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terça-feira, 18 de junho de 2019
segunda-feira, 17 de junho de 2019
domingo, 16 de junho de 2019
‘Ser humano é o que te torna herói’, diz criança em carta para o irmão com síndrome rara, na PB
Paulo Fernando, de 11 anos, foi premiado em concurso de cartas dos Correios com carta feita para o herói dele, o irmão Pedro, de 4 anos, curado da Síndrome de West em maio deste ano.
Por Érica Ribeiro*, G1 PB — Campina Grande
O paraibano Paulo Fernando Neto, de 11 anos, é admirador dos heróis de histórias em quadrinhos. No entanto, existe um herói que acompanha de perto, dentro de casa. Sem poderes, mas capaz de grandes feitos, Pedro, de 4 anos, curado da rara Síndrome de West há pouco menos de um mês, é o herói favorito do irmão mais velho.
“Vejo em você, irmão, a força da fé de todas as religiões unidas, e as histórias de quem, mesmo doente, não fugiu da luta. Ser humano é o que te torna herói”, afirma Paulo, na carta.
A revelação da trajetória do "mocinho" dessa história foi escrita em uma carta de quatro parágrafos, que levou o estudante de uma escola de Campina Grande a ser premiado em 2º lugar na etapa estadual do 48º Concurso Internacional de Redação de Cartas, realizado pelos Correios.
A inspiração do jovem escritor veio ao acompanhar a batalha travada pelo irmão mais novo, Pedro, que ele viu nascer e crescer. O menino foi diagnosticado, aos oito meses, com esta forma rara de epilepsia, que leva à desaceleração no desenvolvimento psicomotor da criança e causa "espasmos".
“Você não tem a fama do Batman ou do Homem-Aranha, nunca apareceu nos quadrinhos. Seu esconderijo é no coração de nossa família e no seu sorriso simples”, diz trecho da carta feita por Paulo, para o irmão, Pedro.
A edição deste ano do Concurso Internacional de Redação de Cartas pediu para que os participantes escrevessem algo para o herói deles. Paulo conta que, para escrever a carta, pensou em muitos heróis, mas depois percebeu que a história do irmão era a mais importante.
“Eu gosto de histórias em quadrinhos, mas eu também gosto de livros que contam histórias reais, sabe, como biografias, e pra mim herói é alguém que faz ou fez grandes feitos, então meu irmão é um herói, porque ele é tão novinho e já conseguiu superar tanta coisa”, explica.
Um herói em casa
O herói de Paulo sempre esteve dentro de casa. Dividindo o quarto. Compartilhando segredos. Como relata na carta, foi aos oito meses de vida que veio o diagnóstico do irmão: Síndrome de West, uma forma de epilepsia. Pedro, que ficava eufórico todas as vezes em que via o irmão, foi deixando de sorrir e precisava agora iniciar um tratamento.
“Pedro nasceu normal, saudável e, então, por volta dos oito meses, a gente descobriu a síndrome, porque ele passou a ter convulsões. Até então, ele sorria muito, principalmente quando via o irmão, Paulo, aí eu fui percebendo que tinha algo estranho. Levei pro pediatra, depois pra um neurologista, e então constatamos”, lembra a mãe, Marília Ramos.
“Apenas sete anos separam o início da nossa existência, mas eu acompanhei de perto o nascimento do meu herói. Pude acompanhar a melhora da sua saúde, ver seus primeiros passos e suas tentativas de balbuciar o meu nome”, escreveu o estudante para o irmão.
A maior vitória de todas
Paulo revela que fez a carta pensando em guardar e ler para o irmão no futuro. Ele lembra a primeira vez que seu herói, hoje aos 4 anos, aprendeu a falar. “Depois de descobrir a síndrome, ninguém acreditava que ele ia aprender a falar e, quando ele conseguiu falar pela primeira vez, eu lembro que foi no dia das mães, do ano passado, aí ele começou a dizer ‘mamãe’ e depois ele já tava dizendo meu nome também”.
O estudante escreveu a carta para o irmão no dia 28 de fevereiro de 2019, quando ainda tinha 10 anos. Hoje, com 11, ele recorda que as histórias de outros heróis citadas por ele na carta foram contadas por um primo, que foi quem o perguntou sobre qual herói ele iria escrever.
“Meu primo me contou sobre grandes heróis: homens que cruzaram os oceanos e descobriram novas terras, mulheres cuja força derrubou o machismo e líderes contra separação de todos os tipos. No entanto, Cristóvão Colombo, Joana d’Arc e Martin Luther King não conquistaram a maior vitória de todas. Nenhuma dessas pessoas conseguiu unir a nossa família como você, e serei eternamente grato por isso”, escreveu Paulo na carta.
“O Fábio, meu primo, pediu pra que eu lembrasse de algum herói para fazer a carta e eu ainda pensei em vários, mas depois cheguei à conclusão que eu precisava escrever sobre o meu herói de verdade, o meu irmão Pedro, porque heróis são aqueles que fazem grandes feitos, e ele fez”, comenta.
“As pessoas não presenciaram você, meu herói, crescer de perto, nem as guerras que precisou vencer na sua infância inacabada, mas as suas histórias são dignas do infinito”, diz Paulo na carta para o irmão.
Descoberta do 'inimigo' e luta pela vida
Ao descobrir que Pedro era portador da Síndrome de West, a mãe, Marília, conta que levou o filho para Recife (PE), em busca de um tratamento mais eficiente. “Aqui [em Campina Grande], mesmo depois de descobrir a síndrome, eu não consegui uma boa assistência médica pro meu filho. Então, após o diagnóstico, eu procurei um especialista e, apesar de todos falarem que não tinha jeito, eu fui pra Recife buscar um tratamento mais de perto”.
Marília relata que, após descobrir a síndrome, Pedro, o herói de Paulo, passou dois meses seguidos tendo espasmos musculares. E, então, vieram as sessões de fisioterapia e a medicação diária, várias vezes ao dia. “Foram dias que torcemos pra não viver novamente, meu filho tão pequeno tendo que tomar tanto remédio, mas a gente sempre teve fé de que isso acabaria”, recorda.
Para a alegria da família, a cura da síndrome de Pedro aconteceu em maio deste ano. “O último remédio que ele tomou, desde que começou o tratamento aos oito meses de vida, foi no dia das mães deste ano. Foi um dos dias mais felizes das nossas vidas”, lembra a mãe, segurando as lágrimas.
Ainda conforme Marília, a cura da síndrome de Pedro só foi possível porque a descoberta aconteceu cedo. “Como o diagnóstico dele foi no início, mesmo o tratamento durando tanto tempo, a cura veio. E hoje a gente aprendeu a dar mais valor às coisas simples da vida, sabe, então só temos que agradecer a Deus por tudo”, comemora.
Vencida a principal batalha, a vida em família voltou à normalidade. O encontro entre fã e herói voltou a ser barulhento e feliz. Em casa, na escola, nos corredores, na vida. Paulo lê livros de aventura e ação e Pedro está sempre ao lado, ouvindo as histórias. “Eu sou fã dele e ele é meu fã. E quando estou brincando com meus amigos, ele fica com ciúmes, mas eu sempre tento dar atenção a ele também”, conta Paulo.
“Quando eu li a carta que o Paulo fez pro Pedro eu me emocionei muito, porque é tão simples e ao mesmo tempo tão real, sabe, tão verdadeiro, é tudo que a gente viveu até aqui”, diz a mãe.
Carta em concurso dos Correios
Para o Concurso Internacional de Redação de Cartas 2019, Paulo, que contou com a orientação da professora de português, Flávia Brito, precisou passar primeiro por uma etapa escolar, em que o concurso foi realizado entre os alunos de Escola Virgem de Lourdes. O estudante ficou em 1º lugar, o que o levou para a etapa estadual da competição.
Paulo Fernando foi o único estudante de Campina Grande premiado na edição 2019 do concurso, promovido anualmente pela União Postal Universal (UPU), com o objetivo de incentivar a criatividade e melhorar os conhecimentos linguísticos.
O estudante revela que, hoje, a família e os amigos pedem a cópia da carta com a assinatura dele. “Eu ainda não sei o que quero ser quando crescer, mas eu penso em escrever outras cartas e vou guardar essa que fiz pra ler pro meu irmão no futuro”, conclui.
Síndrome de West
Conforme a neuropediatra Larissa Coutinho, médica em uma clínica particular de Campina Grande, a síndrome de West é uma forma de epilepsia infantil caracterizada por uma série de espasmos. Ela leva, geralmente, a uma desaceleração no desenvolvimento psicomotor da criança.
“É uma síndrome eletroclínica que acontece em bebês de três a seis meses, que causa na criança uma alteração de eletroencefalograma, associada a um tipo específico de crise, que são chamados de espasmos”, explica.
A médica explica que a Síndrome de West normalmente está auxiliada a outra doença. “Às vezes, mesmo sem tratamento, ela pode desaparecer. Mas, em alguns casos, se não for tratada, ela pode evoluir pra uma síndrome de Lennox-Gastaut, por exemplo, que é a mais grave, ou pra outros tipos de epilepsia, então depende muito de um atendimento precoce”.
Tratamento e cura para Síndrome de West
Conforme a médica, a síndrome é uma emergência neurológica. “O tratamento é medicamentoso, o mais preconizado é um tratamento com corticoide em altas doses ou um hormônio chamado ACTH, que age tratando essas crises e medicações antiepiléticas, mas isso varia de caso em caso”, frisa.
“Esse tipo de crise é tão sutil e discreta, que a criança normalmente não apresenta a crise epilética conhecida por todo mundo e aí a família acha que pode ser cólica, infecção intestinal, de urina, porque a crise é curta, tem casos que dura até um ou dois segundos, então é bem difícil de perceber”, destaca Larissa Coutinho.
As causas da síndrome podem ser variadas e influenciam na gravidade da doença. “Podem ser inúmeras causas, as mais comuns são escleroses tuberosas, malformações cerebrais, alterações genética e hipóxia neonatal”, salienta.
Em crianças de 3 a 6 meses, o ideal é se procurar um neurologista pediátrico. “É importante, em quadros de atrasos de desenvolvimento, procurar um neurologista para investigar a causa desse atraso e poder avaliar se é de fato a Síndrome de West”, conclui.
*Sob supervisão de Taiguara Rangel
Leia a carta na íntegra
Xangai, 28 de fevereiro de 2019.
Querido irmão,
Gostaria de usar todas as saudações possíveis nesta carta, mas, infelizmente, você não entenderia. Nem sequer fala. Na verdade, irmão, você nos faz estar longe de todos os padrões em que poderíamos viver, e, mesmo assim, permaneço feliz ao teu lado. O tempo nunca foi limite para o nosso amor… Você não tem a forma do Batman ou do Homem-Aranha, nunca apareceu nos quadrinhos. Seu esconderijo é no coração de nossa família e no seu sorriso simples. Você também tem o coração enorme, irmão, esse é o motivo para ser meu herói.”
Meu primo me contou sobre grandes heróis: homens que cruzaram os oceanos e descobriram novas terras, mulheres cuja força derrubou o machismo e líderes contra separação de todos os tipos. No entanto, Cristóvão Colombo, Joana d’Arc e Martin Luther King não conquistaram a maior vitória de todas. Nenhuma dessas pessoas conseguiu unir a nossa família como você, e serei eternamente grato por isso. Embora você ainda seja jovem, sua batalha pela vida começou aos oito meses. Foi nesse período que seu corpo tremia e eu tinha medo, mas eu engolia o choro para não assustar ninguém. A médica deu o diagnóstico: Síndrome de West. Até hoje não sei muito sobre a doença, o que sei é da luta diária dos meus pais para pagarem os remédios necessários no seu passado, presente e futuro. Os esforços do pequeno guerreiro nunca se esgotaram!
Apenas sete anos separam o início da nossa existência, mas eu acompanhei de perto o nascimento do meu herói. Pude acompanhar a melhora da sua saúde, ver seus primeiros passos e suas tentativas de balbuciar o meu nome. As pessoas não presenciaram você, meu herói, crescer de perto, nem as guerras que precisou vencer na sua infância inacabada, mas as suas histórias são dignas do infinito. Reconheço que o mundo não está perdido. Anne Frank sempre acreditou na bondade humana e eu creio na ternura de todo ser vivo. Assim como nela, vejo em você, irmão, a força da fé de todas as religiões unidas, e as histórias de quem, mesmo doente, não fugiu da luta. Ser humano é o que te torna herói.
Eu poderia escrever milhões de páginas para contar a todos sobre os feitos de outras pessoas lembradas pela história, mas nada equivale ao futuro, pois é nele que você e o amor estão. Escrevo essa carta pensando no amanhã, e na cura do meu herói. Aqui guardo uma parte de mim e todo o carinho de um garoto que salvará ainda mais pessoas, e fará o mundo sorrir. Acredite nos seus sonhos, como acredito em você.
Com afeto,
O fã de um grande herói,
Yeshua.
Notícia publicada no Portal G1, em 2 de junho de 2019.
Glória Alves** comenta
Começo nosso comentário com as palavras de Paulo, um menino de 11 anos que comoveu o estado da Paraíba e todos nós que lemos a sua carta: “pra mim herói é alguém que faz ou fez grandes feitos”.
Como o tema da Redação de Cartas tratava de heróis, Paulo deveria escrever algo para o seu herói favorito. Ora, na concepção dele um herói é aquela pessoa que faz ou fez grandes feitos relatados na história da Humanidade, entretanto, ele tem um herói dentro de sua casa, seu irmão.
Escrever sobre o seu herói de verdade, seu irmão de 4 anos, que na época lutava contra uma síndrome rara, a Síndrome de West. O entendimento de Paulo é uma visão ampliada da vida, das lutas que todos nós travamos no dia a dia. Paulo, tão jovem, uma criança, em sua simplicidade, conseguiu perceber as nuances, as sutilezas das dores que acabrunhavam seu irmão, e descobriu que no sofrimento também há uma luta pela sobrevivência: “meu irmão é um herói, porque ele é tão novinho e já conseguiu superar tanta coisa”.
A superação pelo amor. Ah! A força do amor, essa energia poderosa e que não temos a capacidade de medir sua grandeza, é de essência divina, é força criadora que “levanta as energias alquebradas, e torna-se essencial para a preservação da vida”.(1) Envolvidos numa atmosfera de amor, a família de Paulo alimenta-se, envolve-se, contagiando-se, e dessa forma aprendem a lidar com as dificuldades da enfermidade do filho mais novo vencendo e superando os próprios limites pela força insuperável do amor.
O que vale nessa bela história não é julgarmos as causas atuais ou anteriores dos sofrimentos de Pedro e da família, mas, sobretudo, aprendermos ou reaprendermos que a família é a base fundamental da fraternidade universal, é nela que vamos passo a passo nos desfazendo do egoísmo e do orgulho que nos distancia uns dos outros, porque há de chegar um dia em que todos na Terra estaremos vivendo o vero amor, a energia divina que está em nós, destacando-se do Foco Central a irradiar-se e alcançando cada coração; unindo-nos num só sentimento de fraternidade e amor, estaremos diante da família universal.
Essa história, como muitas outras que já ouvimos e que continuaremos a escutar ou ler, hoje nos chega através de uma criança, aliás duas, pois uma é a ação e a outra superação; ensina-nos ou reaviva em nossa mente que todos possuímos em gérmen a centelha desse fogo sagrado, o amor, a essência divina.
Refletindo sobre essa história, me pergunto quem é o meu herói. Quem são os nossos heróis? Quem elegemos como modelo a seguir, visto que muitos de nós se espelham em homens e mulheres das mídias sociais, jovens que copiam modelos em que inspiram sua vida e seu modo de ser. Atitudes equivocadas, muitas vezes, que escolhidas como grandes verdades e que no final das contas terminam como decepções ou em situações dolorosas para eles mesmos e a família. Aparentam felicidade quando na realidade esses heróis são frágeis seres humanos que só de aparência vivem.
Paulo, que na época da doença de Pedro tinha 10 anos de idade, se inspirou no irmão de 4 anos, e viu nele a força e a coragem, um guerreiro que valia e vale a pena seguir e imitar. Diz ele: “vejo em você, irmão, a força da fé de todas as religiões unidas, e as histórias de quem, mesmo doente, não fugiu da luta. Ser humano é o que te torna herói”, afirma Paulo, em sua carta.
A força da fé de todas as religiões unidas. Paulo tem a clarividência de quem tem a compreensão dos ensinamentos que o Guia e Modelo da Humanidade terrestre, Jesus, nos deixou quando nos exorta a amarmo-nos uns aos outros conforme Ele nos ama. “Todas as expressões religiosas nascidas do Cristianismo se identificam pela seiva de amor do tronco que as congrega, apesar dos erros humanos de seus expositores.”(2) “A religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios.”(3)
Concluo com as palavras do Espírito Emmanuel: “No dia em que a evolução dispensar o concurso de religiosos para a solução dos grandes problemas educativos da alma do homem, a Humanidade inteira estará integrada na religião, que é a própria verdade, encontrando-se unida a Deus, pela Fé e pela Ciência então irmanadas.”(4)
“Ele não é um peso, ele é meu irmão. O bem-estar dele é a minha preocupação. Ele não é nenhum fardo para aguentar.” Essa é a letra de uma canção antiga, dizem que foi inspirada em uma história real, e que o grupo The Hollies imortalizou. Assim como essa música inspirou muitas pessoas a praticar o bem, que essa história de Pedro e Paulo nos inspire a nos olharmos com os olhos do coração.
Referências bibliográficas:
(1) “Momentos Enriquecedores” - Espírito Joanna de Ângelis - Divaldo Franco - O Poder do amor;
(2) “O Consolador” - Espírito Emmanuel - Chico Xavier - Q. 294;
(3) “Emmanuel” - Espírito Emmanuel - Chico Xavier - 1ª Parte - Religião e Religiões;
(4) “Emmanuel” - Espírito Emmanuel - Chico Xavier - 1ª Parte - Experiência que Fracassaria.
** Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk
domingo, 5 de maio de 2019
O amor de mãe é uma conquista espiritual
Waldehir Bezerra de Almeida
waldehir.almeida@gmail.com
waldehir.almeida@gmail.com
Será o amor materno um sentimento instintual, resultante de um determinismo biológico? O amor de mãe é influenciado pelo comportamento social, variando de acordo com a época e os costumes? Será ele uma conquista do Espírito em evolução? Por que há mães que não amam seus filhos? Sobre essas perguntas convidamos a leitora e o leitor para fazermos algumas reflexões. Estaremos em companhia de estudiosos encarnados e desencarnados, buscando melhor compreender esse sentimento decisivo na sustentação do nosso processo evolutivo, pois são as mães as criaturas a quem Deus confia a reencarnação dos Espíritos para uma nova experiência, na esperança de que retornem melhorados.
Allan Kardec, sensível e abrangente com relação aos sentimentos e emoções que predominam em nós, buscou saber dos Espíritos, na questão 890 de O livro dos espíritos, se o amor materno é uma virtude ou um sentimento instintivo, comum aos homens e aos animais, e a resposta foi ser “uma coisa e outra”. E acrescentaram que:
[…] A Natureza deu à mãe o amor pelos filhos no interesse da conservação deles. No animal, porém, esse amor
é limitado às necessidades materiais; cessa quando os cuidados se tornam inúteis. No homem, persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes. Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho além do túmulo. Bem vedes que há nele outra coisa a mais que no animal.¹ (Grifo nosso).
é limitado às necessidades materiais; cessa quando os cuidados se tornam inúteis. No homem, persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes. Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho além do túmulo. Bem vedes que há nele outra coisa a mais que no animal.¹ (Grifo nosso).
Conclui-se, portanto, que o amor de uma mulher pelo seu filho é uma virtude e não um instinto, pura e simplesmente, pois:
O amor é uma conquista do espírito maduro, psicologicamente equilibrado; usina de forças para manter os equipamentos emocionais em funcionamento harmônico. É uma forma de negação de si mesmo em autodoação plenificadora.
Não se escora em suspeitas, nem exigências infantis; elimina o ciúme e a ambição de posse, proporcionando inefável bem-estar ao ser amado que, descomprometido com o dever de retribuição, também ama. Quando, por acaso, não correspondido, não se magoa nem se irrita, compreendendo que, o seu, é o objetivo de doar-se, e não de exigir. Permite a liberdade ao outro, que a si mesmo se faculta, sem carga de ansiedade ou de compulsão.²
Diante dessas informações, em que temos as características do amor maternal, podemos inferir que o exercício do amor materno é resultante de uma conquista e não de instinto, e é por essa razão que muitas mães não amam seus filhos como seria de esperar.
Ainda prevalece entre nós a crença de que as mães executam os procedimentos de maternagem e dedicam atenção e carinho aos seus filhos obedecendo ao chamado instinto maternal. Ora, sabemos que nem todas as mães manifestam um envolvimento automático e total com seus bebês, imediatamente após o parto. O que se tem observado é que o amor maternal está ausente em algumas mulheres e, em outras, se desenvolve gradualmente, a partir da interação da mãe com seu rebento.
Sabendo que o instinto de uma determinada espécie animal está sempre presente em seus membros, para a execução de atividades específicas, e que eles não evoluem, pois agem sempre da mesma forma, é natural que busquemos outras razões para explicar a origem do amor materno na mulher, já que nem sempre está presente em todas elas, embora pertençam à mesma espécie.
Uma extensa pesquisa histórica, lúcida e desapaixonada feita por Badinter³ levou-a à conclusão de que o denominado instinto materno na mulher é um mito, pois não há uma conduta materna universal, tal como acontece com os animais. Descobriu que esse sentimento é extremamente influenciado pela época, local e cultura em que vive a mulher. Verificou que houve ao longo do tempo e do espaço uma evolução das atitudes maternas, e que o interesse e a dedicação à criança não existiram em todas as épocas nem em todos os meios sociais. O mais interessante e bem consonante com o ensinamento dos Espíritos é que a autora da obra chegou à conclusão de que o amor materno não é um de terminismo biológico, mas algo que se conquista. Afirma ela:
Ao se percorrer a história das atitudes maternas, nasce a convicção de que o instinto materno é um mito. Não encontramos nenhuma conduta universal e necessária da mãe. […] Esse sentimento pode existir ou não existir; ser e desaparecer. Mostrar-se forte ou frágil. Preferir um filho ou entregar-se a todos. Tudo depende da mãe, de sua história e da História. Não, não há uma lei universal nessa matéria, que escapa ao determinismo natural. O amor materno não é inerente às mulheres. É “adicional”.⁴
Comparemos com o que nos ensina a mentora Joanna de Ângelis:
[…] A maternidade humana é mais do que um fenômeno biológico, tratando-se de uma experiência iluminativa e libertadora para a consciência, que descobre a necessidade de superação do egoísmo, de desenvolvimento de valores morais mais expressivos, para que o amor se encarregue de dirimir dificuldades e estabelecer parâmetros de comportamentos sadios, sem os exageros do apego ou do ressentimento, ou da transferência de amarguras e frustrações para os filhos, que se lhe tornam vítimas sem defesa… […]⁵
E o ministro Clarêncio não alimenta dúvidas quanto à necessidade que tem o Espírito de conquistar e sentir o amor maternal, afiançando que este não é instintual, nem nasce na mulher pelo fato de ela se tornar genitora. “[…] Maternidade” – diz ele – “é sagrado serviço espiritual em que a alma se demora séculos, na maioria das vezes aperfeiçoando qualidades do sentimento”.⁶
Por que nem todas as mães amam os seus filhos como se espera?
Diante dessa realidade, Kardec, na questão 891 de O livro dos espíritos, indagou o porquê de mães que odeiam seus filhos, já desde a infância, se o amor é Lei Natural? A resposta foi:
“Algumas vezes, é uma prova escolhida pelo Espírito do filho, ou uma expiação, se ele mesmo foi mau pai, ou mãe perversa, ou mau filho, em outra existência. Em todos os casos, a mãe má não pode ser animada senão por um Espírito mau […]”.⁷
Diante da elucidativa resposta, não é de bom senso admitir que a mulher possui um instinto materno e que deverá, naturalmente, amar seu filho. A Doutrina Espírita tem informações elucidativas que nos fazem compreender, com indulgência, o porquê de existirem mães que amam seus filhos e as que não os amam. Tanto umas quanto outras, antes de vestirem o escafandro da carne, se propuseram a uma empreitada redentora, em que o ódio deveria ser substituído pelo amor, os prazeres egoicos dariam lugar à renúncia, e o sacrifício seria um prazer em prol do amor a ser conquistado, anulando os mecanismos cármicos entre elas e os filhos, levando-se em conta que
O amor não se instala de um para outro momento, tendo um curso a percorrer.
Apresenta os seus inícios na amizade que desperta interesse por outrem e se expande na ternura, em forma de gentileza para consigo mesmo e para com aquele a quem se direciona.⁸
Mães que não amam seus filhos sempre existiram em todos os tempos. A História informa que, no primeiro milênio do Império Romano, o enjeitamento de crianças, bem como sua venda era prática comum. Mercadores de escravos recolhiam os enjeitados nos santuários ou nos monturos públicos. A extrema pobreza impelia os miseráveis a venderem seus filhos a traficantes, que os compravam saídos recentemente do ventre da mãe.
Na Modernidade, Badinter relata que em:
1780: o tenente de polícia Lenoir constata, não sem amargura, que das 21 mil crianças que nascem anualmente em Paris, apenas mil são amamentadas pela mãe. Outras mil, privilegiadas, são amamentadas por amas de leite residentes. Todas as outras deixam o seio materno para serem criadas no domicílio mais ou menos distante de uma ama mercenária.⁹
O primeiro sinal de desamor da mãe pelo filho é negar-lhe o seio, onde o bebê encontra o alimento físico e psíquico de quanto necessita para o seu desenvolvimento natural. No Brasil Colônia, muitas mães entregavam os seus bebês às negras lactantes das senzalas para alimentá-los. Umas por não terem leite suficiente, outras por comodidade. Essas informações nos levam a admitir que o amor materno é defectível e sofre a influência das condições culturais, morais e materiais.
Com relação às mães que não amam seus rebentos, o Espírito Blandina lamentou:
[…] há mulheres cujo coração ainda se encontra em plena sombra. Mais fêmeas que mães, jazem obcecadas pela ideia do prazer e da posse e, despreocupando-se dos filhinhos, lhes favorecem a morte. O infanticídio inconsciente é largamente praticado no mundo […]¹⁰ (Grifo nosso).
Em nossa sociedade, a mãe que não ama seu filho é tida como uma megera, uma desnaturada. O fato se torna inexplicável para os que não admitem a reencarnação. A Doutrina Espírita, com sua lógica consonante com as Leis de Justiça e Amor divinos, explica satisfatoriamente e de forma caridosa o porquê de algumas mães não se comportarem como todos desejamos. Quando elas encontram dificuldades para amar seus filhos é porque tiveram com eles relações conflitivas em vidas passadas. Os sentimentos negativos, escapando do inconsciente profundo, dificultam-lhes a relação com o rebento e impedem-lhes, muitas vezes, a consecução da sua missão redentora. São elas, portanto, merecedoras de compreensão, devendo ser o seu comportamento analisado com indulgência.
O Espírito André Luiz relata-nos o caso de uma candidata à maternidade redentora e que pratica o aborto por ser o reencarnante um Espírito que ela odeia, protelando, assim, a oportunidade da reconciliação. Diante da tragédia que se consumava em meio a mútuo rancor, esclareceu o mentor Calderaro o que se passava:
[…] Os laços entre mãe e filho presuntivo são de amargura e de ódio, consubstanciando energias desequilibrantes; tais vínculos traduzem ocorrência em que o espírito feminino há que recolher-se ao santuário da renúncia e da esperança, se pretende a vitória. Para isso, para nivelar caminhos salvadores e aperfeiçoar sentimentos, o supremo Senhor criou o tépido e veludoso ninho do amor materno; contudo, quando a mulher se rebela, insensível às sublimes vibrações da inspiração divina, é difícil, senão impossível, executar o programa delineado. […]¹¹
Podemos concluir que ser mulher e ser mãe é uma condição circunstancial. Logo o amor materno não constitui um sentimento inerente à psicologia feminina, não é um determinismo biológico, portanto, não é instintual. Ser mulher e mãe é uma experiência que o Espírito aceita em nome do progresso.
Podemos concluir, após termos aprendido, que o amor de uma mãe pelo seu filho deve ser conquistado. Não surge somente pelo fato de ela ter abraçado a maternidade. É um amor conquistado à custa de muita renúncia. Em razão dessa verdade, é legítimo seja considerado o mais puro e verdadeiro amor que alguém possa dedicar a outrem.
REFERÊNCIAS:
¹ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos . Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.
² FRANCO, Divaldo P. O homem integral . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2. ed. Salvador: LEAL, 2000. Pt. 7, Relacionamento perturbadores , p. 114.
³ BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado : o mito do amor materno. Trad. Waltensir Dutra. 5. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1985.
¹ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos . Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.
² FRANCO, Divaldo P. O homem integral . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2. ed. Salvador: LEAL, 2000. Pt. 7, Relacionamento perturbadores , p. 114.
³ BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado : o mito do amor materno. Trad. Waltensir Dutra. 5. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1985.
⁴ ______. ______. Paraíso perdido ou reencontrado?
⁵ FRANCO, Divaldo P. O despertar do espírito . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 1. ed. Salvador: LEAL, 2000. Desafios afligentes , it. Desespero.
⁶ XAVIER, Francisco C. Entre a Terra e o céu . Pelo Espírito André Luiz. 27. ed. 8. imp. Brasília: FEB, 2018. cap. 28 – Retorno.
⁷ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos . Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.
⁸ FRANCO, Divaldo P. Amor, imbatível amor . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 1998. Pt. 13, cap. 62 – Amor que liberta.
⁹ BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado . Trad. Waltensir Dutra. 5. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1985. Prefácio.
¹⁰ XAVIER, Francisco C. Entre a Terra e o céu . Pelo Espírito André Luiz. 27. ed. 8. imp. Brasília: FEB, 2018. cap. 10 – Preciosa conversação.
¹¹ ______. No mundo maior . Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 5. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 10 – Dolorosa perda.
⁵ FRANCO, Divaldo P. O despertar do espírito . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 1. ed. Salvador: LEAL, 2000. Desafios afligentes , it. Desespero.
⁶ XAVIER, Francisco C. Entre a Terra e o céu . Pelo Espírito André Luiz. 27. ed. 8. imp. Brasília: FEB, 2018. cap. 28 – Retorno.
⁷ KARDEC, Allan. O livro dos espíritos . Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.
⁸ FRANCO, Divaldo P. Amor, imbatível amor . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 1998. Pt. 13, cap. 62 – Amor que liberta.
⁹ BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado . Trad. Waltensir Dutra. 5. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1985. Prefácio.
¹⁰ XAVIER, Francisco C. Entre a Terra e o céu . Pelo Espírito André Luiz. 27. ed. 8. imp. Brasília: FEB, 2018. cap. 10 – Preciosa conversação.
¹¹ ______. No mundo maior . Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 5. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 10 – Dolorosa perda.
sábado, 4 de maio de 2019
Antes de morrer, garota órfã deixa carta para única pessoa que a visitava
Jéssica Nascimento
Colaboração para o UOL
"Tia Gabriella, eu estou com muita dor e já quero ir morar com o papai do céu, por isso pedi para a tia Marta escrever essa carta na agenda da Branca de Neve que você me deu (...)"
Esse é um trecho de uma carta escrita por Júlia, 8. A menina órfã tinha leucemia e, antes de morrer na última quarta-feira (9), se despediu da voluntária Gabriella Pereira, 23, a única pessoa que a visitava em um hospital de São Paulo. Ela dedicou cinco folhas de papel cor-de-rosa da agenda para escrever a mensagem final.
Antes de adoecer, a menina morava em um abrigo para crianças em Carapicuíba. Foi lá onde ela e Gabriella se viram pela primeira vez. Desde então, a bancária conta que via a pequena pelo menos três vezes por semana.
"Ela era a melhor criança que alguém poderia conhecer, inocente e muito madura ao mesmo tempo. Carinhosa, tinha uma sede enorme de aprender tudo o que qualquer pessoa tivesse paciência para ensinar", diz Gabriella.
De acordo com a voluntária, a criança era a única do abrigo a não receber visitas de familiares. Gabriella preparou documentação e entrou com pedido para adotá-la.
"Sou muito nova e não sou casada, já tinha a consciência que não conseguiria. Mesmo assim tentei e tive apoio da minha família", explica.
"O que ela mais queria era ter uma mãe. Pena que não deu tempo", lamenta a voluntária que chegou a cortar os cabelos para que Júlia pudesse ter uma peruca, já que ficou careca durante o tratamento.
Repercussão
A bancária diz que soube da morte da criança por meio da ligação de uma enfermeira. Abalada, não conseguiu ler a carta. Foi a irmã dela que narrou o texto de Júlia.
"Chorei muito. Porém, seria egoísmo se eu reclamasse. Pedi a Deus para que a levasse e, assim, o sofrimento dela pudesse acabar", relata.
A carta foi publicada um dia após a morte de Júlia em uma rede social. A postagem já tem mais de 43 mil curtidas e 22 compartilhamentos.
Em um trecho do texto, a menina agradeceu Gabriella pelos presentes, pela companhia e por ser a melhor amiga dela. Também pediu que a jovem não ficasse triste com a partida, pois estava muito doente e com dor.
A bancária também fez um apelo nas redes sociais pedindo que os pais não abandonem os filhos.
"Vocês não fazem ideia do que é uma criança crescer sem ter um apoio fixo. Não tem quem ensinar a escrever, não tem quem ensinar a segurar o garfo nas refeições, não tem quem fazer um penteado no cabelo e nem passar o batom que ela tanto gostava. Mas enfim, agora a Júlia é uma estrela e uma das mais lindas e guerreiras que pode existir."
Leia a carta de Júlia na íntegra.
"Quero pedir obrigado por me conhecer por vir me ver e por me dar o video game que te pedi, eu sabia que era muito caro e para comprar o video game precisa vender uma casa, mesmo assim você me deu. Obrigada pela sandália de salto que me deu e por trazer aquele lanche que eu sempre vi na TV. Obrigada por vir me ver no meu aniversário e trazer o sorvete de morango.
Você é a minha melhor amiga e eu queria que você fosse a minha mãe, pedi para o papai do céu me fazer sarar, porque ai você ia arrumar os documentos e me adotar. Você disse que ia ser difícil, mas eu ia pedir para o juiz deixar você ser a minha mãe, e ele ia deixar, porque você já é grande e até dirige um carro.
Quando eu crescer quero ser bonita igual você! Também quero dizer na sua carta que eu amei que colocou bexigas no meu aniversário e levou até brigadeiro. Tia Gabi eu te amo e estou pintando as bolinhas do calendário igual você disse e só falta duas fileiras para o dia do seu aniversário, mas estou muito doente e com dor. Por isso, se eu for morar com o papai do céu, não fica triste, porque eu te amo e só você é a minha melhor amiga.
Júlia"
Notícia publicada no BOL Notícias, em 15 de janeiro de 2019.
Marcia Leal Jek* comenta
Como justificar tanto amor em meio a tanta dor?
Como explicar que duas pessoas se encontram e passam a sustentar-se tão generosamente, enquanto tantos pais e filhos, legítimos, sob o manto da família e dos bens materiais, se digladiam por outro nada?
Sem o Espiritismo, que nos traz a luz da reencarnação, edificada sobre a sólida base do Amor exemplificado por Jesus, que nos faz perceber a caminhada do espírito através da eternidade em busca da sabedoria, jamais entenderíamos.
Eis que o Espiritismo nos ensina que somos espíritos em evolução, vivenciando, em cada nova encarnação, as possibilidades de nos recuperar ante as mesmas leis divinas, que um dia infringimos. Não sabemos dizer o acontecido nas vidas anteriores destes dois espíritos, hoje protagonistas da reportagem; nem o que se deu para que estivessem merecendo tanto sofrimento, lutando para permanecerem juntas. Mas podemos afirmar que uma causa muito séria determinou tal efeito, pois Deus não erra e Suas leis são de Amor e de Justiça, não havendo lugar para o acaso. Por isto, também nos ensinou Jesus que “a cada um será dado segundo suas obras”.
A vivência do amor é apenas uma necessidade passageira ou algo a que estamos fatalmente destinados? Na nota explicativa da questão 938, de O Livro dos Espíritos, temos as seguintes considerações de Allan Kardec:
“A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de se sentir amado. Um dos maiores prazeres que lhe sejam concedidos sobre a Terra é o de reencontrar corações que se simpatizam com o seu, o que lhe dá as premissas de uma felicidade que lhe está reservada no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benevolência.”
Amar incondicionalmente é uma arte. Ser amado assim, um presente divino.
Pensemos nisso!
* Marcia Leal Jek é espírita e colaboradora do Espiritismo.net.
sexta-feira, 3 de maio de 2019
36º Congresso Espírita de Goiás - 2020
O 36º Congresso Espírita de Goiás ocorrerá de 22 a 25 de fevereiro de 2020 com o tema “Amor: o mandamento maior”. As inscrições estarão abertas a partir do dia 3 de maio às 12h. Fique atento!
Informações: https://www.feego.org.br
Informações: https://www.feego.org.br
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Censo Espírita 2019 - FEB
O Censo do Conselho Federativo Nacional da FEB 2019 é dirigido para as casas espíritas de todo o Brasil. Por meio dele será criado uma base de informações sobre a localização, os dias de funcionamento e as atividades realizadas por todas as casas espíritas que participarem. Ao preencher o Censo você colabora para o mapeamento do Movimento Espírita, o desenvolvimento de ações planejadas e a divulgação efetiva do Espiritismo. Se a sua Casa Espírita não possui senha de acesso ao sistema, procure a federativa estadual.
Conheça o site do Censo Espírita 2019 e participe: https://www.febnet.org.br/cfncenso2019/
Conheça o site do Censo Espírita 2019 e participe: https://www.febnet.org.br/cfncenso2019/
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