terça-feira, 12 de maio de 2015

NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE – resumo

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NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE - Diz Emmanuel, no prefácio da obra: "Cada corpo tangível é um feixe de energia concentrada. A matéria é transformada em energia e esta desaparece para dar lugar à matéria.
Químicos e físicos, geômatras e matemáticos, erguidos à condição de investigadores da verdade, são hoje, sem o desejarem, sacerdotes do espírito, porque, como consequência de seus porfiados estudos, o materialismo e o ateísmo serão compelidos a desaparecer, por falta de matéria, a base que lhes assegurava as especulações negativistas.
Os laboratórios são templos em que a inteligência é concitada ao serviço de Deus, e, ainda mesmo quando a cerebração se perverte, transitoriamente subornada pela hegemonia política, geradora de guerras, o progresso da Ciência, como conquista divina, permanece na exaltação do bem, rumo ao glorioso porvir.
O futuro pertence ao Espírito!
E, meditando no amanhã da coletividade terrestre, André Luiz organizou estas ligeiras páginas em torno da mediunidade, compreendendo a importância, cada vez maior, do intercâmbio espiritual entre as criaturas.
Quanto mais avança na ascensão evolutiva, mais seguramente percebe o homem a existência da morte como cessação da vida.
E agora, mais que nunca, reconhece-se na posição de uma consciência retida entre forças e fluidos, provisoriamente aglutinados para fins educativos.
Compreende, pouco a pouco, que o túmulo é a porta à renovação, como o berço é acesso à experiência, e observa que seu estágio no Planeta é uma viagem com destino às estações do progresso Maior."
Dividido em 30 capítulos e onde são abordados temas quais assimilação de correntes mentais; psicofonia; consciente e sonambúlica; possessão; sonambulismo torturado; desdobramento em serviço; clarividência e clariaudiência; forças viciadas; mandato mediúnico; fascinação; efeitos físicos, mediunidade transviada e muito mais, é obra básica a todos aprendizes espíritas.

(fonte: http://www.institutoandreluiz.org/nosso_lar_resumos.html#libertacao)

Estudo dirigido: O Evangelho Segundo o Espiritismo

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EESE – Cap. X – Itens 1 a 4
Tema:   Perdoai, para que Deus vos perdoe
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A - Texto de Apoio:
Perdoai, para que Deus vos perdoe
1. Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia. (S. MATEUS, cap. V, v. 7.)
2. Se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados; - mas, se não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados. (S. MATEUS, cap. VI, vv. 14 e 15.)
3. Se contra vós pecou vosso irmão, ide fazer-lhe sentir a falta em particular, a sós com ele; se vos atender, tereis ganho o vosso irmão. - Então, aproximando-se dele, disse-lhe Pedro: "Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes?" - Respondeu-lhe Jesus: "Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes." (S. MATEUS, cap. XVIII, vv. 15, 21 e 22.)
4. A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor denotam alma sem elevação, nem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada, que paira acima dos golpes que lhe possam desferir. Uma é sempre ansiosa, de sombria suscetibilidade e cheia de fel; a outra é calma, toda mansidão e caridade.
Ai daquele que diz: nunca perdoarei. Esse, se não for condenado pelos homens, sê-lo-á por Deus. Com que direito reclamaria ele o perdão de suas próprias faltas, se não perdoa as dos outros? Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que cada um perdoe ao seu irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.
Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar: uma, grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda quando este último nenhuma justificativa possa ter; a segunda é a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o faz com benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a toda gente: vede como sou generoso! Nessas circunstâncias, é impossível uma reconciliação sincera de parte a parte. Não, não há aí generosidade; há apenas uma forma de satisfazer ao orgulho. Em toda contenda, aquele que se mostra mais conciliador, que demonstra mais desinteresse, caridade e verdadeira grandeza dalma granjeará sempre a simpatia das pessoas imparciais.
B - Questões para estudo e diálogo virtual:
1 – Em que consiste a misericórdia?
2 – Por que o texto diz: “Ai daquele que diz: nunca perdoarei”?
3 – Extraia do texto acima a frase ou parágrafo que mais gostou e justifique.













segunda-feira, 11 de maio de 2015

Livro No Mundo Maior – resumo

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NO MUNDO MAIOR - Quinto livro da série, nele André Luiz traz informações valiosas acerca da "psiquiatria iluminada", área pela qual sentia-se atraído há muito. Aproveitando a semana de folga em seus afazeres em Nosso Lar, acompanha o Assistente Calderaro até as regiões fronteiriças à Terra, entrando então em contato com o Instrutor Eusébio, que, segundo André, "superintendia prestigiosa organização de assistência em zona intermediária, atendendo a estudantes relativamente espiritualizados, pois ainda jungidos ao círculo carnal, e a discípulos recém-libertos do campo físico."
De forma clara e consistente, André narra uma noite de orientação espiritual a mais ou menos mil e duzentos encarnados, libertos do corpo denso pelo sono, e ali reunidos em busca de novos caminhos evolutivos, mais nobres e elevados. Uma das mais belas preces da série André Luiz é proferida Eusébio, nesta obra: "Senhor da Vida, abençoa-nos o propósito de penetrar o caminho da Luz!..."
Dividido em 20 capítulos, aborda a complexidade da mente humana e suas inclinações, felizes e infelizes. O poder do amor, a mediunidade torturada, sexo, perdas dolorosas, estranhas enfermidades, psicoses afetivas e alienação mental, são recheios desta obra que ensina que desespero é enfermidade, a revolta é ignorância e a perversidade é loucura...
Ainda no livro, o comovente reencontro, nos limiar das cavernas, de André Luiz com seu avô Cláudio, desencarnado há muito e em completa alienação mental, e os surpreendentes desdobramentos para a sua reencarnação.

Fonte: http://www.institutoandreluiz.org/nosso_lar_resumos.html

Divagação

2772Divagação

Nara Coelho

Fecho o jornal e os olhos.
Procuro não me deixar ficar sem esperanças no homem e no mundo. Mas é difícil, porque tantos são os descalabros, os níveis de imoralidade, corrupção e inversão de valores...

Gargalhadas dos incautos, vindo da jornalística foto, ecoam em minha mente. E penso: “estão sempre risonhos. Serão felizes?”  Ouso arriscar:    “não há solução para o mundo! Estas pessoas debocham de Jesus! Como falar em amor e fraternidade, justiça e caridade, em um antro de ignorância das leis divinas, em que os “donos do mundo” dominam as multidões com suas espadas ameaçadoras feitas de injustiça e antiética; em que os malfeitores assumem os lugares da dignidade e do bom senso?
Por um momento, vejo o Brasil descendo os degraus da iniquidade, perdendo de vez a possibilidade de ser “O Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho”.
Vem-me à mente a imagem de Jesus e de suas palavras eloquentes sobre o amor que deve se multiplicar para que o bem se faça em toda parte. Penso nos seus apóstolos, não só nos seus contemporâneos, mas naqueles que lhes seguiram as pegadas ao longo dos séculos para que sua mensagem salvadora não se perdesse. E minha angústia aumenta.
Foram tantos e tão dedicados... Estiveram na Literatura, nas Artes,  na Ciência, na Filosofia e até na Política. Na Religião foram em menor número, proporcionalmente ao que receberam... Quase todos foram perseguidos, muitos assassinados, mas todos deixaram seu recado, seu exemplo. Os apóstolos do Bem são sempre perseguidos; em maior ou menor escala, mas são perseguidos. Mas não foi o próprio Jesus que lhes prometeu o galardão nos céus em virtude de tal perseguição?
Meu pensamento, desconectado da cronologia,  faz-me passar por John Huss, por Ghandi, por Joana D’arc, por Francisco de Assis, Martin Luther King e tantos outros, deixando claro que nunca estivemos sós, como nos antecipou  a Divina Providência: ”Nunca te deixarei nem te desampararei”.
Chego, enfim, a  Chico Xavier, apóstolo da caridade, do amor e da coragem, tão próximo de nós! Penso em sua bondade, sua ternura e paciência, enfrentando adversidades físicas, morais e sociais para ratificar a teoria espírita trazida por outro apóstolo: Allan Kardec.
Percebi que aquela tristeza que sentia diante dos absurdos do mundo contemporâneo era fruto do meu orgulho pessoal e do afastamento da mensagem de Jesus, a que me permitia.
Saiba, prezado leitor, que me envergonhei.
Abri meus olhos e enxerguei o meu mundo exterior: um lar amigo que me protege e abençoa. A família querida, sempre presente e amorosa. Braços e pernas perfeitos, todas as funções orgânicas em quase-ordem. A inteligência mediana capaz de entender a mensagem de Jesus, clarificada pelo Espiritismo. E mais: exemplos sadios de um sem número de apóstolos que, muitas vezes, saíram da vida física sob completo anonimato, mas plenos de realizações felizes no campo do bem, dentro do mundo acanhado em que viveram.
Senti as esperanças renovadas. Perplexa ante minha hesitação, mas acordada para minha responsabilidade para com o trabalho e a modificação interior que preciso alcançar. “Conhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral, pelo grande esforço que faz em combater suas más tendências”, lição imorredoura de Kardec para cada coração interessado em se aprimorar.
Lembrei-me, em seguida, de que Emmanuel, por meio da psicografia do Chico Xavier, diz que “não estamos na obra do mundo para aniquilar o que é imperfeito, mas para completar o que se encontra inacabado”.
Fechei os olhos, novamente, ainda envergonhada.
Por meio da  prece, possibilidade comum a todos,  pedi o amparo dos incansáveis trabalhadores do bem. E, quase que de imediato, alcancei a justeza daquele ensino de Jesus que vibra através dos séculos: “Não julgueis!” 
Emocionada, entendi que no campo de aprendizado em que me detenho, resta-me, como ensina Emmanuel, “ a honra de ajudar, a prerrogativa de entender e a glória de servir.”
Que eu faça a minha parte.

4 de Maio de 2015

domingo, 10 de maio de 2015

Livro Obreiros da Vida Eterna – resumo

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OBREIROS DA VIDA ETERNA - Em companhia do instrutor Jerônimo, da enfermeira Luciana e do padre Hipólito, André Luiz desce ao Planeta em missão especial: atender, nos próximos trinta dias, a cinco dedicados colaboradores de "Nosso Lar", prestes a desencarnar na Crosta.
Em direção ao Planeta, pelos caminhos normais, o grupo socorrista, do qual faz parte André Luiz, se detêm na Casa Transitória, comandada pela irmã Zenóbia, espírito forte e batalhador. Ali, são surpreendidos pelo ataque de uma horda infernal de seres devotados à crueldade, prontamente, porém, rechaçados pela defesa magnética da instituição. Logo após, dirigem-se ao Rio de Janeiro.
Narra André Luiz: "Utilizávamos a volitação, prazerosos e felizes. Muito difícil descrever a sensação de leveza e alegria inerente a semelhante estado, após a permanência na escura região de que precedíamos. Fala-se, muitas vezes entre os encarnados, na possibilidade da criação do aparelho de voo individual; todavia, ainda que se efetive a nova conquista, o peso do corpo físico, os cuidados exigidos pela máquina de propulsão e os riscos de viagem não podem, de modo algum, substituir a segurança e a tranquilidade que nos enchem de tamanho bem-estar. Após a excursão normal, entre a Casa Transitória de Fabiano e a Crosta Terrestre, dentro de harmoniosas condições conservávamo-nos descansados e bem dispostos, operando muito facilmente a volitação, não obstante a densidade atmosférica."
Dentre os encarnados prestes a lhes receber a assistência, a filha de Bezerra de Menezes. "Transcorridos escassos minutos, ganhávamos o pórtico de notável, simples e confortável edifício, em que se asilavam numerosas criancinhas, em nome de Jesus. Tratava-se de louvável instituição espiritista-cristã, onde se sediava compacta legião de trabalhadores de nosso plano.
Bondoso ancião recebeu-nos afavelmente. Reconheci-o, jubiloso. Achava-se, ali, Bezerra de Menezes, o dedicado irmão dos que sofrem..."

Fonte: http://www.institutoandreluiz.org/nosso_lar_resumos.html

Nascer em bairro pobre 'prejudica ascensão social por décadas' - Breno Henrique de Sousa* comenta

Nascer em bairro pobre 'prejudica ascensão social por décadas'

Luis Fajardo
Da BBC Mundo

Na hora de determinar nosso destino econômico, poucas coisas importam tanto como o bairro em que nascemos e crescemos.
Todos sabemos que viver em uma região mais pobre reduz as possibilidades materiais de seus habitantes. Por isso, muitos sonham ir para uma parte mais afluente da cidade onde vivem.
Mas um estudo recente dos pesquisadores americanos Douglas Massey, da Universidade de Princeton, e Jonathan Rothwell, do Instituto Brookings, vai além: traz novas evidências de que simplesmente se mudar de um bairro precário para um melhor não é suficiente.
De acordo com a pesquisa, o local específico da cidade onde uma pessoa passa os primeiros 16 anos de sua vida é determinante na renda que ela terá muitas décadas depois, mesmo que mude seu local de residência diversas vezes.
A conclusão é uma má notícia para os que acreditam na possibilidade de ascensão e mobilidade social. E pode fornecer mais argumentos às discussões sobre propostas polêmicas de vários países, incluindo alguns latino-americanos, de levar habitantes de bairros pobres para viver em regiões mais ricas das cidades.
"O bairro é o ponto crítico onde se bloqueiam as aspirações das pessoas para subir na vida", disse Massey à BBC.
Para ele, as experiências vividas no local de nascimento também são uma herança da qual é difícil escapar.
"Os bairros pobres tendem a ter taxas mais altas de desordem social, crime e violência. As pesquisas mostram cada vez mais que a exposição a este tipo de violência não tem somente efeitos de curto prazo, mas também de longo prazo na saúde e na capacidade cognitiva de seus habitantes", afirma o pesquisador.
"Esses efeitos não se apagam quando as pessoas crescem."
Integração
A vida nos bairros mais carentes implica frequentar escolas de má qualidade, ficar mais longe das oportunidades de trabalho e mais perto dos focos de violência de nossas cidades.
Segundo o estudo de Massey e Rothwell, um americano deixa de ganhar, em média, cerca de US$ 900 mil, ao longo de sua vida se vive em um bairro pobre, comparado com o que recebe uma pessoa de um bairro de classe alta.
Segundo os pesquisadores, a tendência é que esse valor aumente.
"À medida em que a distribuição de renda fica mais desigual, ocorre o mesmo com a distribuição dos bairros. A concentração da riqueza e da pobreza aumentou. Os bairros pobres se tornaram mais pobres e ficou mais difícil escapar do status socioeconômico da pobreza", afirma Massey.
Mas qual seria a solução para evitar que nascer em determinado bairro se transforme em uma sentença?
Massey acredita que é importante acabar com a segregação por bairros, a mesma que faz com que a vida de cidadãos de diferentes classes econômicas acabem tomando direções opostas em suas vidas.
O pesquisador recomenda "ajudar as pessoas a se mudar de regiões de muita pobreza para áreas de classe média e alta, onde tenham acesso às vantagens que as comunidades mais abastadas oferecem".
Ele sugere construir moradias públicas subsidiadas em bairros mais ricos para que os pobres possam sair dos bairros marginalizados das cidades.
Oferecer aos jovens de classes sociais mais baixas a oportunidade de começar suas vidas em regiões mais ricas, diz Massey, pode ter um grande impacto positivo em suas trajetórias de vida.
Esse é um dos argumentos usados em capitais europeias como Londres, onde, após a Segunda Guerra Mundial, foram construídos conjuntos habitacionais estatais subsidiados em meio aos bairros mais ricos da cidade – que ainda existem.
Nos últimos meses, a proposta do prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, de um programa piloto para levar habitantes pobres para viver em um conjunto de edifícios de um bairro rico causou polêmica na Colômbia.
A ideia foi chamada por opositores de medida populista e classificada como uso pouco eficiente de recursos públicos escassos. Eles afirmam que estes recursos deveriam ser usados para melhorar as condições dos bairros pobres onde vive a maioria dos habitantes da capital colombiana.
Estigmatização
O estudo de Massey e Rothwell se baseou em informações sobre bairros nos Estados Unidos, mas Massey insiste que os resultados encontrados na pesquisa se aplicam a qualquer outro país onde há altos níveis de segregação por causa de classe social.
"É um fenômeno que se observa frequentemente na América Latina", afirma.
No entanto, a conclusão da pesquisa causou mais surpresa nos Estados Unidos.
"Os americanos não gostam de admitir, mas a classe social está se tornando uma prisão para as pessoas porque os bairros determinam nossa sorte. Nossa taxa de mobilidade social está ficando para trás em relação à de outros países industrializados", explica Massey.
"Nos Estados Unidos gostamos de pensar que qualquer pessoa pode ir para onde quiser com base apenas em seus talentos e habilidades. Mas isso é cada vez menos o que acontece. O talento e a habilidade se contraem quando as pessoas estão presas em ambientes segregados."

Notícia publicada na BBC Brasil, em 28 de janeiro de 2015.

Breno Henrique de Sousa* comenta

O homem é produto do meio?

Nasci em um bairro considerado de classe média baixa. Daqueles conjuntos habitacionais que possui uma infraestrutura básica e onde vive a classe trabalhadora menos abastarda. Vizinho ao meu bairro, vi crescer uma área de preferia, antes uma favela e hoje considerada um dos bairros populares mais perigosos da minha cidade. O que separa esses bairros é apenas um desnível geográfico, uma barreira física onde os que estão “embaixo” são os do bairro pobre e os que estão “em cima” são os do bairro urbanizado.
Não demorei a entender que a barreira física era a menor de todas. Existem outras barreiras, verdadeiros paredões separam esses dois bairros tão próximos um do outro. Ao caminhar pelas ruas do meu bairro, veem-se vias calçadas, sistemas perfeitos de abastecimento de água e esgotamento sanitário, passeios amplos, espaços públicos, vista panorâmica. Ao descer a barreira e chegar ao outro bairro, ainda encontramos ruas destruídas, becos estreitos e sinuosos, lugares lúgubres e insalubres, esgoto a céu aberto e uma desordem e assimetria caótica na construção desordenada e sobreposta de casebres, sem nenhuma preocupação estética ou racional.
Mais impressionante são as diferenças de hábitos, linguagem, expressões culturais. Como dois lugares tão próximos são ao mesmo tempo tão distantes? Minha vida se deu ali, transitando naturalmente entre esses dois universos e as diferenças me pareciam tão naturais que apenas com o amadurecimento é que me fui dando conta delas.
Lembro-me também que sempre tive amigos dos dois bairros. Destaco especialmente um deles, do bairro mais pobre, amigo de infância e que, assim como na reportagem, viveu os primeiros 20 anos da sua vida no bairro pobre. Na adolescência, quando os rapazes começavam a namorar, ele sofreu inúmeras rejeições pelo fato de viver onde vivia. Às vezes, as moças se interessavam e desinteressavam-se tão rapidamente quando ele revelava a sua origem humilde. Mais interessante é que algumas delas não se importavam com isso, mas quando os pais descobriam a origem do rapaz, exigiam o fim do namoro. Por fim, ele, muito seguro de si e sem se por na condição de vítima, indignado, mas nunca revoltado, com uma atitude positiva diante da vida, lamentava essas atitudes preconceituosas, mas seguia adiante. Ao invés de sentar-se para lamentar, ele otimizava seu tempo procurando – e  achava – alguém que não se importasse com isso.
Foi assim também a sua vida profissional. Aluno de escola pública, não teve formação para entrar nas melhores universidades, nem o ambiente e estímulo necessário para aperfeiçoar-se nos estudos. Teve que trabalhar cedo para atender às suas necessidades básicas, mesmo assim conseguiu terminar os estudos, progredir na carreira e tornar-se um trabalhador digno. Sempre percebi que estivemos equiparados moral e intelectualmente, mas as suas condições sociais determinaram que ele se tornasse empregado com uma faixa salarial mais baixa, e eu, que fui estudante de escolas particulares, com família bem letrada e com todas as oportunidades, sem ter que trabalhar para me manter logo cedo, acabei me tornando funcionário público com uma faixa salarial mais bem aquinhoada que a do meu amigo.
É interessante que alguns dos nossos amigos comuns, que conviviam conosco na infância e que também eram do meu bairro mais organizado, resvalaram para o crime e a droga. Alguns estão mortos por isso. O fato de morar no bairro nobre não os impediu de tornarem-se criminosos e o fato de meu amigo viver em um bairro pobre não o impediu de tornar-se um cidadão de bem. Mas um aspecto se destaca entre aqueles que deram certo na vida e os que deram errado – a estrutura familiar. Esse fator me parece mais relevante e determinante sobre os destinos do indivíduo do que as condições sociais. Ambos, eu e meu amigo, tivemos excelente estrutura e educação familiares. Nossos pais não foram perfeitos, longe disso, mas souberam cumprir com o seu papel e repassar-nos os princípios básicos de moral, seriedade, honestidade e respeito ao próximo.
O homem é produto do meio? Sim e não. Sim, porque é inegável a influência do meio sobre o indivíduo, afinal, é em contato com o outro que somos estimulados, vivemos novas experiências, progredimos e aprendemos. Porém, o fiel da balança será sempre a escolha de cada um. É menos frequente, de fato, porém temos casos de pessoas que mesmo em condições econômicas favoráveis e com uma família bem estruturada, resvalam para o crime, se não desenvolvem um mau caráter. Nós que aqui estamos, em um planeta imperfeito, somos susceptíveis às influências negativas porque trazemos nossas próprias imperfeições e por isso estamos mais desprotegidos das más influências, sobretudo morais. Essa má influência representa certo arrastamento ao mal, porque ainda somos inclinados ao mal, mas esse arrastamento não é irresistível. Temos escolha, mesmo que seja uma escolha difícil, isso se constitui em uma provação necessária para o desenvolvimento espiritual. Algumas circunstâncias muito áridas são mesmo uma expiação que deverá ser ultrapassada mesmo que dure uma existência.
Mas não esqueçamos que o meu amigo, mesmo não se deixando influenciar moralmente por suas condições sociais desfavoráveis, não escapou das repercussões econômicas ao longo de toda a sua vida por ter nascido em um bairro pobre. Isso não é relevante para o seu progresso espiritual. A maior de todas as vitórias ele já teve, que foi a de se manter digno e honesto, porém não há como negar essa influência. Alguns podem também citar casos de pessoas que sendo pobres progrediram economicamente tornando-se até mesmo ricas. Alguns já reencarnam equipados com os conhecimentos que lhe permitem ascender economicamente ou moralmente mesmo em condições adversas, porém, esses casos representam antes uma exceção do que uma regra.
Para o Espiritismo, pela lei da reencarnação, situações como essas não se dão por acaso. Ao reencarnarmos existe um planejamento de onde e em quais circunstâncias devemos nascer. O fato de eu e meu amigo termos nascido onde nascemos não representa mérito ou demérito para nenhum dos dois. O mérito se dá pela forma que aproveitamos nossas experiências e, talvez nesse sentido, ele esteja melhor do que eu, porque superou com sucesso maiores dificuldades. Nem se trata de um mero acaso do destino ou da sorte o fato de nascer onde nascemos. A cada encarnação vivemos diferentes experiências em diferentes circunstâncias, de riqueza ou pobreza, sem que elas representem prêmio ou castigo. Cada situação tem algo a nos ensinar e é por isso que precisamos viver todas essas experiências. Cada um, ao seu tempo, está onde deve estar e encara os desafios próprios de sua condição que lhe estimulam o crescimento e a superação. Obstáculos existem para ser superados e não lamentados.
O Espiritismo tem uma posição ímpar sobre esse tema, porque não nega a importância da melhoria das condições sociais e sua influência sobre o indivíduo, mas tão pouco põe o destino individual do ser humano apenas nessas condições sociais como se ele nunca tivesse escolha ou livre-arbítrio.
As teorias sociais existentes atualmente na humanidade ou põem a responsabilidade do sucesso completamente sobre o indivíduo – como nos manuais de autoajuda e nas teorias neoliberais, sendo alienantes do ponto de vista social e retirando a responsabilidade dos governantes e do processo sócio-histórico – ou, por outro lado, enfatizam de maneira exacerbada esses fatores sociais e a influência do meio, retirando toda a responsabilidade do indivíduo, como se suas escolhas fossem determinadas apenas por fatores externos, como é defendido por algumas correntes de pensamento econômicas materialistas. Ambas as hipóteses são absurdas, uma porque é alienante e individualista, retira a responsabilidade do Estado e a joga sobre o indivíduo que foi injustiçado socialmente, e a outra porque nega o livre-arbítrio e imobiliza o ser humano na condição de vítima do processo social, fazendo-lhe desacreditar da sua iniciativa individual e que as mudanças só podem ocorrer através de revoluções utópicas, rupturas e mudanças no poder.
A excelência do Espiritismo ultrapassa essas duas visões acanhadas da realidade e sabe que ambos, indivíduos e sociedade, devem ser reformados, mas que o ponto determinante é a educação do ser humano, esse é o único instrumento legítimo de revolução e a única revolução legítima e possível. A mesma revolução que foi proposta por Jesus quando nos mandou amarmo-nos uns aos outros, a proposta evangélica que é capaz de realmente reformar a humanidade inteira e começa por sua escolha pessoal agora.

* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.

sábado, 9 de maio de 2015

Livro Missionários da Luz – resumo

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MISSIONÁRIOS DA LUZ - Desejando aprimorar-se quanto à mediunidade, recebe André Luiz o convite do bondoso mentor Alexandre para acompanhá-lo ao seu núcleo, em momento oportuno.
Alimentando indisfarçável curiosidade, e surgida a oportunidade, André vale-se da prestigiosa influência para ingressar no espaçoso e velho salão, onde Alexandre desempenha atribuições na chefia...
Terceiro livro da série. Composto de 20 capítulos, aborda a fascinante questão da mediunidade humana, notadamente a que se desenvolve nos centros espíritas. Logo de início, André Luiz tem a oportunidade de examinar detalhadamente a mente de um médium psicógrafo, com o auxílio magnético de Alexandre.
Missionários da Luz, uma obra mais complexa e profunda, traz estudo detalhado sobre a epífise, a glândula da vida mental. Assinala também tópicos generosos sobre trabalhos intercessórios, além de interessante narrativa acerca do intenso intercâmbio mantido entre encarnados e desencarnados, durante o repouso do corpo físico. Narra André: "Certa noite, finda a dissertação que Alexandre consagrava aos companheiros, meu orientador foi procurado por duas senhoras, que foram conduzidas, em condições especialíssimas, àquele curso adiantado de esclarecimentos, porquanto eram criaturas que ainda se encontravam presas ao veículos de carne e que procuravam o instrutor, temporariamente desligadas do corpo, por influência do sono. Eram Etelvina e Ester. A primeira, conhecida de Alexandre, pedia os obséquios do Instrutor para sua prima Ester, para solucionar a estranha morte de seu esposo, em plena via pública..."
Mais adiante, André Luiz tem a oportunidade de participar da complexidade de um processo reencarnatório, que envolve não apenas lições extraídas de seu desdobramento, mas também elucidações levadas a efeito no Centro de Planejamento de Reencarnações de Nosso Lar.
Mas Alexandre concede à André a oportunidade de acompanhar igualmente, um caso de fracasso reencarnatório...

Fonte: http://www.institutoandreluiz.org/nosso_lar_resumos.html