quarta-feira, 5 de novembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
SER ESPÍRITA
Estudo dirigido: O Evangelho segundo o Espiritismo
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EESE – Cap. VI – Itens 1 a 4
Tema: O jugo leve
Consolador prometido
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1. Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. (S. MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30.)
2. Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação em a fé no futuro, em a confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, ao contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições caem com todo o seu peso e nenhuma esperança lhe mitiga o amargor. Foi isso que levou Jesus a dizer: "Vinde a mim todos vós que estais fatigados, que eu vos aliviarei."
Entretanto, faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por ele ensinada. Seu jugo é a observância dessa lei; mas, esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade.
3. Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. -Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.)
4. Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.
O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: "Ouçam os que têm ouvidos para ouvir." O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.
Disse o Cristo: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados." Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho.
Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.
B - Questões para estudo e diálogo virtual:
1 – Segundo o texto, em que podemos encontrar consolação para os sofrimentos?
2 – Cite algumas razões pelas quais o Espiritismo é considerado o consolador prometido.
3 – Extraia do texto acima a frase ou parágrafo que mais gostou e justifique.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
E, aí! Já leu?!
Cotidiano em reflexões espíritas
setembro/2014 - Por Maria Helena Marcon
Para esses dias, em que, por vezes, a impressão que se tem é de que a criatura perdeu o endereço de Deus, amarfanhando a própria alma em complexos e esdrúxulos comportamentos; nesses dias de tantas dores se sucedendo no mundo, de descomprometimentos de toda sorte, textos que chegam propondo reflexões e apontando diretrizes, se fazem de ímpar oportunidade.
Esta é a obra que Sandra Borba Pereira, com sua experiência de esposa, mãe, educadora, espírita, nos oferece, permitindo-nos um passeio pelas alamedas do bem, do compromisso, da contribuição preciosa para o mundo melhor.
Alguns dos textos que ora compõem o presente livro foram, oportunamente, publicados na imprensa espírita, em jornais e revistas, como o Jornal Mundo Espírita (Federação Espírita do Paraná), Reformador (Federação Espírita Brasileira), entre outros, compondo agora um único feixe à disposição do leitor.
Estes são parágrafos do Prefácio, de lavra da Diretoria Executiva da FEP, que editou a obra e a disponibilizou ao público em agosto deste ano.
A autora, Sandra Maria Borba Pereira, é professora de Fundamentos da Educação, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Com larga folha de serviço espírita em terras potiguares e no Movimento Espírita Nacional, já desenvolveu no Paraná várias atividades, coordenando Encontros Estaduais de Coordenadores de Juventudes Espíritas e participado como conferencista nas Conferências Estaduais Espíritas e eventos outros, da Federativa paranaense.
Na Apresentação do livro, assim se expressa a autora: O Espiritismo é uma ferramenta de compreensão da vida. Ele nos auxilia a ampliar as vistas sobre a imortalidade da alma, a justiça divina, o intercâmbio mediúnico, dentre outros assuntos. Igualmente, nos fornece conceitos que nos possibilitam entender o mundo das relações sociais onde agimos e vivenciamos as leis morais.
(…) desejamos provocar reflexões que, de alguma forma, possam contribuir para o entendimento acerca de questões da vida cotidiana, à luz dos princípios espíritas, de modo a que possamos enfrentá-la com mais sabedoria.
É com este propósito que o livro foi concebido e incita o leitor à reflexão. O capítulo Um deus dentro de nós é um verdadeiro convite a trabalharmos a autoestima, servindo-nos da oração, meditação, do encontro com o outro, perseverança na obra do bem, no exercício da compreensão, com verdadeiro entusiasmo.
Em A constância do Sábio, enquanto apresenta a conduta estoica perante as ofensas e insultos leves, diríamos, quase tolices, por vezes, ela homenageia o proceder do orador espírita baiano Divaldo Pereira Franco, que enfrenta ofensas grandes e pequenas com ânimo, energia, paciência e grandeza d´alma, o que ela denomina de atitude de homem sábio ou bem próximo da sabedoria.
Leva-nos a refletir, na qualidade de espíritas, em como nos estamos comportando, em termos de perseverança, serviço, confiança mas, sobretudo, o que temos semeado em nossas relações sociomorais, alertando-nos para o fato de que sonos os artífices de nosso próprio destino. Enfatiza, de forma apropriada com o título do próprio capítulo: Criando uma rede de problemas… ou de soluções.
Enaltecendo O trabalhador e o trabalho, lembra: Ao longo desses anos de militância no Movimento Espírita, temos ouvido falar de trabalhador-promessa e de trabalhador-desertor, em suas tarefas. Mas, o Movimento prossegue com as casas espíritas abertas para atender à multidão dos necessitados. É nessa hora que surgem os trabalhadores-tarefeiros, desejosos e dispostos a servir, ainda que não sejam os que apresentam as melhores condições ou o perfil mais apropriado às tarefas, para as quais foram convidados. São os trabalhadores esforçados, dedicados, mesmo sem todas as credenciais, que outros apresentam, mas que se esquivam do compromisso com a Causa.
É de nos indagarmos, após a atenta leitura: Que tipo de trabalhadores somos nós? Como nos qualificamos?
O derradeiro capítulo, de número 21, se refere ao Natal de Jesus e a Pedagogia do Evangelho e, assim conclui a obra de cento e quarenta e sete páginas:
Podemos aduzir que a obra pedagógica de Jesus, entre nós, começou com a lição da manjedoura, estendeu-se por todo Seu messianato e teve como aula magna a crucificação no Gólgota, num exemplo constante de Amor Incondicional.
Quando evocamos, de modo mais intenso, a figura de Jesus, por ocasião do Natal, lembremos que, de fato, Ele é um presente do Amor de Deus às criaturas humanas. Como se agradece um presente? Nesse caso, só através da caminhada em busca desse Amor em nós, pelo processo da autoeducação, na vivência dos valores cristãos, sintetizados na justiça, no amor e na caridade, poderemos dizer: Graças Te damos, ó Deus, pelo presente que nos enviaste, Teu Filho Jesus.
Portanto, caro leitor, nestes dias de comemorações natalinas, tantas vezes só mundanas, lembre que pode e deve se confraternizar com familiares e amigos, mas… não esqueça do Aniversariante que só quer de nós o presente da nossa própria felicidade, construída a partir do nosso esforço de união definitiva com Ele.
http://www.mundoespirita.com.br/?materia=cotidiano-em-reflexoes-espiritas
Pergunta feita: Lutadores de Boxing, MMA, etc..
Nome: A.M.
Assunto: Lutadores de Boxing, MMA, etc..
Mensagem: Que acontece na espiritualidade quando um lutador de MMA, por exemplo, que se dedicou exclusivamente às lutas violentas nos octógnos em busca de fama e enriquecimento, levando uma vida de luxo e extravagâncias? Mas alguns vão com tatuagens nas costas com mensagens cristãs, inclusive com o nome de Jesus, além de agradecer a Deus dizendo que Deus os ajudou a vencer quando são vitoriosos em cima de seus adversários.
Obrigado,um grande abraço,A.
Resposta dada:
Olá A.!!
Os Espíritos nos esclarecem que todos nós precisamos de muitas reencarnações para evoluir.
Em cada existência, o Espírito tem a oportunidade de desenvolver e aprimorar aos poucos.
Sabemos que a violência não deve ser praticada e que com o desenvolvimento moral, o Espírito aprende a não agredir, nem mesmo por esporte.
Mas, como podemos avaliar se o lutador de ontem, não é um agressor sem freios na existência passada e a luta já representa um progresso para este espírito?
Então, não temos como fazer esse tipo de julgamento.
Há um relato no livro "As Vidas de Chico Xavier" em que Chico Xavier caminhava pela rua e viu um grupo que passava o dia jogando sinuca, enquanto ele trabalhava muito.
Chico então, houve a voz de Emmanuel lhe dizendo que o jogo permitia que aqueles homens não se ocupassem de tarefas piores. Hoje eles colocavam bolas na caçapa, mas em encarnações passadas foram cabeças ao chão...
A visão que o Homem possui de Deus se desenvolve com o senso moral. Para muitos, Deus ainda é compreendido como um ser vingativo e com características humanas. Mas, já uma forma de manter vínculo com a divindade.
Fique com Deus!
Abraços, Karina.
domingo, 2 de novembro de 2014
Ele salvou 669 crianças durante a 2ª Guerra… e não sabia que elas estavam sentadas ao lado dele.
Ele salvou 669 crianças durante a 2ª Guerra… e não sabia que elas estavam sentadas ao lado dele.
Por WILL
Sir Nicholas Winton tem uma das histórias mais fantásticas que já passaram pelo Awebic.
Ele foi o responsável por organizar uma operação de resgate que salvou 669 crianças de campos de concentração nazista. Elas foram levadas em segurança até a Inglaterra entre os anos de 1938 e 1939.
Depois da 2ª Guerra Mundial o feito de Nicholas permaneceu desconhecido. Foi só em 1988 que sua esposa Grete descobriu um velho livro de 1939 com os nomes e as fotos de todas essas crianças.
A reportagem abaixo conta a história de Sir Nicholas. Destaque para o tempo de 6 minutos e 31 segundos do vídeo, quando ele recebe uma homenagem emocionante em um programa de TV inglês.
Clique no play abaixo para assistir.
Notícia publicada no Portal Awebic, em julho de 2014.
Nara de Campos Coelho* comenta
Ver a vida com o olhar iluminado pelo Espiritismo, torna-a muito diferente e mais justa aos nossos olhos. Muitos indagarão: justa? É que o sentido de justiça também é diferente para o espírita, pois focamos a vida ao longo da eternidade, com suas idas e vindas ao plano físico e sempre sujeita às consequências de nossas ações. Por isto, ela é assim tão imprevisível e tão cheia de dramaticidade.
A notícia em comentário faz-nos pensar sobre isso. Um homem que salvou centenas de crianças das garras atrozes do nazismo, durante a 2ª guerra mundial. Mas não pôde salvar todas, infelizmente. Então, por que apenas estas? Por que não outras? E por que se propôs a salvá-las, enquanto outras pessoas não salvaram ninguém e muitas se associaram ao crime que infelicitou milhões de pessoas?
Neste ponto da reflexão, lembramo-nos de Jesus, quando nos disse no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça, porque serão saciados.” Muitos poderão alegar que esta justiça nunca se faz na Terra, pois existem os que choram e os que riem, os que escravizam e os que são escravizados, os perseguidos e os perseguidores e assim por diante, como cantava Tim Maia: “Na vida a gente tem que entender, que um nasce para sofrer, enquanto o outro ri.” Ainda longe da explicação racional do Espiritismo, alguns alegarão que esta justiça será vivenciada do outro lado da vida, quando os justos serão saciados, vendo os agentes do mal serem castigados e os do bem recompensados. Mas a razão nos faz questionar se esta justiça também se dará no Além, pois cada um verá lá refletido o tipo de vida que teve aqui na Terra, que dependerá dele mesmo e do que foi: revoltado, irado, gentil, se pôde estudar, se teve uma família equilibrada, e teve acesso aos bens materiais e culturais e assim por diante.
A resposta que nos faz entender esta questão nos vem do Espiritismo que nos clareia o entendimento, dizendo-nos que esta justiça na verdade é “justeza”, “ajustamento” às leis espirituais que nos governam a vida em todos os momentos. Seremos saciados pela verdadeira justiça quando entendermos a “justeza” dos acontecimentos como o da notícia que comentamos agora. Todos os que participam deste comovente caso estão ajustados com a Lei de Causa e Efeito, respondendo por sua participação individual e coletiva. Eis que esta lei nos vincula ao bem e é a única capaz de nos tirar do círculo vicioso do sofrimento que parece se perpetuar na Terra. As crianças salvas, foram-no por mérito espiritual e não por sorte ou acaso. O homem que as salvou teve esta possibilidade por estar ligado às leis de amor e, em consequência disso, obteve a chance deste ato para recuperar-se de um passado faltoso junto daqueles Espíritos, que por uma razão maior, ainda ocupavam corpos de crianças, ou, por já entender que a fraternidade é um divino instrumento de felicidade e que o possibilitou subir mais um degrau na escalada evolutiva.
O certo é que não existe o acaso nas leis de Deus e, portanto, tudo tem uma causa. O efeito é consequência da natureza desta causa, como nos elucida “O Livro dos Espíritos”.
Para coroar esta linda história, o “salvador” teve a alegria de receber uma homenagem daqueles a quem beneficiou, vivenciando em vida física as consequências felizes de sua atitude de amor e solidariedade. As crianças resgatadas, já amadurecidas, viram-se em outra emocionante situação: a oportunidade de expressar gratidão em relação a quem os libertou de um sofrimento atroz.
Eis a justiça divina, fazendo-se presente no nosso ajustamento às leis que nos regem a vida material e a espiritual, saciando-nos. Afinal, somos Espíritos eternos, viajando de encarnação em encarnação em busca da sabedoria, da paz e da felicidade.
* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.
Relembre casos polêmicos de imóveis que foram palco de tragédia
Relembre casos polêmicos de imóveis que foram palco de tragédia
Em São Paulo, Rafa Brites vai atrás de locais que foram cenários de crimes
Você vê problema em morar em uma casa considerada mal-assombrada ou em moradias que foram cenários de crimes? Tem gente que não se importa com isso. O ex-jogador David Beckham, por exemplo, comprou recentemente a mansão que pertenceu ao estilista Gianni Versace, em Miami. Versace foi assassinado na casa em 1997 e outros três donos morreram de forma violenta no local.
"O nosso objetivo não é se aprofundar no crime, mas saber especificamente sobre venda e aluguel dos imóveis", explica Ana Maria. O que se sabe também é que, muitas vezes, o proprietário desse tipo de casa tem que reduzir o valor do imóvel para conseguir vender ou alugar. Beckham desembolsou 60 milhões de dólares pela mansão.
Ana Maria começa a manhã na casa assombrada do personagem Barnabé
O Mais Você deu um giro por São Paulo atrás de casas marcadas pelo passado. A repórter Rafa Brites foi ao prédio em que morou a família Nardoni para saber se o apartamento está ocupado. E como será que anda a casa em que Suzane Richthofen morava com os pais? Já no caso da família Pesseguini, Rafa foi até à rua onde o crime ocorreu para saber se os vizinhos têm medo de morar próximo ao local da tragédia. E será que a repórter teve coragem de entrar no castelinho abandonado da rua Apa, outro local marcado por crime? "Se eu disser que não dá frio na barriga, estaria mentindo", diz Rafa.
Ela contou tudo: no prédio dos Nardoni, os funcionários foram orientados a não dar informações sobre o imóvel. A casa dos Von Richthofen está fechada, assim como a casa que era dos Pesseguini, que, segundo um morador, recebe manutenção.
Em enquete aberta no site durante o programa, 68,75% não comprariam um imóvel que tenha passado por uma tragédia, e apenas 31,25% não se importariam em morar em um lugar desses.
Matéria publicada na página do Programa Mais Você, em 16 de julho de 2014.
André Henrique de Siqueira* comenta
O ano era 1977. As férias escolares estavam em pleno vapor e já contávamos três dias de convivência na casa de um primo querido, no antigo bairro do Hipódromo, na capital pernambucana. A noite já caíra desde algumas horas. Um bando de meninos brincávamos desassossegados em frente à casa de meu tio, buscando, insistentemente, o que fazer...
- "Vamos criar uma casa mal-assombrada!"
Ideia dada, ideia realizada. Aproveitando uma casa abandonada, cujas ruínas debilitavam a estética da rua, munimo-nos de uma faca de cozinha, um pouco de paciência e uma vela acesa no meio da abóbora recordada e a penduramos no meio de lençol inutilizado para formar a figura do nosso fantasma. Com a ajuda dos adultos, fixamos o fantasma no meio da casa, de modo que pudéssemos ver sua sombra do lado de fora das ruínas... E aí começou a brincadeira! Quem teria coragem de entrar sozinho na casa em ruínas? Quem tinha coragem de apagar a vela na cabeça do fantasma? A noite correu entusiasmada com as querelas infantis e todos nos divertimos muito...
Mas na noite seguinte...
Todos sabíamos que existia uma cabeça de abóbora no meio das ruínas imitando um fantasma. Todos sabíamos que ele não tinha luz própria... Mas quem disse que havia coragem para entrar naquela casa mal-assombrada? A brincadeira tornara-se real, a ideia passou do imaginário para o mito e do mito para o enervante suplício de olhar a noite para uma casa mal-assombrada... Todos sabiam não existir fantasma na rua do Hipódromo, mas, por via das dúvidas, ninguém frequentou mais as ruínas fantasmagóricas, férias após férias, até que a casa foi derrubada e em seu lugar uma nova construída... Mas ainda tem gente que julga ver uma luz noturna gerando uma sombra de um fantasma nas noites que o vento sopra.
Camille Flamarion, discutindo a questão das casas mal-assombradas, afirma:
Haverá quem acredite em casas mal-assombradas? Os espíritos fracos e os crédulos, talvez, pois tudo isso não passa de contos de vovozinha, para intimidar crianças.
É o que comumente se pensa e diz. E de fato, parece que outro não deve ser o veredicto do senso comum. Que haverá nisso de falso ou de verdadeiro? Quod gratis asseritur gratis negatur (o que é afirmado sem razão pode ser negado sem motivo), dizia-me Renan, certa feita em que versávamos o dogma da infalibilidade papal, recentemente proclamado pelo concílio do Vaticano (1870). O que se afirma, sem provas, é simples e naturalmente negado. Se as casas mal-assombradas não fossem identificadas por observações irrefutáveis, estaríamos no direito de negá-las; e com isso, cumpriríamos até um dever. Velho provérbio diz que não há fumo sem fogo. Certo, muitas vezes, pode suceder haja mais fumo que fogo. Mas o adágio não deixa de ser verdadeiro. As lendas mais absurdas têm uma origem.
A questão persistente da veracidade dos fenômenos é decorrente, em parte, da mistura entre fatos e mitos, entre as histórias vivenciadas e as experimentadas. Os fenômenos relacionados à interação com o mundo espiritual, desde tempos remotos, têm se misturado com temores e invenções, com vivências e supertições. O resultado mais visível é o da tragicomicidade de que se revestem as histórias das casas mal-assombradas.
A ideia de casas mal-assombrados não é nova. Em um de seus mais famosos contos, A queda da Casa de Usher, de 1839, Edgard Alan Poe, descreve o cenário de uma casa mal-assombrada, pintando no imaginários os detalhes icônicos de um conto de terror. O sucesso da narrativa inspirou outras histórias, sendo uma das mais famosas na atualidade, o caso da mansão Winchester, localizada na 525 South Winchester Boulevard, San Jose, Califórnia, nos Estados Unidos.
Em 1862, Sarah Pardee casa-se com William Wirt Winchester dono das fábricas de rifles Winchester, fabricante do mais famoso rifle do final do século XIX. O casal passa por dificuldades logo após o nascimento de Anne Pardee Winchester, a primeira filha do casal que morreu logo depois, deixando a mãe inconsolável. Logo em seguida, em 1881, morre William, deixando a esposa sob uma forte depressão emocional. Desesperada com as perdas, a Sra. Winchester procura uma médium - que segundo os relatos, teria recebido uma comunicação do Sr. Winchester dizendo que os espíritos atormentados que foram mortos pelo famoso rifle estariam vagando pela mansão WInchester, rogando vingança e que teria sido deles a ação para matar Anne Pardee (a filha) e o próprio William.
Sarah decide mudar de residência e compra uma nova casa de 6 cômodos - aquela que se tornaria a mansão Winchester, em Santa Clara. A história - verídica ou inventada (?) - descreve que as reformas da nova casa foram feitas sob orientação de um médium com o propósito de afugentar os espíritos atormentadores que circundavam a família. E a obra nunca parou... A reforma era feita com orientações pela manhã para as atividades do dia e durante 36 anos inúmeros carpinteiros e trabalhadores mudaram, aumentaram, destruíram e reconstruíram até que no ano de 1922, depois de uma sessão espírita no quarto azul, Sarah foi se deitar e morreu durante o sono aos 83 anos de idade, deixando uma casa com aproximadamente 160 cômodos, 47 lareiras, mais de 10.000 janelas, incontáveis escadas e portas, muitas delas sem nenhum outro propósito além de confundir os espíritos... A casa foi vendida para investidores que passaram a usar a casa como atração turística - daí a dificuldades de diferenciar as verdades dos mitos convenientes. Na primeira contagem, os novos compradores identificaram 148 cômodos, mas na conferência deste número contaram 160 e a cada nova contagem se chegava a um número diferente. A mansão, construída para confundir os espíritos, confundiam também os investidores... O lugar é tão cheio de labirintos que os investidores demoraram mais de 6 semanas para retirar a mobília da casa.
Hoje ela é registrada como a maior casa da Califórnia com número desconhecido de cômodos e a maior casa mal-assombrada já conhecida (http://www.winchestermysteryhouse.com).
Diante da indistinção que se faz entre fatos e mitos, não é de admirar que muitas pessoas sérias não deem importância aos fenômenos das casas mal-assombradas. O que não significa que os fatos não existam.
Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec trata do assunto à luz do Espiritismo. No CAPÍTULO IX, dedicado ao tema DOS LUGARES ASSOMBRADOS, ele afirma:
As manifestações espontâneas, que em todos os tempos se hão produzido, e a persistência de alguns Espíritos em darem mostras ostensivas de sua presença em certas localidades, constituem a fonte de origem da crença na existência de lugares mal-assombrados.
E passa a questionar os Espíritos relativamente ao assunto. O resultado dos questionamentos indica que:
- Alguns Espíritos podem apegar-se aos objetos terrenos, devido à imaturidade de seus sentimentos e raciocínios.
- "Os Espíritos que já se não acham apegados à Terra vão para onde se lhes oferece ensejo de praticar o amor. São atraídos mais pelas pessoas do que pelos objetos materiais. Contudo, pode dar-se que dentre eles alguns tenham, durante certo tempo, preferência por determinados lugares. Esses, porém, são sempre Espíritos inferiores."
E um destaque especial deve-se às questões de número 4 e 5:
4ª) Tem qualquer fundamento a crença de que os Espíritos frequentam de preferência as ruínas?
"Nenhum. Os Espíritos vão a tais lugares, como a todos os outros. A imaginação dos homens é que, despertada pelo aspecto lúgubre de certos sítios, atribui à presença dos Espíritos, o que não passa, quase sempre, de efeito muito natural. Quantas vezes o medo não tem feito que se tome por fantasma a sombra de uma árvore e por espectros o grito de um animal, ou o sopro do vento? Os Espíritos gostam da presença dos homens; daí o preferirem os lugares habitados, aos lugares desertos."
a) Contudo, pelo que sabemos da diversidade dos caracteres entre os Espíritos, podemos inferir a existência de Espíritos misantropos, que prefiram a solidão.
"Por isso mesmo, não respondi de modo absoluto à questão. Disse que eles podem vir aos lugares desertos, como a toda parte. É evidente que, se alguns se conservam insulados, é porque assim lhes apraz. Isso, porém, não constitui motivo para que forçosamente tenham predileção pelas ruínas. Em muito maior número os há nas cidades e nos palácios, do que no interior dos bosques."
5ª) Em geral, as crenças populares guardam um fundo de verdade. Qual terá sido a origem da crença em lugares mal-assombrados?
"O fundo de verdade está na manifestação dos Espíritos, na qual o homem instintivamente acreditou desde todos os tempos. Mas, conforme disse acima, o aspecto lúgubre de certos lugares lhe fere a imaginação e esta o leva naturalmente a colocar nesses lugares os seres que ele considera sobrenaturais. Demais, a entreter essa crença supersticiosa, aí estão as narrativas poéticas e os contos fantásticos com que o acalentam na infância."
Convidando o leitor à leitura do capítulo IX de O Livro dos Médiuns - o qual é muito esclarecedor em torno do assunto, salientamos a necessidade de não se deixar levar pelas frivolidades com os quais os temas são tratados. E, em matéria de fenômenos, vale sempre lembrar a recomendação do Espírito Erasto: Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. (O Livro dos Médiuns, cap. XX, item 230.)
* André Henrique de Siqueira é bacharel em ciência da computação, professor e espírita.