação que deu a ela, confie nela como sua filha, e jamais se esqueça de que nunca estão sozinhas.

 

“Sabeis o que é a prece? É uma irradiação protetora que nasce do coração amoroso, sobe até Deus em súplicas veementes e desce em benefícios até ao ser por quem se pede, ou a quem se deseja proteger. É um frêmito de amor sublime que se expande, toca o Infinito, transfunde-se em bênçãos, ornamenta-se de virtudes celestes e derrama-se em eflúvios sobre aquele que sofre. A prece é o amor que beija o sofrimento e o consola, é a caridade que envolve o infortúnio e reanima o sofredor, retemperando-lhe as energias.” Yvonne A. Pereira – no livro "O Cavaleiro de Numiers", pelo Espírito Charles.

 

Sugerimos, para harmonização doméstica, fazer a Reunião do Evangelho no Lar para que não somente você, mas todos da família, e auxiliares, possam receber os seus benefícios, que envolvem todo o ambiente doméstico.

 

Segundo Emmanuel, Espírito, não devemos esquecer a necessidade de trazer o Cristo para o cenário de amor onde nos refugiamos. É um trabalho simples. Escolhemos alguns minutos por semana e nos reunimos com todos aqueles que vivem conosco, para o aprendizado das lições de Jesus.

 

Recomendável seja feito esse estudo no mesmo dia da semana e horário. Iniciamos com uma prece espontânea, abrimos uma página do Evangelho e lemos, em voz alta, alguns trechos, comentando-os em seguida. Os companheiros participantes devem expor suas dúvidas, seus temores e dificuldades. Através da conversação edificante produzida, os benfeitores da espiritualidade superior "distribuirão a todos ideias e forças, em nome do Cristo, para que horizontes novos iluminem o espírito de cada um."

 

Um Roteiro e outros esclarecimentos sobre o assunto poderão ser encontrados no seguinte endereço: http://www.espiritismo.net/evangelho_no_lar.

 

Procure sempre cultivar o hábito da oração e manter-se em vigilância, no pensamento, no falar e no agir. Outrossim, assistindo às palestras de uma Casa Espírita, prestando a devida atenção, sempre encontraremos respostas para as nossas dúvidas, por meio dos ensinamentos dos oradores e a assistência inspiradora dos nossos mentores e protetores espirituais. Essa participação é extensiva a todos de sua família, especialmente à sua filha, que terá a oportunidade de melhor absorver os princípios doutrinários que ela demonstra conhecer.

 

A Casa Espírita também proporciona o benefício do passe, o qual constitui-se duma transfusão de energias, que nos revigoram e reanimam. O tratamento magnético (passes) vem como um poderoso recurso para o equilíbrio que todos precisamos e nele encontramos o suporte espiritual para nossas lutas cotidianas. Igualmente, a participação em atividades de caridade, de ajuda ao próximo, proporciona a higiene mental necessária à nossa renovação.

 

Recomendamos, ainda, caso seja possível e haja interesse, participar de nossas atividades na Internet (estudos, palestras, vibrações e Atendimento Fraterno), via Paltalk (programa de áudio-conferência). Informe-se sobre o programa - instalação e uso - no site www.espiridigi.net/paltalk, além da programação semanal de nossos grupos de trabalho, com as atividades e horários.

 

Para nossos jovens, no Paltalk: categoria "Central & South America" - subcategoria "Brazil", sala ESPIRITISMO NET JOVEM - Às sextas-feiras, 21h, com estudo das Obras Básicas.

 

Também, no mesmo programa, às segundas-feiras, 20h40, na sala ESPIRITISMO NET ESTUDO, estudo da obra "Educação do Espírito - Introdução à Pedagogia Espírita", de Walter Oliveira Alves - para pais, educadores e evangelizadores.

 

Como complemento para nosso atendimento, convidamos você, sua família e interessados, para conhecer nosso trabalho de vibração, desenvolvido no Paltalk - sala Espiritismo Net Vibração -, aos domingos, categoria Central & South America / subcategoria Brazil", das 22h às 22h30, que lhes proporcionará momentos de harmonia e reflexão. Você também pode encaminhar nomes para a vibração através do formulário no endereço www.espiritismo.net, seção "Preces Online".

 

Instrua-se com leituras edificantes – caso seja do seu interesse, a Codificação Espírita e outros livros espíritas instrutivos podem ser obtidos no link www.espiritismo.net/portugues_download ou www.virtual.espiridigi.net (Biblioteca Virtual).

 

Esperamos ter ajudado. Estamos à disposição para auxiliar no que for necessário e conte sempre conosco.

 

Um abraço,

 

André.

Equipe Espiritismo.net Jovem

 

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Para suas reflexões sobre a dificuldade que enfrenta, ouça as mensagens abaixo:
 
No Campo da Vida - http://www.universoespirita.org.br/audio/arq/20030923.mp3
Parentes e Companheiros - http://www.universoespirita.org.br/audio/arq/20030713.mp3
Paciência conosco - http://www.universoespirita.org.br/audio/arq/Paciencia%20conosco!20021222.mp3
Confiança - http://www.universoespirita.org.br/audio/arq/20031006.mp3
 
Palestra: Diálogo com os filhos - José Raul Teixeira - Baixe em www.espiridigi.net/arquivos/dialogo_filhos_raul.zip