terça-feira, 22 de agosto de 2017

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CONFRATERNIZAÇÃO BRASILEIRA DE JUVENTUDES ESPÍRITAS – CONBRAJE - NORTE!

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A benção de uma família estruturada

Autor: 
Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Sejamos sinceros...Isso é fato. Quando somos adolescentes, a tendência é queremos dar um “chega prá lá” na nossa família. É o pai que achamos antiquado, a mãe que pensamos chata, o irmão mais velho que pega no nosso pé. Isso se acentua no contexto atual, onde o jovem sabe manusear melhor as parafernálias tecnológicas que permitem ao ser humano transitar pelo mundo, se sentindo mais “dono do mundo”.
Essa visão de auto-suficiência, típica dessa fase da nossa vida como encarnados, nos faz esquecer de valorizar a família que temos. Pois é, muitas vezes não percebemos a benção que é a família estruturada na qual convivemos. Lembramos apenas dos problemas! Problemas...Ah, a família, como qualquer agremiação humana, os tem a vontade. Mas, existem problemas maiores e menores, e existem alguns cruciais, desestruturantes, que convertem a família em um verdadeiro inferno sob a terra.
Quem convive com problemas de drogas na família, com os males financeiros e comportamentais da dependência química, sabe do que eu estou falando. Essas pessoas que vivem nessas famílias sonham diariamente com uma família estruturada, com um lar tranquilo.
Aqueles que passam pela provação do alcoolismo na família, com a rotina de violência familiar, escândalos e conflitos advindos desse quadro, também anseiam por uma família que tenha o seu pai em uma mesa de jantar e não plantado em uma mesa de bar toda a noite.
Os que tem o pai ausente, violento e com mulheres na rua, o que não dariam por uma família estruturada, abençoada pela rotina diária?
Por rebeldia juvenil, não valorizamos os pais dedicados e amorosos, ciosos de nossa formação e do nosso amadurecimento. É fato também que esse orgulho, esse "caminhar por si só" faz parte da formação de nossa personalidade, do processo de auto-afirmação típico da juventude. Mas não será possível se auto afirmar, sermos o que queremos ser, sem o bom exemplo de nossos familiares.
Eis o nosso grande desafio! Mediar liberdade e presença! Crescer, tomar nosso caminho, construir a nossa jornada e não abandonar a nossa família e seus valores. Esse desafio, certamente, é bem menos áspero do que enfrentar a juventude em famílias desestruturadas, açodadas pelo vício, com problemas viscerais, que somente espíritos amadurecidos conseguem sublimar e converter essa luta em espaço de crescimento.
Se fomos nesta encarnação agraciados com a benção de uma família estruturada, com pais amorosos, saibamos pesar na balança da vida a grande dádiva que isso representa. Nos permitamos esse amadurecimento, e veremos que nossos problemas são ínfimos e que não se equiparam aos quadros infelizes daqueles que anseiam, mais do que tudo, viver em um lar como o nosso.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Dent: A doença que, de tão rara, obriga uma mãe a buscar sozinha os recursos para a cura

Inma Gil Rosendo
BBC Mundo

"Mamãe, vão me picar hoje?". "Sim", responde Eva Giménez sem hesitar. "Hoje você será picado, Nacho."
"Mamãe, por que eu vou tanto ao hospital e as crianças da minha turma não?"
"É porque você tem a doença de Dent. Não sabe?"
"Ah, sim, claro, mamãe, por isso. Ok, ok."
Nacho mora na Espanha, tem 7 anos e sonha em ser jogador de futebol, mas está proibido de correr ou jogar bola, exceto por um curto período de tempo a cada duas ou três semanas. Tudo porque sofre de uma grave osteoporose.
"Nós vamos dois dias ao hospital e três dias à escola", explica Eva ao telefone à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC. Mas ressalta que "Nacho é o garoto mais feliz do mundo".
"Queríamos que Nacho vivesse suas limitações e sua doença com alegria, porque não é algo passageiro. É para a vida toda."
Seu filho é tratado por oito especialistas diferentes, entre cardiologistas, nefrologistas, ortopedista e endocrinologista. Ele foi internado seis vezes com risco de ataque cardíaco e redução drástica no nível de potássio. Todos os dias, toma sete remédios a cada oito horas.
Mas os medicamentos não podem curá-lo. Apenas repõem oralmente o que Nacho perde pela urina em grandes quantidades: cálcio, potássio e fósforo.

'Desespero e impotência'

Em 2012, após o diagnóstico de Nacho com Dent, Eva sentiu tanto "desespero e impotência" que decidiu levar a cabo uma luta pessoal contra a condição de seu filho.
E ela começou com o básico: fundar uma associação para levantar fundos para um projeto de pesquisa para encontrar uma cura, uma vez que, de acordo com Eva, "não há nenhum no mundo".
Dent é uma doença rara e hereditária que, na maioria dos casos, é causada por uma mutação genética no cromossomo X e afeta os rins. Apenas algumas centenas de pessoas sofrem desse problema em todo o mundo.
Foi assim que nasceu o Asdent, que agora tem 700 membros e tornou-se um ponto de referência para as famílias dos pacientes de Dent de outras partes do mundo que procuram informações na internet.
"Dão o diagnóstico da doença de Dent, mas não oferecem nenhum tipo de tratamento. Então, seus pais se desesperam. Eles entram na internet e me encontram", explica Eva. "Guardo o áudio de uma mãe argentina que me arrepia, (dizendo) 'você é a nossa esperança'."

Pernas tortas

O áudio era um pedido de ajuda de dois pais desesperados, Natalia e Esteban.
"Aqui na Argentina e, particularmente em Córdoba, ninguém sabia o que fazer com o Gabi ou como tratá-lo, fosse em hospitais públicos ou privados", diz Natalia à BBC. "Enviamos um e-mail para Asdent pela manhã e, à noite, nós já estávamos falando ao telefone com Eva."
Natalia levou o filho ao ortopedista quando ele tinha um ano e meio porque estava preocupada com suas pernas "muito tortas".
E assim ela começou uma saga por diferentes especialistas e hospitais, com exames de sangue intermináveis ​​e testes de urina que terminaram num diagnóstico de raquitismo hipofosfatêmico - um distúrbio causado pela deficiência da absorção intestinal de cálcio.
Mas esse não seria o fim de sua odisseia: duas semanas depois, após uma análise mais aprofundada, os médicos contaram aos pais que havia 80% de chance de Gabi ter uma tubulopatia rara chamada doença de Dent, que afeta principalmente os rins.
"Sabemos agora que o raquitismo é uma das consequências dessa doença", explica Natalia.
Como existem várias doenças renais chamadas "tubulopatias", Gabi precisou ser submetido a um estudo genético - não disponível na Argentina e no exterior - de US$ 6 mil para confirmar o diagnóstico de Dent.
A prioridade agora é que Gabi passe a ter cuidados paliativos o mais rápido possível, "para evitar que as coisas que não podem ser recuperadas, como a deformidade das pernas, não continuem se agravando".
"Por seu filho, você tira forças de onde quer que seja, mesmo sem tê-las", diz Natalia.
Passado quase um ano desde o diagnóstico inicial, "agora Gabi não está tomando nada, apenas a vitamina D e um leite especial porque tem desnutrição". Mas ele deve começar um tratamento em Buenos Aires, ainda neste mês.
Natalia também aguarda os resultados de outro teste genético que a Adent bancou para a irmã gêmea de Gabi, para averiguar se ela tem ou não a mutação genética do irmão.
Para a sorte de Natalia, do outro lado do Atlântico estava Eva, que já tinha passado por todo esse processo e tinha muitas respostas.

Ajuda

"Eu teria adorado que, no começo (do diagnóstico de Nacho) alguém do outro lado do mundo tivesse dito: 'Eva, venha por aqui, vai ser melhor. Você não vai ficar bem, mas vai se sentir melhor'. Então decidi fazer isso com todos os pacientes de Dent que encontro", conta a espanhola.
Quando conversou com a BBC, Eva tinha acabado de voltar da Argentina e do Equador, para onde viajou para atender Gabi e também Daniel, outro paciente com Dent, de 18 anos.
Há dois anos, o pai de Daniel bateu pessoalmente à porta da Asdent, em Barcelona, procurando ajuda para seu filho equatoriano, que tinha uma insuficiência renal em estágio avançado. Assim como Gabi, ele não seguia nenhum tratamento.
Em ambos os casos, Eva ajudou a organizar gratuitamente os estudos genéticos que eles precisavam e a fazer o necessário para retornar a seus países as com orientações médicas específicas sobre como tratar os efeitos da doença.
"Estou muito feliz em ver que, depois de tudo que eu passei, agora eu posso ajudar os outros."

'Fazer loucuras'

Nacho também passou por vários diagnósticos de doenças renais até os médicos concluírem, em 2012, que ele tinha Dent. Isso depois de um ano e meio.
"Naquela época, havia apenas 96 casos relatados em todo o mundo", diz Eva, e "os médicos nunca tinham tido pacientes como ele."
"E, a partir desse momento, eu comecei a fazer loucuras para levantar fundos e abrir um projeto de pesquisa."
Uma das maiores loucuras foi em 2014, quando participou de uma corrida de bicicleta pelo deserto do Saara: percorreu 600 km em seis dias.
"Passei dias inteiros pedalando pelo deserto durante mais de 10 horas por dia contra a doença de Dent."
Eva, a quem uma esclerose múltipla causou perda de força, diz que durante esses dias seu corpo foi exposto a um sofrimento extremo.
"O quanto eu chorei não está escrito. (Mas) isso me permitiu arrecadar 40 mil euros (R$ 147 mil)", diz ela em tom quase incrédulo.
"E foi com esses 40 mil que eu paguei meus ratinhos."

Pesquisas

Ela se refere a uma ninhada de cerca de dez ratos pelos quais ela ansiava havia dois anos, para as pesquisas de laboratório sobre medicamentos contra a doença de Dent.
Quem lidera as pesquisas são os médicos de Nacho: Felix Claverie-Martin, do Hospital Universitário Nossa Senhora da Candelária, em Tenerife, e Gemma Aviceta, do Hospital Vall d'Hebron, em Barcelona.
Juntos, eles estudam a parte genética e a parte clínica da doença desde 2014, quando Eva foi capaz de impulsionar um estudo do Instituto de Pesquisa do Hospital Vall d'Hebron com um orçamento inicial de 400 mil euros (R$ 1,4 milhão), que sua mãe se empenhou para arrecadar por conta própria por meio de campanhas.
Agora, uma nova fase de pesquisas exigirá 1,5 milhão de euros (R$ 5,5 milhões).
"E eu estou todos os dias à procura de recursos", diz Eva.

'Muito rentável'

"Mamãe, por que eu não tenho um xarope para me curar, como o Lucas da minha classe?", perguntou Nacho certa vez a Eva.
"É só isso que a mãe quer, Nacho. Conseguir um medicamento que você possa tomar para ficar bem, sem nenhum problema."
Eva deixa claro que se Dent fosse uma doença comum, já teria sido solucionada há tempos.
"O problema é que existem mais de 7 mil doenças raras com poucos pacientes, então é claro que não somos interessantes para um laboratório porque não é rentável criar uma droga para 400 pacientes. Mas, para mim, a vida do meu filho é muito rentável."
O esforço dessa mãe virou tema de documentário, El reto de Eva (O desafio de Eva, em tradução livre), em que ela narra sua busca por financiamento e também por dar uma vida feliz a Nacho e a suas duas outras filhas.
"Nunca deixei que a falta de dinheiro fosse um obstáculo para o meu filho seguir adiante", conclui Eva. "E se me pedem um milhão e meio (de euros), eu vou atrás. E se pedirem 6, eu vou buscar 6. E vou dedicar minha vida a isso."
Notícia publicada na BBC Brasil, em 18 de junho de 2017.

Glória Alves* comenta

Desespero ou amor profundo pelo filho?
O amor materno dá força, coragem e energia a essa mãe que também passa por uma doença incurável, a esclerose múltipla, e que tem diante de si um drama terrível, o diagnóstico de que seu filho é portador de uma doença rara, sem cura, a Doença de Dent, uma mutação genética no cromossomo X e que afeta os rins.
Ao saber da doença de Nacho, a senhora Eva Giménez decide lutar e buscar sozinha os recursos para a cura de seu filho, e conforme ela mesma diz, “fazer loucuras para levantar fundos e abrir um projeto de pesquisa” da Dent. Uma dessas loucuras, para quem tem esclerose múltipla, foi percorrer 600 km de bicicleta no deserto do Saara em seis dias, pedalando 10 horas por dia, conseguindo arrecadar, com essa “loucura”, 40 mil euros, cerca de 147 mil reais; imagino qual não foi o sofrimento físico dessa mulher.
Outra mãe, a senhora Natália, mostra que o amor materno é realmente especial, quando diz a à BBC que "por seu filho, você tira forças de onde quer que seja, mesmo sem tê-las”. Essa força Deus dá a mãe por amor ao filho no interesse da sua conservação.
Essas histórias me fazem relembrar uma linda passagem do livro “Missionários da Luz”, do Espírito André Luiz e psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 13, que trata da reencarnação, mais especificamente da reencarnação de Segismundo. André Luiz, maravilhado diante do momento significativo da entrega do reencarnante aos braços maternais de Rachel (mãe), emancipada do corpo físico, faz um relato emocionado:
“Foi então, ó divino mistério da Criação Infinita de Deus, que a vi apertar a “forma infantil” de Segismundo de encontro ao coração, mas tão fortemente, tão amorosamente, que me pareceu uma sacerdotisa do Poder da Divindade Suprema. Segismundo ligara-se a ela como a flor se une à haste. Então compreendi que, desde aquele momento, era alma de sua alma aquele que seria carne de sua carne”.
É nesse sentido que Eva sai desesperada em busca de ajuda para o ser mais precioso de sua vida, carne de sua carne, seu filho Nacho. Em nosso mundo, orbe de provas e expiações, “o amor que uma mãe dedica a seus filhos é considerado o maior amor que um ser possa ter por outro ser.”(1)
É através desse amor que Eva se dedica e realiza o belo trabalho na associação criada por ela, Asdent, para arrecadar fundos para pesquisa da doença de Dent. A Associação tem hoje cerca de 700 membros e tornou-se um ponto de referência para as famílias dos pacientes de outras partes do mundo que procuram informações na internet.
É com esse amor, dividindo o que já conseguiu angariar com as pesquisas dos médicos, que Eva abrange outros filhos, pessoas que ela não conhece, que não fazem parte de sua família, de seu círculo de amizades, mas que para ela as fronteiras do mundo não são limites para auxiliar a quem precisa.
Outros pais a procuram, em busca de ajuda e de acolhimento. Sem nenhum tipo de tratamento na Argentina, Natalia e seu esposo Esteban, pais de Gabi, “enviam um e-mail para Asdent pela manhã e, à noite, já estavam falando ao telefone com Eva, dizendo a ela: “você é a nossa esperança".
"Eu teria adorado que, no começo do diagnóstico de Nacho, alguém do outro lado do mundo tivesse dito: 'Eva, venha por aqui, vai ser melhor. Você não vai ficar bem, mas vai se sentir melhor'. Então decidi fazer isso com todos os pacientes de Dent que encontro", conta a espanhola.
A solidariedade que une pessoas com mesmos problemas, aflições e sofrimentos, traduzem esse sentimento em evolução em nossa Terra. Em torno de uma doença a solidariedade se desenvolve nos corações.
Solidariedade, empatia, fraternidade... Eva se envolve com outros pais, pessoas que passam pelo mesmo problema que ela enfrenta com seu filho; ela não se fechou egoisticamente, chorando a sua dor, pelo contrário, divide com outros o conhecimento que ela adquiriu em sua luta para ajudar seu filho. Ajudou a organizar gratuitamente os estudos genéticos de outros doentes que vinham de longe, de outros países, e que batiam à porta da Asdent necessitados de ajuda; fez o necessário para que todos retornassem a seus países com orientações médicas específicas sobre como tratar os efeitos da doença. "Estou muito feliz em ver que, depois de tudo que eu passei, agora eu posso ajudar os outros”, diz Eva.
Em seu desabafo à BBC, deixa claro que se Dent fosse uma doença comum já teria sido solucionada há muito tempo. Em nosso mundo de provas e expiações, o egoísmo, chaga da Humanidade, ainda impera em muitos corações. E quando o assunto é dinheiro, e muito dinheiro, o egoísmo fala bem mais alto, ficando difícil para alguns fabricantes de medicamentos pensar naqueles que não são rentáveis, pois suas doenças não dão lucros.
Do egoísmo deriva todo o mal, e quanto maior é o mal mais terrível ele se torna. Lidando com o mal e as dores causadas pelo egoísmo, o homem compreende a necessidade de extirpá-lo da face da Terra. “Quando os homens se tiverem despido do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, não se fazendo o mal e se ajudando reciprocamente pelo sentimento fraterno de solidariedade.”(2)
A fraternidade, na rigorosa acepção do termo, resume todos os deveres dos homens, uns para com os outros. Significa: devotamento, abnegação, tolerância, benevolência, indulgência.
Todas essas virtudes se resumem no amor, sentimento por excelência; o gérmen divino em nós, o sol das almas, transformará o egoísmo que ainda trazemos em nosso íntimo em fraternidade, unindo os seres em um único sentimento de benevolência mútua.
Dia virá em que os homens habitantes da Terra Regenerada estarão “libertos das paixões desordenadas de que ainda são escravos, isentos do orgulho que impõe silencio ao coração, da inveja que os torturam, do ódio que os sufocam. Em todas as frontes, ver-se-á escrita a palavra amor; perfeita equidade presidirá às relações sociais”. E nesse dia “todos reconhecerão Deus e tentarão caminhar para Ele, cumprindo-lhes as leis”.(3)

Bibliografia:

(1) “O Livro dos Espíritos” - Allan Kardec - pergunta 385;
(2) Idem (1) - pergunta 916;
(3) “O Evangelho segundo o Espiritismo” - Allan Kardec, Cap. III - Há muitas moradas, item 17- Mundos Regeneradores.
* Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk

REVISTA ESPIRITA - março 1864 - Instruções dos Espíritos (Jacquard e Vaucanson)

REVISTA ESPIRITA
JORNAL
DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS
7 a ANO NO. 3 MARÇO 1864

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS.
Jacquard e Vaucanson.
Nota. - Nosso colega, Sr. Leymarie, levado por uma força involuntária, tendo se levantado um destes dias mais cedo do que de hábito, sentiu-se involuntariamente solicitado a escrever, e obteve a dissertação espontânea seguinte:
Uma geração de operários amaldiçoou meu nome; tinham razão? estavam errados?
Ah! será o futuro que deverá responder.
Eu tinha uma idéia fixa, a de aperfeiçoar, e sobretudo de economizar, suprimindo algumas mãos; queria simplificar o serviço à moda Vaucanson, que pegava a criança em baixa idade para dela fazer esse pária singular, pálido, raquítico, de ar assustado, na linguagem burlesca, que formava uma população à parte de minha cidade natal.
Meu espírito estava em tensão contínua; adormecia para encontrar ao despertar um plano novo; em lugar de imagens e de sentimentos, meu pensamento era uma engrenagem, um cilindro, motores, polias, alavancas; em meus sonhos vi aparecer meu anjo guardião que punha em movimento todas as minhas aspirações, todas as obras das mãos do homem. Disse-se com razão: "Os mecânicos são os poetas da matéria;" as mais belas máquinas saíram todas feitas do cérebro de um operário; as noções mecânicas que não possui, as recria de novo; a paciência e a imaginação são seus únicos recursos. É verdade, é uma inspiração de bons Espíritos desprezada pelas academias ou sábios de profissão; mas não é menos verdadeiro que se Arquimedes e Vaucanson são os gênios da mecânica, os Virgílios, se quereis, não é senão essa paciência, unida a uma imaginação viva, que cria todas as descobertas das quais se a Humanidade se honra, e isto por quem? pelos monges, pelos fabricantes de louças, pelos cardadores de lã, pelos pastores, pelos marinheiros, um operário em seda, um ferreiro ignorante.
Humilde operário, eu não era um gênio, mas, como tantos outros, um predestinado chamado a simplificar um ofício que deslocava os membros abreviando a vida de milhares de crianças. Suprimi um suplício físico; tudo em servindo à indústria, servi o gênero humano.
É preciso admirar a Providência, que se serve de um pobre Jacquard para transformar um ofício que alimenta milhares, que digo eu, milhões de homens sobre a Terra; e é um inseto que o túmulo assalaria, que transforma e nutre os dois quintos do globo. Deus não é um mecânico maravilhoso? Ele criou o verme para a seda, esse engenhoso artista no qual fez encontrar o mais vasto problema de economia política. Que ensinamento para os orgulhosos e os indiferentes!
Questão de máquinas! questão terrível! Cada invenção arranca a ferramenta e o pão à populações inteiras; o inventor, portanto, é um inimigo de perto, um benfeitor à distância; decupla a força da arte e da indústria; multiplica o trabalho no futuro; merece muito da Humanidade, mas também não causa um mal presente? O primeiro inventor da máquina de fiar destruiu o recurso de muitas pessoas. Quem fiava a matéria bruta, senão a mãe de família, a pastora, as mulheres velhas? Tão mínimo que fosse o seu salário, pelo menos habilitava-as, fazia-as viver tão bem quanto mal.
Semelhantes aos inventores de verdades religiosas, políticas ou morais, os inventores de máquinas revolucionam a matéria; precursores do futuro, abrem violentamente seus caminhos através dos interesses, esmigalhando sob seus pés o passado; também são, à espera de sua recompensa distante, amaldiçoados por seus concidadãos.
Pobre Humanidade! tu és estúpida se te deténs, cruel se tu caminhas; deves, segundo Deus, não ficar estacionaria se não quiseres perpetuar o mal, mas para cumprir o bem, és revolucionária apesar de tudo.
E é por isso que, neste tempo de transição, Deus vos disse: Sede Espíritas; quer dizer, profundamente imbuídos de iniciativa moral e desinteressada; quer dizer prontos para todos os sacrifícios, a fim de que a vossa existência se cumpra.
Como o verme da seda, rastejei penosamente, sustentado pelos bons Espíritos; como ele, fiei minha prisão, dei tudo o que tinha; como ele, meus contemporâneos me desdenharam; mas também, como ele, o Espírito renasce de suas cinzas para viver verdadeiramente e admirar essa mecânica dos mundos, esse Deus de luz e de bondade que consentiu em ensinar à minha cidade natal esse Espírito de verdade que a vivifica e a consola.
JACQUARD.


Enviado por: "Jose Joel da Silva Junior"

Simpósio Espírita no Paraná - Tema central: "Reconciliação na cura da alma"

Será realizado no dia 2 de setembro de 2017, de 9h às 17h30 no Teatro SESC da Esquina, o Simpósio "Saúde, a perfeita harmonia da alma".
O tema central será "Reconciliação na cura da alma", que será trabalhado pelo médico e palestrante Andrei Moreira. O valor arrecadado será destinado ao Centro de Apoio a Pacientes Oncológicos Dr. Bezerra de Menezes.
O Teatro SESC da Esquina fica na Rua Visconde do Rio Branco, 969 - Centro, Curitiba/PR. Mais informações podem ser obtidas em www.capobezerrademenezes.org ou pelo telefone (41) 3304-2222.


Quando cerveja não é álcool: por que publicidade da bebida é liberada no Brasil e provoca polêmica

Fernando Duarte
Da BBC Brasil em Londres

Em dezembro do ano passado, um comercial de TV em que uma versão "surfista" de Papai Noel e seus elfos desembarcava no Rio de Janeiro e coletava bagagens com o logo de uma marca de cerveja brasileira (Itaipava) despertou polêmica e acusações de associação indevida com símbolos infanto-juvenis.
Julgada pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, organização não-governamental formada por publicitários e profissionais de outras áreas, a campanha foi considerada válida diante do argumento de que a caracterização do personagem se distanciava das representações tradicionais.
Porém, para uma corrente de especialistas em políticas de saúde pública, o debate sequer deveria ter ocorrido.
Seu argumento é de que o comercial, no mínimo, deveria ter sido veiculado em horários com menor probabilidade de atingir telespectadores mais jovens.
Mas aos olhos da legislação, a cerveja não é considerada uma bebida alcóolica no Brasil quando assunto é publicidade.

13 graus

A Lei 9.294, sancionada em 1996 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, estabelece restrições à propaganda de álcool - incluindo a determinações de "empurrar" comerciais de TV para o horário de 21h às 6h, por exemplo. Mas o parágrafo único da lei é claro em seu regime de exceção:
"Consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac".
Boa parte das cervejas disponíveis no mercado brasileiro sequer chega aos 5% - e as que têm mais do que isso em geral são artesanais ou importadas.
Com isso, ficam excluídas das restrições não apenas as cervejas como também as misturas de álcool com sucos de frutas e refrigerantes (vodca, por exemplo), conhecidas como "ice".
Mas é o "estado de exceção da cerveja" que recebe maiores críticas de especialistas em políticas públicas de saúde. Isso porque, de acordo com pesquisas, é a bebida alcóolica consumida por 60% dos brasileiros que ingerem álcool.
"Temos um problema grave com o consumo de álcool no Brasil", diz Maristela Monteiro, assessora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Mas a principal bebida consumida pelos brasileiros não sofre restrições publicitárias puramente por uma combinação de lobby da indústria e falta de vontade política, quando até a legislação de trânsito brasileira estabelece uma tolerância baixíssima com o álcool."
"Não se pode ter uma discussão séria sobre iniciativas pró-consumo moderado de álcool no Brasil sem abordar a questão publicitária, ao lado de uma política de maior taxação de produtos e de um controle de oferta", afirma a médica.
O mais recente estudo da OMS sobre o consumo de álcool no Brasil, publicado em 2014, detecta uma queda no consumo per capita de álcool entre os anos de 2003 e 2010 (9,8 para 8,7 litros).
A OMS coloca o Brasil no 53º lugar em um ranking de 191 países - liderado por nações do Leste Europeu, sendo Belarus e Moldova os dois primeiros colocados.
O volume consumido no Brasil está acima da média mundial de 6,5 litros per capita e mais do que dobrou desde 1985, quando o índice era menor do que quatro litros.
Já o último Levantamento Nacional de Álcool de Drogas da Universidade Federal de São Paulo, com base em pesquisas em 143 municípios de todo o país, também divulgado pela última vez em 2014, mostrou que quase quatro em cada 10 brasileiros bebem pelo menos cinco doses de bebida em uma mesma ocasião, em um intervalo de duas horas.
Houve aumento também na frequência de consumo - 53% dos brasileiros bebem pelo menos uma vez por semana, percentual que era de 42 em 2012.

'Vilão'

Porém, a estatística que mais chamou a atenção de especialistas como Monteiro foi o crescimento da população "apresentada mais cedo" ao álcool: mais de 50% dos brasileiros adultos em 2012 tinham experimentado álcool pela primeira entre 12 e 17 anos, um percentual que supera os que consumiram a partir dos 18 (42%).
Entre a faixa dos 12 aos 14 anos, o número de jovens consumindo álcool praticamente dobrou entre 2006 e 2012 (9% para 17%). E, de acordo, com a psicóloga Ilana Pinsky, do Centro Nacional de Estudos sobre Vício e Abusos de Substâncias, em Nova York, não há dúvidas sobre o papel de "vilão" exercido pela publicidade nesse fenômeno.
"O que a gente vê é um esforço para conquistar a atenção dos segmentos mais jovens da população através de mensagens que glamourizam, sexualizam e, sobretudo, tentam normalizar o consumo de álcool. E isso não ocorre apenas com anúncios. Vem também em patrocínios de festas universitárias e investimento em esportes", aponta Pinsky.
De acordo com números da Associação Brasileira da Indústria Cervejeira, a cadeia produtiva do setor movimenta no Brasil algo em torno de R$ 74 bilhões por ano. E uma das principais fabricantes do país, a Ambev, está entre as empresas que mais investem em publicidade em comparação com empresas de todos os setores- segundo levantamento do Ibope Media, a empresa gastou aproximadamente R$ 671,7 milhões apenas no primeiro semestre de 2016.
"A indústria é forte, então não é um choque imenso que tenha conseguido influenciar autoridades. O Brasil não deveria ter adotado um sistema baseado apenas na gradação alcóolica, mas sim na origem do produto", critica o advogado e ex-ministro da Saúde da França, Claude Evin.
Ele empresta o sobrenome à lei que, desde 1991, regula e limita a publicidade de álcool na França de forma rigorosa - seja qual fora a bebida, basta ela ter pelo menos 1,2% de teor alcoólico.
A lei impede, por exemplo, o patrocínio de times de futebol e, em 1998, "pôs no banco" um dos principais patrocinadores da Copa do Mundo - a cerveja Budweiser. Impõe ainda restrições de horário, local e conteúdo.

Autorregulamentação

A Lei Evin é frequentemente citada por estudiosos de saúde pública como um exemplo de política de combate ao alcoolismo, mas seus críticos, incluindo grupos de pressão da indústria de bebidas, apontam para estatísticas que dizem que a lei reduziu pouco o consumo desde sua implementação - e que o consumo entre jovens aumentou desde então.
"Temos que ser realistas, a regulamentação publicitária não é suficiente para evitar o consumo exagerado de álcool e nunca foi minha intenção que fosse", afirma Evin em entrevista à BBC Brasil. "O que não podemos é viver uma situação em que as autoridades de saúde passam uma mensagem de moderação ao mesmo tempo em que a indústria acena com uma publicidade cujo conteúdo instiga e incentiva o público."
No Brasil, a regulamentação é feita pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que tem poder de veto sobre a publicidade que viole o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Um sistema que, de acordo com as próprias estatísticas da organização, desde 1997 suspendeu 1589 de 6255 peças publicitárias alvos de queixas das autoridades ou do público.
Para as empresas, as estatísticas são um exemplo de bloqueio de abusos.
"O sistema de autorregulamentação funciona. O Conar pune infrações e seu código protege menores de 18 anos (da publicidade)", diz a gerente de sustentabilidade da Ambev, Mariana Pimenta.
Pimenta rechaça o argumento de que a cerveja tem tratamento preferencial.
"Não achamos que a cerveja tenha favorecimento, mas, sim, que existem diferenças entre as bebidas, algo reconhecido até pela Organização Mundial de Saúde no que diz respeito à força delas. O mais importante é as pessoas saberem que não interessa à empresa o lucro do consumo indevido de álcool. Todos nós temos famílias e amigos e queremos o bem deles."
Pimenta menciona ainda o engajamento da empresa em diversas ações de promoção do consumo responsável desde 2010, incluindo programas educacionais voltados especificamente para o público jovem - e iniciativas contra dirigir embriagado. Segundo ela, medições de campanhas feitas em comunidades na periferia de São Paulo mostraram participantes consumindo menos álcool.
"A empresa tem metas grandes para trabalhar o consumo responsável em termos mundiais: queremos que produtos fermentados sem álcool ou com teor de menos de 3,5% respondam por pelo menos 20% do volume de vendas até 2025. E estamos tão comprometidos com a meta da OMS para que o consumo nocivo de bebidas alcóolicas (no Brasil) por gente de todas as idades seja reduzido em 10% até 2025, que acreditamos que o Brasil poderá cumpri-la já em 2020".

Assinaturas

Coordenador de uma campanha para arrecadar assinaturas pedindo mudanças na lei, o médico e deputado estadual Antônio Jorge (PPS-MG) expressa ceticismo diante das iniciativas institucionais.
"Assim, como na questão da autorregulamentação publicitária, estamos diante de uma situação do tipo 'raposa tomando conta do galinheiro'. Tanto que o consumo de cerveja vem crescendo no Brasil muito mais que o de outras bebidas. É muito cômodo para as cervejarias o fato de não haver restrições mais sérias à propaganda", diz ele.
A campanha Cerveja Também É Álcool quer coletar pelo menos 1,5 milhão de assinaturas para que um projeto de lei alterando a Lei 9294 seja apresentado no Congresso Nacional.
"Ninguém aqui está querendo proibir as pessoas de consumir álcool - eu mesmo sou consumidor. Mas o controle de mensagens publicitárias que estão induzindo os jovens a beber ou cedo demais ou em quantidades perigosas, é uma questão de saúde pública", completa o político.
Defensores de uma mudança na legislação apontam para os resultados de campanhas contra o tabagismo. Alvo de restrições promocionais rigorosas, bem como de taxações e campanhas educacionais, o cigarro perdeu um espaço significativo no Brasil: o número de fumantes caiu de 29% para 19% entre homens e de 19% para 8% entre as mulheres entre 1990 e 2015, de acordo com um estudo internacional divulgado no início de abril.
Procurado pela BBC, o Ministério da Saúde respondeu através do coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro Júnior. Por e-mail, o coordenador-geral se recusou a comentar especificamente a questão publicitária.
"Ações dessa ordem (taxação-publicidade-oferta) estão vinculadas à legislação vigente. Os efeitos das medidas legislativas estão relativizados por sua coerência no contexto cultural, bem como pelo fortalecimento de outras práticas que atuem sobre, qualidade de vida e das relações humanas interpessoais, grupais e institucionais."
Notícia publicada na BBC Brasil, em 19 de junho de 2017.

Jorge Hessen* comenta

Como lemos na reportagem, a Lei Federal 9.294, de 1996, estabelece “restrições” à propaganda de álcool, todavia, o parágrafo único da lei é obscena, notemos: "Consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac". Logicamente, ficam excluídas das “proibições” as cervejinhas televisivas. Eis aí a vitória da indústria etílica com direito a “palma de ouro”.
Em verdade, mais da metade dos brasileiros afunda-se moralmente na farra dos metafóricos “treze graus Gay Lussac” de teor alcoólico. Portanto, como obra prima das “trevas”, a cerveja, que em tese possui um teor alcoólico até o limite de treze graus Gay Lussac, por não sofrer restrições publicitárias no Brasil, é liberada para todos, trafegando, de tal modo, em altíssima velocidade na contramão da legislação de trânsito que estabelece uma tolerância baixíssima com o álcool. Nessa gerigonça vão os adolescentes se expondo hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. Além dos riscos à saúde, há os perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool.
Através das propagandas apelativas, hipnotizantes, que custam bilhões de dólares, intoxica-se a estrutura mental dos adolescentes mais tolos. Dessa forma, os jovens agem sem padrões definidos de comportamento racional, projetam-se em uma perspectiva cada vez mais próxima da derrocada em busca do entorpecimento da consciência e da razão, justificado pelo prazer alucinado no mundo das bebidas, situação, essa, que promove um mergulho no “nada” para as fugas espetaculares da realidade.
À maneira de um incêndio, que começa de uma fagulha e causa grande destruição, muitos adolescentes, a partir de um simples gole "inofensivo", precipitam-se nos escombros da miséria moral, transformando-se em uma pessoa vazia de ideais.
É assombrosa a lavagem cerebral através das mídias veiculando reiteradamente o convite para o consumo de cervejas, em razão disso, o volume consumido no Brasil está acima da média mundial. Pela televisão “o gênio das trevas” aconselha, após trinta segundos de propaganda, em tão-somente um milésimo de segundos, o famoso “beba com moderação”.
Ora, não se pode aceitar passivamente uma situação em que as autoridades de saúde passam uma mensagem de legalidade e possível “moderação” ao mesmo tempo em que a indústria acena com uma publicidade maldita e cara cujo conteúdo instiga e incentiva o consumo da cerveja de modo avassalante.
Para o espírita, o vício de beber tem implicações muito graves, especialmente em face das repetidas advertências dos Benfeitores Espirituais, elucidando sobre os danos que causam à mediunidade, por exemplo. O médium, contaminado pelos alcoólicos torna-se mira de obsessão dos indigentes alcoolistas do além. A obsessão, através da inofensiva cervejinha, é mais generalizada do que parece.
Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de "status", atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído. A Doutrina Espírita adverte sobre essa influência espiritual, oculta, ou seja, o meio espiritual que respiramos pode contribuir para o surgimento de um determinado vício. Não nos iludamos, o viciado em álcool quase sempre tem a seu lado obsessores extra físicos que o induzem à bebida, nele exercendo grande domínio e dele usufruindo as mesmas sensações etílicas.
Pais espíritas e, absolutamente, cônscios da responsabilidade que assumiram perante a família, não devem oferecer bebidas alcoólicas para seus filhos sob quaisquer pretextos. Ao contrário disso, devem envidar todos os esforços para afastá-los das festas regadas a álcool; essa, sim, é uma atitude sensata. Creio que haja suficiente razão para não estocarmos, em casa, as esplêndidas e suntuosas garrafas de bebidas alcoólicas, normalmente, conservadas em um “atraente” barzinho, pois, nelas, está acondicionado o tóxico fatal.
* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados