quarta-feira, 26 de abril de 2017

Livro em estudo: Nos Bastidores da Obsessão - A030 – Cap. 11 – As agressões– Terceira Parte


Livro em estudo: Nos Bastidores da Obsessão – Editora FEB - 1970
Autor: Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco

 

A030 – Cap. 11 – As agressões– Terceira Parte

 

11 - As agressões

 
A noite estava muito calma e escasseava o movimento nas ruas. Raros veículos passavam ruidosamente e o céu se encontrava bordado de diamantes estelares.
Como sopravam ventos brandos que nos chegavam do mar a regular distância, resolvemos caminhar até o local da condução que nos separaria.
— Confesso — iniciei a conversação — que receei você fosse atingido por um golpe do nosso infeliz irmão. A ameaça acompanhada do gesto ousado e fratricida assustou-me...
Sorriso espontâneo aflorou no amigo dileto. Após reflexionar um pouco, esclareceu-me:
— Miranda, a serviço de Jesus nada devemos temer! É claro que nós não devemos expor à temeridade, criando situações embaraçosas e perfeitamente desnecessárias. Não ignoramos que nossos Irmãos Maiores nos esclareceram e advertiram quanto às agressões de que seríamos vítimas. Ora, convém considerar que tais arremetidas já estão em curso. Experimentamos, nós próprios, os sinais constrangedores de influenciações negativas, nos últimos dias, até que. a palavra sábia do nosso Instrutor nos alertasse para a questão. É natural, portanto, que esse estado de coisas fosse tomar corpo onde as possibilidades de êxito poderiam suceder melhor. Não que nos consideremos em condições superiores ao nosso próximo. Ocorre, no entanto, que na família Soares os membros que não privam dos ideais elevados da vida são muitos, a iniciar pelo genitor da casa, que, vinculado a cerebrações infelizes desde há muito, prefere a situação insana em que se demora à comunhão libertadora que lhe tem sido acenada inúmeras vezes. Não crê você que o problema de Mariana deveria chamar-lhe a atenção? O drama de Marta, a outra filha, inquieta, em conúbios de infelicidade mereciam exame? No entanto, o nosso Mateus, conturbado em si mesmo, é espírito portador de enfermidade íntima de longo curso, que caminhará demoradamente até encontrar o horizonte claro da renovação...
Silenciou por alguns momentos, e prosseguiu:
— O campo, portanto, na família, é excelente para agressões de baixo teor espiritual e vibratório. Vivendo o clima da jogatina, o nosso irmão foi vítima de Entidades infelizes que armaram a mão do seu opositor para lhe roubarem a vida.
Assim, atingiriam a família em libertação da obsessão cruel de que padecem muitos dos seus membros, provocariam escândalo e esmagariam de dor a senhora Rosa, verdadeiro anjo de renúncia em clima de belicosidades... Depois nos atingiriam, também, emocionalmente, prejudicando grandemente os labores dos nossos Benfeitores Espirituais. Ante o choque provocado pela cena, a menina Mariana entrou em sintonia com o sicário que a espreitava, esperando, e incorporou-a, inconsequente...
Dando maior ênfase ao ensinamento, continuou:
— Como você não ignora, tudo está previsto. Merece considerar que o problema da desobsessão tem longo curso, O simples afastamento da entidade perseguidora não é fator de paz naquele que se lhe vinculava. Em processos obsessivos quais o de Mariana, há sempre uma mediunidade latente que oferece recursos de sintonia psíquica entre perseguidor e perseguido. Com o afastamento do primeiro, as possibilidades medianímicas do segundo se dilatam, sendo necessário educar, disciplinar, instruir o médium para que este adquira os recursos que o capacitem à defesa própria, aos cuidados contra as ciladas bem urdidas de outros Espíritos infelizes ou levianos, enfim, que preparem o seareiro em potencial para o labor na gleba imensa do Cristo, na qual escasseiam, ainda agora, trabalhadores diligentes e devotados...
«Quanto à agressão de que parecia que eu seria a vítima, não vi razões para preocupar-me. Em tarefa do Cristo, conquanto as minhas imensas imperfeições, confio nEle...
«Além disso, quando estamos a serviço da verdade, geramos e emitimos vibrações que nos defendem de todo o mal.»
Chegáramos ao local de despedida. Apertamo-nos as mãos e separamo-nos.
No dia imediato, retornamos ao lar dos Soares, ànoite, e fomos informados de que o chefe da família estava com excelentes possibilidades de recuperação, embora Dona Rosa, acabrunhada, se referisse ao estado espiritual e moral do esposo como dos mais lastimáveis.
Dissera-lhe, ele, que logo recuperasse a saúde saberia desforçar-se do agressor. Pouco se lhe dava com o que ocorresse consigo mesmo, mas lavaria em sangue o seu nome, a sua honra... Retornara, pois, do Nosocômio, inquieta, aflita, confiando na Providência Divina que saberia encontrar solução justa para caso tão complexo. A veneranda senhora definhava, e seu rosto sulcado pela dor inspirava-nos profunda piedade fraternal. Carinhosamente estimulada por Petitinga, de suas mãos recebeu a transfusão de abundante energia refazente, pelo recurso do passe.
Não padeciam dúvidas de que, vendo fracassados os seus planos de desdita, eliminando a vida física do senhor Mateus, os facínoras espirituais estavam a atormentá- lo, gerando as raízes perigosas do ódio, em cujas malhas, imprevidente e leviano, se emaranhava. Perturbado, seria presa mais fácil ainda para uma tragédia imprevisível, após a recuperação da saúde.
No domingo imediato, quando da reunião pública de exposição doutrinária na União Espírita Baiana, verificamos mais uma vez as artimanhas de que se fazem objeto os Espíritos trevosos.
Petitinga assomara à tribuna doutrinária e pregava. A sua palavra harmoniosa vibrava em tons de consolo, reportando-se ao estudo de «O Evangelho segundo o Espiritismo», no Capítulo 10, Instruções dos Espíritos: PERDÃO DAS OFENSAS, a excelente mensagem de Simeão, ditada em Bordéus, em 1862.
O recinto estava saturado de emoções superiores e algumas pessoas tinham os olhos coroados de lágrimas. Num intervalo natural da explicação, conhecido senhor de respeitável família local, obsesso contumaz, adentrou-se pela sala pública da sessão e, com o semblante fortemente congesto, avançou na direção da tribuna, ruidosamente, e bradou, referindo-se a Petitinga:
— Hipócrita! Quem és para pregar? Imperfeito como tu, como te atreves a falar da verdade e ensinar pureza, possuindo largas faixas de desequilíbrio íntimo, que ocultas dos que te escutam? Dize!
Todos fomos dominados por estranho constrangimento e um silêncio tumular se abateu sobre o auditório.
Petitinga, empalidecendo, levantou os olhos claros e transparentes, fitou o arrogante obsessor que tomara a boca do atormentado cavalheiro, e respondeu, humilde:
— Tens toda a razão e eu o reconheço. O tema em pauta, hoje, que o caro irmão não ouviu, se refere exatamente ao «Perdão das ofensas»...
— Não te evadas covardemente — descarregou o infeliz opositor. — Refiro-me às condições morais de que se devem revestir os que ensinam o que chamas a verdade, e que te faltam... Desafio-te a que abandones a tribuna religiosa ou abandones a vida que levas...
O assombro colocava-nos em estupor. Indubitavelmente, a entidade loquaz e enferma desejava criar condições de suspeição quanto à conduta ilibada, transparente e nobre do Evangelizador, e o desafiava a um duelo verbal negativo e pernicioso. De fé inquebrantável, no entanto, e sereno, o lecionador da Doutrina Espírita, sem trair na voz as emoções que o visitavam, esclareceu, com tocante sentimento da mais pura humildade:
— Irmãos: o amigo espiritual tem toda a razão e não me posso furtar ao dever de necessários quão inadiáveis esclarecimentos. Ensinou o Mestre que nos confessássemos uns aos outros, prática essa vigente entre os primeiros cristãos e que o tempo esmaeceu e deturpou dolosamente. Nunca me atrevi, nunca experimentei coragem para dizer aos companheiros sobre as minhas próprias dificuldades.
Agora, utilizando-me do auxílio do irmão que me faculta ensejo, digo da luta intensa que travo nalma para servir melhor ao Senhor, tentando, cada dia, aprimorar-me intimamente, lapidando grossas arestas e duras angulações negativas da minha personalidade enferma. Depois de ter conhecido Jesus, minha alma luta denodadamente contra o passado sombrio, nem sempre logrando êxito na ferrenha batalha de superação dos velhos padrões de ociosidade e crime em que viveu, na imensa noite dos tempos. Abandonar, todavia, o arado, porque tenho as mãos impróprias, quando a erva má grassa e escasseiam obreiros, não o farei nunca!
«Elegi, desde há muito, a desencarnação no grabato da aflição superlativa e do abandono total; fiel, no entanto, à luta redentora que me facultava a Doutrina de Jesus, à partida para o Mundo da Consciência Livre, cercado de carinho e conforto, ternura e compreensão, longe, porém, do serviço libertador... Prefiro a condição de enfermo ajudando doentes, a ser ocioso buscando a saúde para poder ajudar com eficiência, enquanto se desgastam corpos e almas ao relento da indiferença de muitos, que as minhas mãos calejadas podem socorrer. Miserabilidade socorrendo misérias maiores, à posição falsa daquele que recebeu o talento e o sepultou, conforme nos fala a Parábola do Senhor. Embora imperfeito, deixo luzir minha alma quando contemplo a Grande Luz; vasilhame imundo, aromatizo-me ao leve rocio do perfume da fé; espírito infeliz, mas não infelicitador, banho-me na água lustral da esperança cristã... Perdoa-me, Senhor, na imperfeição em que me demoro e ajudame na redenção que persigo... »
O auditório, compungido e emocionado, atendido por vibrações superiores, chorava comovido, e lágrimas transparentes adornavam a face do servidor do Cristo, rutilando singularmente naquela manhã de sol.
Inesperadamente, o perturbador espiritual arrojou ao assoalho o seu instrumento, e, dominado por crua emotividade, bradou:
— Perdoa-me, tu! A tua humildade vence-me a braveza, velhinho bom! Deus, meu! Deus, meu! Blasfemo! O ódio gratuito cega-me. Perdoa-me, velhinho bom, e ajuda-me com a tua humildade a encontrar-me a mim mesmo. Infeliz que sou. Tudo mentira, mendacidade inditosa, a que me amarga os lábios. Ajuda-me, velhinho bom, na minha infelicidade...
Petitinga desceu os degraus da tribuna, aproximou-se do sofredor e, falando-lhe bondosamente, envolveu o médium com gesto de carinho, convidando-o a sentarse.
— Perdoe-nos o Senhor de nossas vidas! — Falou em discreto pranto.
E levantando a voz, rogou:
— Oremos todos a Jesus, pelo nosso irmão sofredor, por todos nós, os sofredores.
Raras vezes na vida física presenciara cena mais comovedora. Era como se o Mundo Excelso baixasse àTerra e os homens pudéssemos transitar no rumo daquele mundo onde reside a felicidade...
Retornando à calma, o médium, ignorando o que se passara, teve um gesto de espanto por encontrar-se ali. Esclarecido em poucas palavras pelo pregador, este retornou à tribuna, e como se nada houvera ocorrido deu curso à preleção.
À hora regulamentar, os trabalhos foram encerrados, enquanto a cidade, lá fora, cheia de sons e músicas do dia e da faina dos homens, se deixava inundar da luz do sol.

 
QUESTÕES PARA ESTUDO

1 – De que modo os obsessores ainda estavam tentando prejudicar a família Soares e o grupo de trabalhas desobsessivos, através do Sr. Mateus?
 
2 – No final do texto, há uma interessante ação dos espíritos infelizes para desestimular os trabalhos de evangelização: um senhor, mediunizado por uma entidade infeliz, tenta desacreditar as palavras de Petitinga, acusando-o sem merecimentos para expor o Evangelho. E tal ação é bastante comum nos trabalhos espíritos, principalmente, no Culto do Evangelho no Lar, junto com a família do trabalhador, nas atividades fraternas do Centro, nas reuniões administrativas, etc, etc. Como Petitinga se comportou? Qual pode ser o interesse dos espíritos obsessores com tais ações?

 

Bom estudo a todos!!
Equipe Manoel Philomeno

terça-feira, 25 de abril de 2017

Desenvolva o tema à luz do Espiritismo


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Desenvolva o tema...



Como conseguirmos recurso financeiro para a divulgação do Espiritismo?

Autor: 
Alkíndar de Oliveira

Estamos vivendo um momento de júbilo no movimento espírita:vê-se há anos, no jornal de maior circulação do país, uma coluna periódica assinada por um dos mais renomados espíritas que o Brasil já conheceu. Frise-se: não é um jornal espírita. Fazer uma coluna periódica num jornal espírita é algo fácil e corriqueiro, mas conseguir espaço no jornal comercial de maior circulação do país, é trabalho somente para o espírita que sabe fazer acontecer.
Essa coluna de grande repercussão nacional vem ao encontro do desejo de Kardec, que em “Obras Póstumas” – Projeto 1.868, diz “...Uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados, levaria ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das idéias espíritas, faria nascer o desejo de aprofundá-los, e, multiplicando os adeptos, imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião”.
Percebeu, caro leitor, que Kardec, valorizando a importância da divulgação, reforça a necessidade de “uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados”? Felizmente, isso está ocorrendo. Estamos divulgando nossa Doutrina no jornal de maior circulação do país.
Você, caro leitor, talvez esteja perguntando, “mas onde está essa coluna espírita, que não a vejo? ”, “qual é esse jornal, a Folha de São Paulo? O Estado de São Paulo? ”, “quem é esse renomado colunista espírita? ”
São reflexões coerentes e lógicas. Mas, por mais que você não viu essa coluna espírita em nenhum jornal de grande circulação nacional, a informação acima é verdadeira. Ou melhor, foi verdadeira. É preciso deslocarmo-nos no tempo e no espaço para que essa informação passe a ser realidade:
Na cidade do Rio de Janeiro, nas últimas décadas do século XIX, o jornal de maior circulação do país chamava-se “O País”. Naquela época Bezerra de Menezes teve, nesse jornal de grande circulação, uma coluna espírita periódica por vários anos seguidos. Era uma coluna de grande repercussão nacional.
A triste realidade de hoje é que o feito de Bezerra de Menezes não está se repetindo. Não temos mais colunas espíritas periódicas no jornal de maior circulação do país. Será que não está faltando em nosso movimento espírita o espírito empreendedor de um Bezerra de Menezes, de um Eurípedes Barsanulfo, de um Cairbar Schutel?
Tive, caro leitor, que utilizar do artifício acima para relembrar, a todos nós espíritas, alguns itens fundamentais para o pleno desenvolvimento do nosso movimento:
  1. Kardec deixou-nos, dentre outras, a missão de divulgarmos o Espiritismo nos jornais de maior circulação do país;
  2. Essa missão, deixada por Kardec, tornou-se realidade em fins do século XIX;
  3. Na atualidade, não estamos cumprindo com a missão deixada por Kardec.
Além de Kardec, André Luiz, no livro “Conduta Espírita”, diz “Divulgar em cada programa de rádio, televisão, ou programas outros de expansão doutrinária, conceitos e páginas das obras fundamentais do Espiritismo. A base é indispensável em qualquer edificação”.
Sobre o mesmo tema – divulgação – diz o espírito Vianna de Carvalho em seu livro “Reflexões Espíritas”: “Na hora da informática com os seus valiosos recursos, o espírita não se pode marginalizar, sob pretexto pueris, em que se disfarça a timidez, o desamor à causa ou a indiferença pela divulgação...”
Mas como voltarmos a cumprir com a missão deixada por Kardec? Como passarmos a divulgar, semanalmente, por exemplo, uma coluna periódica no jornal Folha de São Paulo, no Estadão e em outros jornais de grande circulação?
A resposta todos nós sabemos: somente com muito dinheiro conseguiremos tal intento, pois, inserções periódicas num jornal de grande porte, é um investimento muitíssimo alto (e necessário, se quisermos seguir a orientação passada por Kardec).
Mas como conseguirmos dinheiro, se os espíritas, em relação a esse tema (dinheiro), são extremamente conservadores? Isto é, sabemos que qualquer sugestão de como conseguirmos dinheiro, que fuja da ineficiência atual, é categoricamente rechaçada.
Como criarmos uma nova ordem, novos procedimentos, para aproveitarmos da força do dinheiro?
A resposta a essas perguntas é dada pelos Espíritos quando Kardec, no O livro dos Espíritos, na pergunta 932 questionou: “Por que no mundo, os maus tão freqüentemente sobrepujam os bons em influência? ” Resposta dos espíritos: “Pela fraqueza dos bons, os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem dominarão. ”
Numa dedução lógica podemos concluir que falta a nós, espíritas, audácia. Precisamos ser audaciosos. No tocante a como arrecadar dinheiro, somos muito de apenas aperfeiçoar processos que já existem. Isto é erro estratégico. Ao mesmo tempo em que se aperfeiçoa o que precisa ser aperfeiçoado, é preciso dedicar tempo a novas idéias. Quem gasta energia aperfeiçoando apenas os seus processos e produtos, perde o tempo que deveria estar sendo dedicado a novas idéias. Júlio Ribeiro em seu livro “Fazer Acontecer”, Editora Cultura, diz que “alguém pode até aperfeiçoar a vela, deixá-la mais translúcida, deixá-la com maior poder de luminosidade, mas ela nunca substituirá a lâmpada”. Em outras palavras, aperfeiçoar o que deu certo e o que foi bom no passado é - geralmente - perda de tempo. Nós espíritas, em relação, a como arrecadar dinheiro, estamos aperfeiçoando a vela. Esquecemos que estamos na era das lâmpadas!
Quando Herculano Pires disse “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da terra”, deixou de forma implícita que estamos alongando nossa estrada. Estamos deixando de fazer obras de vulto para a divulgação do Espiritismo. E, em qualquer obra terrena, o dinheiro tem importância especial.
Sem ferir a ótica e a ética espíritas, saber utilizar com inteligência e criatividade dos recursos que nosso mundo oferece, despirmo-nos de preconceitos, sermos audaciosos, conscientizarmo-nos de nossa grande responsabilidade, são as formas de fazermos do Espiritismo o mais importante movimento cultural e espiritual da terra.
E para isto precisamos da força do dinheiro.
Os Centros Espíritas geralmente não têm estrutura financeira para, entre outras coisas, fazerem-se mais presentes na comunidade. Passamos – sem querer – a ser omissos. Essa omissão dos espíritas, essa nossa falta de audácia, propicia espaço para que muitas pessoas ainda acreditem em Adão e Eva, para que muitas pessoas ainda vejam Deus como um ser antropomorfo, para que muitas pessoas ainda creiam que Deus castiga, para que muitas pessoas ainda valorizem mais o culto exterior do que o culto interior, para que muitas pessoas, como disse André Luiz, valorizem mais a letra do evangelho do que o evangelho da letra.
Costumo dizer que “ser espírita é a arte de sonhar com um mundo angelical, mas saber viver - sem ferir a ética espírita – num mundo de expiação e provas”.
Quando fizermos parte de um mundo angelical, ou mesmo de um mundo de regeneração, não precisaremos da força do dinheiro para levarmos à frente nossos projetos no campo espiritual, mas por enquanto, ele, o dinheiro, é a ferramenta que Deus nos deu.
No meio espírita, contracenando lado a lado com a pureza doutrinária, há a realidade da dureza monetária.  Ambas implacáveis.
Há uma única forma de acabar com a dureza monetária sem afetar a importância da pureza doutrinária. Essa única forma chama-se CRIATIVIDADE.
Minha sugestão, que é o objetivo principal deste artigo, é que, em seu Centro Espírita, você utilize de uma das melhores ferramentas para aflorar a criatividade, e então implantar novos procedimentos para conseguir dinheiro. Essa ferramenta maravilhosa é denominada Brainstorming.  Mas, o que é Brainstorming?  É uma reunião onde, após o levantamento de um problema (no caso, “como arrecadarmos dinheiro? ”), os participantes passam a dar sugestões as mais diversas possíveis visando solução (ou soluções) para o problema.
Os seguintes critérios devem ser obedecidos:
  1. Cada participante tem total liberdade para dar qualquer tipo de idéia.
  2. Nenhuma idéia apresentada pode ser censurada ou ironizada pelos colegas.
  3. Deve-se estimular cada participante a dar o maior número possível de idéias.
  4. Deve-se estimular o participante a dar até mesmo idéias totalmente absurdas. Pois sentindo-se que poderá falar o que quiser (sem ser censurado), o participante utilizará melhor do seu potencial criativo.
  5. Ao término, há avaliação e seleção das idéias apresentadas.
Se for conveniente a avaliação e seleção poderão ser processadas em outra futura reunião. 
O Brainstorming só funciona se todos os passos acima forem seguidos. Por exemplo, não se pode dizer ao participante (quando ele dá uma idéia aparentemente sem nexo) “Ah! Essa sua idéia é um absurdo” ou “Isso que você sugeriu está totalmente contra os princípios do Espiritismo”. Esses exemplos de intervenções acabam com a criatividade. É preciso estimular o participante a dizer absurdos, pois só assim a mente ficará totalmente livre de parâmetros ou paradigmas inibidores da criatividade. Aí, sim, estimulando que falem coisas absurdas, surgirão novas idéias. Você pode perguntar: “mas se as idéias apresentadas forem de fato absurdas? ”, eu respondo “peça para continuarem dando idéias mais absurdas ainda”. É importante deixar claro que ao final do Brainstorming (vide item 5, acima), ou em outra reunião, haverá a avaliação e a seleção das idéias apresentadas e, então, a equipe terá a oportunidade de não acatar as idéias realmente absurdas.
Assim procedendo, será que surgirá uma idéia revolucionária, que fará seu Centro Espírita conseguir recursos financeiros suficientes para inserir uma coluna semanal no jornal de maior circulação de sua região?
Bem, a criatividade tem a capacidade de transformar uma possibilidade 0% em possibilidade 100%. É incrível o que conseguimos se deixarmos a criatividade aflorar. Mas, não dá para dizer que você conseguirá uma idéia que torne realidade sua coluna semanal no jornal citado. No entanto, também não dá para afirmar que você não conseguirá.
Mas, como então ter certeza de que é possível conseguir tal publicação semanal?
A força do dinheiro para publicar uma coluna espírita semanal no jornal Folha de São Paulo ou O Globo ou o Estadão (por exemplo) dependerá da força da união dos espíritas. Com UNIÃO e CRIATIVIDADE a força do dinheiro tornará realidade a missão que Kardec passou para nós.
A questão é que apareceu aí a expressão a “força da união dos espíritas” e, sejamos sensatos: a união dos espíritas - a tão almejada união – não está no campo do concreto. A união ainda está no campo do idealizado. Levará tempo para essa união concretizar-se. Por isto, a solução, por ora, é cada Centro Espírita fazer bem sua parte. Exijamos de nós antes de exigirmos dos outros. Sugiro ao dirigente espírita adotar os seguintes procedimentos:
  1. Una-se com o número possível de dirigentes de Centros Espíritas de sua região;
  2. Tenham como meta publicarem uma coluna espírita semanal no jornal de maior circulação de sua região;
  3. Estimule e oriente cada Centro Espírita da região utilizar do Brainstorming para que possam surgir idéias criativas relacionadas com recursos financeiros;
  4. Aplique as idéias criativas e publique uma coluna semanal no maior jornal regional.
Os procedimentos acima são realizáveis, pois, em vez de exigirmos que os principais representantes do movimento espírita do Brasil unam-se para publicar uma coluna semanal no jornal nacional de maior circulação, passamos, pelo exemplo, a fazer regionalmente a nossa parte. E um dia, quando, regionalmente, a maioria dos Centros Espíritas estiver atuando de forma efetiva na divulgação da doutrina, certamente haverá um despertar para a necessidade de ampliar a região de influência e, então, ficará mais fácil a comentada publicação no maior jornal do país.
Lembremo-nos sempre que, melhor do que exigir dos outros, é fazermos bem a nossa parte, assim, pelo exemplo, conseguiremos o objetivo deste artigo: bem utilizar a favor da Doutrina da força do dinheiro.

Autor: 
Alkíndar de Oliveira

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sumiço nas Bahamas expõe novas rotas da migração brasileira aos EUA

João Fellet
Da BBC Brasil em Washington

O sumiço de 19 brasileiros que tentavam viajar das Bahamas rumo à Flórida expõe a diversificação das rotas usadas por migrantes do país para entrar ilegalmente nos EUA, conforme a travessia pelo México se tornou mais arriscada.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, parentes dos desaparecidos disseram ter perdido contato com o grupo no início de novembro. O órgão diz que não há informações sobre os brasileiros nem sobre a suposta embarcação que os levaria aos EUA.
Autoridades dos três países investigam as hipóteses de naufrágio ou de que os migrantes estejam escondidos nas Bahamas, aguardando o melhor momento para se deslocar.
Se confirmada, a tentativa de travessia pelas Bahamas reforça uma tendência que vem ganhando força entre imigrantes brasileiros nos últimos anos, à medida que o grupo busca alternativas à tradicional rota pelo México.
O Ministério de Relações Exteriores diz que 14 brasileiros estão hoje detidos em Pompano Beach, na Flórida, por terem tentado chegar aos EUA a partir das Bahamas.
O país caribenho fica a 290 km da costa americana e não exige vistos de turistas brasileiros. Em geral, os migrantes viajam ao país de avião e, de lá, tentam chegar aos EUA em pequenas embarcações ou até em navios de cruzeiro.
Em julho de 2015, a BBC Brasil publicou uma reportagem sobre a alta no número de brasileiros barrados nas Bahamas ao tentar chegar à Flórida sem os documentos adequados.
O número de detidos nos primeiros sete meses daquele ano (90) já ultrapassava o total de detenções em 2015 (80), segundo dados passados pelas Bahamas ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro.
Em nova consulta feita nesta semana, o ministério divulgou um número menor de detenções de brasileiros nas Bahamas em 2015 (56), mas, questionado sobre a diferença, não explicou o porquê.
A pasta disse ainda que os "dados de 2016 estão em processo de consolidação, mas há tendência de estabilidade em relação a 2015".

Rota mais tranquila

Há 18 anos trabalhando como editora-executiva do Gazeta Brazilian News, um dos maiores jornais da comunidade brasileira na Flórida, Fernanda Cirino diz que a rota é usada há muitos anos, mas se tornou mais popular entre migrantes brasileiros a partir de 2015.
Ela afirma que, em geral, a travessia é realizada por pessoas que não conseguem obter um visto para viajar aos Estados Unidos ou nem chegam a solicitá-lo, acreditando que terão o pedido negado.
Muitos já têm parentes no país e vendem um carro ou uma casa para pagar a viagem.
Segundo Cirino, a rota pelas Bahamas é mais cara que a travessia pelo México. Uma reportagem no site G1 cita uma gravação com um dos desaparecidos em que ele diz que pagaria R$ 50 mil para chegar à Flórida de barco.
Cirino afirma que a rota tem fama de ser relativamente tranquila e segura entre os imigrantes, e que há até relatos de brasileiros que completam o trajeto em jet-skis.
A jornalista afirma que o controle migratório nas Bahamas é tido como "fraquíssimo": segundo ela, passageiros que chegam ou saem do país de barco devem comparecer a um quiosque para carimbar os documentos, mas muitos deixam de fazê-lo.
De acordo com Cirino, muitos migrantes se deslocam até praias da Flórida protegidas por parques, descem e vão caminhando até carros que os aguardam. Em alguns casos, diz ela, os migrantes mergulham e chegam à praia como se fossem banhistas.
A vigilância na Flórida é mais rigorosa, diz ela, mas ainda assim a Guarda Costeira não consegue barrar todas as embarcações irregulares. Quase todos os dias aportam na Flórida barcos com migrantes vindos de Cuba, Haiti e outros países caribenhos.
"Com a eleição do (Donald) Trump, as pessoas se desesperaram achando que vai ficar mais difícil entrar e estão se adiantando", afirma.
Nos últimos anos, a polícia americana prendeu alguns brasileiros na Flórida acusados de integrar quadrilhas que transportavam migrantes a partir das Bahamas.

Canadá e turismo

Segundo advogados migratórios, além das Bahamas, muitos migrantes brasileiros têm entrado nos EUA pelo Canadá.
Entre os migrantes, há a percepção de que conseguir um visto canadense é mais fácil do que um visto americano e de que a fronteira entre os dois países é menos policiada que a do México.
Advogados afirmam que hoje, no entanto, a maioria dos migrantes brasileiros que moram irregularmente nos EUA chegam ao país com vistos de turista, o que indicaria uma mudança no perfil do grupo.
Nos anos 1980 e 1990, quando houve a primeira grande onda de migração brasileira aos Estados Unidos, grande parte os migrantes tinha baixa qualificação profissional e, incapaz de obter vistos, chegava ao país atravessando a fronteira com o México.
Muitos eram provenientes da região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, especialmente a cidade de Governador Valadares.
Na última década, a viagem se tornou mais arriscada à medida que o México e os Estados Unidos ampliaram a vigilância na fronteira, levando muitos migrantes a traçar rotas mais longas e por áreas inóspitas e desérticas.
Tornaram-se comuns os casos de migrantes mortos por desidratação durante a travessia. No mesmo período, gangues mexicanas intensificaram as ações na área da fronteira e deixaram os migrantes vulneráveis a sequestros, extorsões e estupros.
A partir de 2015, advogados afirmam que se iniciou uma nova onda migratória aos EUA, composta por brasileiros de todas as regiões do país e com maior qualificação profissional.
Naquele ano, brasileiros foram a nona nacionalidade mais barrada por autoridades migratórias nos EUA, com 1.911 detenções. Em 2013, haviam sido a décima quarta, com 1.702.
Segundo o governo brasileiro, há hoje cerca de 1,2 milhão de brasileiros morando nos EUA.
Notícia publicada na BBC Brasil, em 27 de dezembro de 2016.

Humberto Souza de Arruda* comenta

Para um familiar ficar esperando a notícia de um ente querido, é uma situação muito desconfortável. Ainda mais quando se trata de meses de espera. Muitas pesquisas são feitas, gastos adquiridos com muitos telefonemas, viagens e tantos outros custos aparecem. Sem falar dos desgastes físicos, psicológicos e espirituais.
Muitos nesta situação fraquejam na fé e podem começar a questionar com indagações consideradas naturais como: “Por que este sofrimento na nossa família? Se o Itamaraty e o Governo americano não conseguem resolver esta situação, então estamos sozinhos sem ter a quem recorrer?”
Ainda que pertinentes estas indagações, os familiares precisam continuar tentando ser fortes e serenos. Só assim poderão ter possibilidades de novas ideias ou inspirações para ajudar na investigação. E desta forma podem ajudar com o envio de boas vibrações a estes irmãos que se perderam na escolha do “caminho”.
Analisemos o estado vibracional desta forma de entrada nos EUA. Inicialmente a pessoa precisa baixar o seu estado vibracional para se conectar com os agenciadores de viagens chamados de “coiotes”. Depois da aflição da viagem, que tem pouquíssima segurança, baixar mais a vibração para a recepção clandestina nos EUA. Em solo americano, manter esta sintonia não muito feliz para encontrar trabalhos e moradias que estejam fora das vistas dos Departamentos de Imigração.
Muitos conseguem passar por isso tudo. Voltar a elevar o padrão vibratório e se estabelecer como cidadão legal. Mas o risco de se perder neste caminho é muito grande. Se esta mesma pessoa fizer uma viagem de forma legal com todos os trâmites garantidos pelo Itamaraty e Governo americano, ainda pode ser que não tenha sucesso na nova nação, pois encontrará uma nação diferente da sua, com seus costumes próprios. Mas poderá pedir ajuda para voltar. Sendo que da forma clandestina, o retorno também é sofrido e em muitos casos chega a ficar impraticável.
Não somos frutos do meio em que vivemos. Sempre temos o livre-arbítrio. Podemos fazer as nossas escolhas. Só precisamos ter vontade. Vontade para fazer o que acreditamos que é certo e vontade para procurarmos constantemente aprender o que é certo. Mas Deus, na sua imensa bondade e justiça, nos ajuda a exercermos esta vontade, deixando uma prova do seu amor com a imortalidade da alma.
A cidade e a família que estamos foram cuidadosamente escolhidas para a nossa evolução, seja por provas ou expiações. Não acontece por sorte ou azar o nascimento de um indivíduo neste ou naquele País. Mas isso não quer dizer que não possamos mudar de local. Se com o tempo conseguirmos estabilidade cultural, moral e espiritual condizentes com o local a que desejamos ir, não há problemas. Pode-se continuar crescendo em qualquer lugar que se vá.
Mas se optarmos por fazer esta transição de local sem a devido aprendizado cultural e comunicativo do local, ou deixando a família sem amparo, ou levando cólera nos pensamentos, não há lugar que esta bagagem ajude na nossa evolução. Estaríamos levando nós como pior companhia na viagem.
Independente de qual estado cultural, moral e espiritual que estes dezenove filhos de Deus tiverem optados por levar nesta viagem, que estejam em paz ou a breve caminho deste estado de espírito. Julgar o motivo que levou estes irmãos a esta viagem não os trará de volta.
Que a família continue sempre firme no propósito de enviar bons pensamentos a eles. Estando encarnados ou não, que a nau do acolhimento incondicional guiada por nosso Amigo e Mestre Jesus seja enxergada por eles a qualquer distância e que subam o mais rápido possível para saírem da deriva.
* Humberto Souza de Arruda é evangelizador, voluntário em Área da Promoção Social Espírita (APSE) e colaborador do Espiritismo.net

Seminário “A Perspectiva Espiritual do Câncer Acolhendo o Paciente e Familiares” - BH/MH

Acontecerá no dia 20 de maio de 2017, de 14h às 18h na sede da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AMEMG), o Seminário “A Perspectiva Espiritual do Câncer Acolhendo o Paciente e Familiares”.
Na programação, oficinas teóricas e vivenciais e apresentação teatral realizada pelos pacientes do grupo. No momento do credenciamento, o participante receberá um exemplar do livro “Saúde, Trilha de Transformação”.
A sede da AMEMG fica na Rua Conselheiro Joaquim Caetano, 1160 – Nova Granada, Belo Horizonte/MG. Mais informações podem ser obtidas em www.amemg.com.br ou pelo telefone (31) 3332-5293.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Seminário em comemoração ao mês da Família em Sorocaba/SP. Tema: “A família nos dias de hoje”







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Será realizado no dia 29 de abril de 2017, de 14h às 17h no Centro Espírita Batuíra, um Seminário em comemoração ao mês da Família em Sorocaba/SP.
O palestrante Fábio Fadel falará sobre “A família nos dias de hoje” e a expositora Vania Mugnato trabalhará o tema “O lar, os valores morais e os desafios do mundo”.
O Centro Espírita Batuíra fica na Rua Estácio de Sá, 193 – Vila Haro, São Bento/SP. Mais informações podem ser obtidas em www.batuira.com ou através do telefone (15) 3227-1068.