sábado, 12 de março de 2016

Dica Legal: Rock Espírita

E aí, galerinha? Tudo em paz?

Hoje a gente traz pra vocês algo que era novidade pra gente. E, como o título do post já diz, sim, trazemos uma entrevista da "Simplesmente Almas", uma banda de rock espírita. Legal, né? Vamos conhecer mais sobre o trabalho deles?

"A combinação rock e espiritismo funciona? A banda Simplesmente Almas surgiu por volta de 2010 com a intenção de colocar isso em prática, usando música, poesia e guitarras para a divulgação de mensagens da doutrina espírita. Lançaram seu primeiro álbum, “Eu Sou Alma” em 2013, com produção de Nobru Bueno e arte gráfica de Val Soares. O quinteto conta em sua formação com Lu Paganotti (vocais, teclados e violão), Natália Alva (baixo e vocais), Will Vieira (bateria e cajon), Wagner Suzuki (guitarra e violão) e Vaguinho Silva (violão, sax, e percussão).

A seguir batemos um papo com o vocalista Lu Paganotti:

1 – Gostaria de abrir nosso bate-papo com uma breve retrospectiva sobre a banda. Vocês surgiram há cerca de 6 anos atrás, com formação e nomes diferentes. Além disso, o que mais mudou de lá pra cá?
Muita coisa. A gente começou sem planejamento nenhum, meio no susto (risos).... No começo queríamos apenas pegar os instrumentos e tocar. Depois de um tempo fomos entendendo melhor a complexidade que é produzir um disco ou um show e tivemos que começar a estudar. Os integrantes mudaram, a sonoridade mudou, só não mudou a vontade de levar mensagens musicais que possam ajudar o mundo a ser um lugar melhor pra se viver.

2 - O Simplesmente Almas se encontra atualmente em processo de produção de um novo álbum. Como funciona o processo de composição da banda? O que costuma surgir primeiro? Letra, música, melodia, vocês se reúnem para uma Jam até surgirem ideias?
Atualmente sou o único compositor da banda. Olha, rola todo tipo de processo. As vezes surge a letra primeiro e faço a melodia e harmonia. As vezes surge a ideia de um riff. Tem momentos que a harmonia vem primeiro. Não tem muita regra não, só procuro respeitar a inspiração autêntica, que vem do coração

3 - Qual o local mais inusitado onde já te surgiu uma inspiração para uma música? E como fazer para registrar essa ideia até repassar para o restante da banda?
No meio de uma aula de economia da pós-graduação. Precisei sair da aula, escrever uma letra e voltar. Teve um outro caso voltando da china de avião. A música tava pronta na minha cabeça e precisava registrar. Era de madrugada e tava todo mundo dormindo. Liguei o gravador de celular e fiquei sussurrando para registrar a ideia. Costumo gravar no celular, vídeos e áudios.

4 - Recentemente, em uma entrevista, o baterista do Muse (Dominic Howard) disse que sua banda talvez não lance mais álbuns no formato tradicional, devido às mudanças no modo de consumo do meio. Em tempos de músicas ouvidas quase que 100% digitalmente, um CD físico ainda é relevante? No ponto de vista de vcs, qual a importância da internet na divulgação de músicas e artistas menos conhecidos do grande público?
Cara, acho que o CD físico não é mais necessário. As tecnologias digitais mudaram toda nossa forma de se relacionar com as coisas. Não dá mais para voltar atrás. Teve uma vez que perguntei pra alguém: “Você já comprou nosso CD?”. E a pessoa disse: “Não precisa comprar, já baixei pelo site de vocês”. Este pensamento não vai mais mudar, ainda bem. Pro artista independente a internet é fundamental. Cada mídia social, bem utilizada, pode levar o artista para qualquer lugar do mundo.

5 - Para a realização desse novo álbum, vocês lançaram uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding). Como tem sido a resposta?
Muito boa, em 15 dias de ação atingimos 50% da meta, parece excelente. A galera entende que gravar um Disco é um investimento altíssimo e que não dá pra fazer sem a ajuda dos amigos e fãs.

6 - Bandas de rock espíritas são, de uma certa forma, algo novo, e alguns nomes bem interessantes surgindo, como vocês, Ave Cristo, Deck Rock, Chaves da Luz... Abrindo o leque para o rock cristão de um modo geral, temos alguns nomes ainda mais consolidados no Brasil, como o Oficina G3 e o Rosas de Saron. Como isso pode ajudar ou influenciar a divulgação de outras bandas?
Eu adoro todas as bandas que você citou. Os rótulos não importam. Nosso mundo está precisando de boas mensagens e desejo que surjam cada dia mais bandas assim, independente da religião, crença etc. Eu espero que esses movimentos estimulem os artistas a pensarem em fazer música com conteúdos que transmitam coisas boas. Quem sabe assim façamos frente à cultura popular atual e suas letras chulas.

7 - Em seu álbum de estréia (“Eu Sou Alma”, de 2013), o Simplesmente Almas gravou músicas de Willi de Barros, outro grande expoente da música espírita, além de composições de Altay Veloso e Ricardo Marcos Campos. Vocês participaram também do projeto “Nossos Poetas Iluminados”, onde vocês e outros artistas musicaram poemas de pacientes portadores de deficiência física e mental assistidos pelas Casas André Luiz. Como é para vocês trabalhar com material originalmente não composto pela banda?
O desafio é tentar captar a intenção do compositor. Tentar se colocar no lugar dele para sentir o que ele sentiu quando criou a canção. Depois o lance é dar a nossa cara pro som.

8 - Vocês enfrentam algum tipo de preconceito, seja dos seguidores da doutrina espírita, ou de rockeiros que não sejam da doutrina?
Até tem essas coisas, mas eu não me importo com isso. Meu trabalho é respeitar a inspiração, fazer as canções e interpreta-las com o máximo de emoção possível. Se uma única pessoa se sentir tocada com uma das nossas músicas o trabalho está feito

9 - Nos seus shows, vocês tocam Legião Urbana, Raul Seixas... Quais suas principais influências como músico e artista, dentro e fora da arte espírita?
Na banda tem uma mistura louca de influências: metal melódico, hard rock até moda de viola. Eu particularmente gosto demais de Queen, Pink Floyd, Whitesnake.... Ouço bastante Rosas de Saron, Leonardo Gonçalves, referências de cantores brazucas. E claro, curto a música brasileira, especialmente o Lenine, mas também destaco Zeca Baleiro e Teatro Mágico

10 - O que tem ouvido no momento? Algum artista novo, ou que tenha descoberto recentemente que recomenda?
Definitivamente Rival Sons, que é uma banda californiana surgida em 2009. É tudo impressionante no trabalho dos caras. E, apesar de já conhecer, tenho ouvido muito Richie Kotzen, que foi guitarrista do Mr. Big, mas que tem uma carreira solo incrível!

11 - Por fim, uma questão de certa forma polêmica: durante sua participação no programa de TV norte-americano “That Metal Show”, do canal VH1, o vocalista do AC/DC Brian Johnson disse que quando escreveu a letra da clássica “You Shook Me All Night Long” ele praticamente ficou vendo sua mão escrever, dando a entender que, embora não “acredite em nada disso”, ela foi psicografada. A cantora sertaneja Paula Fernandes, que se diz seguidora da doutrina espírita, também já disse ter composto várias músicas através da mediunidade. Como vocês costumam encarar esse tipo de declaração?
Depois de mais de 10 anos vendo fenômenos assim acontecerem, devo dizer que é bem provável que sejam declarações verídicas. Se você tem dúvida, recomendo conhecer trabalhos sérios ligados à mediunidade e verificar se tudo é uma grande mentira ou se há verdade em meio a tanto mistério.
Eu não tenho dúvida que existam comunicações além da matéria. Mas precisei duvidar durante muitos anos até ter certeza da verdade.
Psicografia ou não, com assinatura de alguém famoso ou não, sempre digo que o que importa mesmo é a mensagem ser autêntica e tocar nosso coração.

Para conhecer melhor o trabalho do grupo deixamos o vídeo da música “O Vício e o Ócio”:


Entrevista retirada do site: Whiplash.net

sexta-feira, 11 de março de 2016

Revista Espírita - novembro 1862

Revista Espírita
Quinto Ano – 1862
Novembro

Os mistérios da torre Saint-
Michel de Bordeaux
Revista Espírita, novembro de 1862
História de uma múmia.


33. (A São João.) Poderíamos evocar o Espírito da senhora de G.Remone? - R. Não; ela está encarnada.
34. Sobre a Terra? - R. Sim.
35. Se não podemos evocá-la como Espírito errante, não poderíamos fazê-lo como encarnado, e não poderíeis nos dizer quando ela dormirá? - Podeis fazê-lo neste momento, porque as noites para esse Espírito são os dias para vós.
36. Evocação do Espírito da senhora Remone. - (O Espírito se manifesta.)
37. Lembrai-vos da existência na qual vos chamava senhora Remone? -- R. Sim; oh! Por que me fazer lembrar de minha vergonha e de minha infelicidade?
38. Se estas perguntas vos causam alguma dificuldade, nós as cessaremos. - R. Peco-vos isso.
39. Nosso objetivo não é causar-vos dificuldade; não vos conhecemos, e não vos conheceremos provavelmente jamais; mas só queremos fazer estudos espíritas. - R. Meu Espírito está tranqüilo, por que querer agitá-lo com lembranças penosas? Não podeis, pois,
fazer estudos sobre Espíritos errantes?
40. (A São João.) Devemos cessar nossas perguntas que parecem despertar uma lembrança penosa neste Espírito? - R. A isto vos convido; é ainda uma criança, e a fadiga de seu Espírito reagiria sobre seu corpo; de resto, há pouca coisa além da repetição do que vos disse seu marido.
41. G. Remone e sua mulher perdoaram-se por seus erros recíprocos? - R. Não; é preciso para isso que cheguem a um grau de perfeição mais elevado.
42. Se esses dois Espíritos se reencontrassem sobre a Terra, no estado de encarnados, que sentimentos experimentariam um pelo outro? - R. Não experimentariam senão a antipatia.
43 G. Remone revendo, como visitante, seu corpo na adega de Saint-Michel, sentiria uma sensação desconhecida aos outros curiosos? - R. Sim; mas essa sensação lhe pareceria muito natural.
44. Reviu ele seu corpo depois que foi retirado da terra?-R. Sim.
45. Quais foram suas impressões? - R. Nenhuma; sabeis bem que os Espíritos desligados de seu envoltório vêem as coisas desse mundo com um outro olhar do que vós outros encarnados.
46. Poderíamos obter algumas informações sobre a posição atual da senhora Remone? - R. Perguntai.
47. Qual é hoje seu sexo? - R. Feminino.
48. Seu país natal? - R. Ela está nas Antilhas, filha de um rico negociante.
49. As Antilhas pertencem a várias potências; qual é sua nação? - R. Ela mora em Havana.
50. Poderíamos saber seu nome? - R. Não o pergunteis.
51. Qual é sua idade? - R. Onze anos.
52. Quais serão suas provas? - R. A perda de sua fortuna; um amor ilegítimo e sem esperança, juntos à miséria e aos trabalhos mais penosos.
53. Dissestes um amor ilegítimo; amará ela, pois, seu pai, seu irmão, ou um dos seus? - R. Ela amará um homem consagrado a Deus, só e sem esperança de retorno.
54. Agora que conhecemos as provas desse Espírito, se nós o evocássemos, de tempo em tempo, durante seu sono, nos dias de sua infelicidade, não poderíamos lhe dar alguns conselhos para levantar sua coragem e pôr sua esperança em Deus; isto influenciaria as resoluções que poderia tomar no estado de vigília? - R. Muito pouco; essa jovem já tem uma imaginação de fogo e uma cabeça de ferro.
55. Dissestes que, no país em que ela reside, as noites são os nossos dias; ora, entre Havana e Saint-Jean d'Angély, não há senão uma diferença de cinco horas e meia; como era aqui duas horas no momento da evocação, deveria ser em Havana oito horas e meia da
manhã? - R. Enfim, ela dormitava no momento em que a evocastes, ao passo que há muito tempo estáveis despertos. Dorme-se tarde nestes países quando se é rico e não se tem nada a fazer.
Nota. Dessas duas evocações ressaltam vários ensinamentos. Se na vida exterior de relação, o Espírito encarnado não se lembra de seu passado, liberto, durante o repouso do corpo, ele se lembra. Não há, pois, solução de continuidade na vida do Espírito, que, nesses momentos de emancipação, pode lançar um olhar retrospectivo sobre suas existências anteriores, e delas trazer uma intuição que pode dirigi-lo no estado de vigília.
Em muitas ocasiões, já fizemos ressaltar os inconvenientes que se apresentariam, no estado de vigília, a lembrança precisa do passado. Essas evocações disso nos fornece um exemplo. Foi dito que se G. Remone e sua mulher se reencontrassem, sentiriam um pelo outro antipatia; que seria isso, pois, se se lembrassem de suas antigas relações! O ódio entre eles despertaria inevitavelmente; em lugar de dois seres simplesmente antipáticos um ao outro, seriam talvez inimigos mortais. Com a sua ignorância, são mais eles mesmos, e caminham livremente na nova rota que têm a percorrer; a lembrança do passado perturbá-los-ia, humilhando-os aos seus próprios olhos e aos olhos dos outros. O esquecimento não lhes faz perder o benefício da experiência, porque nascem com o que adquiriram em inteligência e em moralidade; são aquilo que se fizeram; é para eles um novo ponto de partida. Se, às novas provas que G. Remone terá a suportar, se juntasse a lembrança das torturas de sua última morte, isso seria um suplício atroz que Deus quis poupar, lançando para ele um véu sobre o passado.
A. K.
JACQUES NOULIN.
(15 de agosto.)
56. (A São João.) Podemos evocar o cúmplice da senhora Remone? - R. Sim.
57. Evocação. - (O Espírito se manifesta.)
58. Jurais em nome de Deus que sois o Espírito daquele que foi o rival de Remone. - R. Eu o jurarei em nome de tudo o que quiserdes. - Jurai em nome de Deus. - Eu o juro em nome de Deus.
59. Não pareceis ser um Espírito muito avançado? - R. Ocupai-vos de vossos assuntos e deixai-me ir daqui.
Nota. Como não há portas fechadas para os Espíritos, se este pede que se o deixe ir, é que um poder superior lhe constrange a ficar, sem dúvida para sua instrução.
60. Ocupamo-nos dos nossos assuntos, porque queremos saber como, na outra vida, a virtude é recompensada e o vício punido? - R. Sim, meu muito querido, cada um recebe recompensa, ou punição, segundo suas obras; tratai, pois, de andar direito.
61. As vossas fanfarronices não nos amedrontam; colocamos nossa confiança em Deus; mas pareceis ainda bem atrasado. - R. Sou sempre João-Grosso como antes.
62. Não podeis, pois, responder seriamente às perguntas sérias? - R. Por que vos dirigis a mim, pessoas sérias? Estou antes disposto a rir que a fazer filosofia; sempre gostei das mesas bem servidas, das mulheres amáveis e do bom vinho.
 Enviado por: "JoelllSilva"

quinta-feira, 10 de março de 2016

Mural reflexivo: Escolhendo a simplicidade


Escolhendo a simplicidade

 

Simplificar a vida não significa renunciar a tudo que conquistamos.

Ser simples vai muito além das questões materiais. É um estado de espírito, um jeito de ser que carregamos no íntimo.

Simplificar a vida é aprender a ser feliz com pouca coisa e dar mais valor aos nossos desejos essenciais.

É ter uma vida exterior comedida, sem exageros e uma vida interior rica de valores elevados.

É aprender a concentrar nossos esforços e dedicar o tempo e os ganhos financeiros no que realmente tem valor para cada um de nós, pois, muitas vezes, mantemos o foco em detalhes sem importância.

Aprendemos que qualidade de vida tem a ver com um padrão econômico elevado.

Porém, ter um alto poder aquisitivo, muitas vezes leva as pessoas a um consumismo exagerado, onde passam a buscar a felicidade nos objetos e, com isso, se afastam do que realmente traz qualidade para a vida.

Não precisamos desempenhar papéis que a sociedade nos impõe e nem buscar sempre consumir o que existe de melhor.

Os excessos de toda ordem, sejam eles de consumo, de alimentação, de trabalho e outras tarefas, nos fazem perder a leveza e complicam o nosso dia a dia.

Qualidade de vida é viver de forma equilibrada, valorizando o que realmente importa para cada um de nós.

A jornalista Leila Ferreira publicou um texto na internet sobre a obsessão atual com o melhor, onde enfatiza que hoje o bom não serve mais. Tudo tem que ser o melhor.

A melhor marca, o melhor emprego, o melhor computador, o melhor marido, a melhor esposa e por aí vai.

Ela comenta que nessa busca incessante pelo melhor, o bom passou a ser pouco, o que gera uma eterna insatisfação e impede que desfrutemos do que já conquistamos.

Estamos desaprendendo que ter menos, por vezes, é mais do que suficiente.

Podemos não ter a melhor casa, mas ela pode ser um lar acolhedor, que nos dá segurança e tranquilidade. Podemos não ter o melhor emprego, mas com ele temos alegrias.

Podemos não ter ao nosso lado os melhores companheiros, mas são os que nos compreendem e nos fazem felizes.

Talvez já não tenhamos o corpo perfeito, por não ser mais tão jovem e trazer as marcas do tempo, mas é esse corpo que nos serve à caminhada terrena e conta belas histórias de uma vida.

Valorizar cada conquista é escolher ser simples.

*   *   *

Recordemos a pureza de Jesus Cristo, que sempre ensinou com simplicidade e humildade. Utilizou-se de exemplos singelos para transmitir grandes ensinamentos.

A sua mensagem estimula nossas mentes e corações a dar valor ao amor e às coisas simples da vida. Leva-nos a viver de forma digna e de acordo com as reais necessidades.

Não importa os trajes com que nos apresentemos no mundo. Sejam sob os tecidos que demonstram projeção econômica ou não, mantenhamo-nos fiéis à mensagem cristã, preservando a simplicidade.


Redação do Momento Espírita, com base em trecho do livro A arte de ser leve, de Leila Ferreira, ed. Globo.

Reflexão...


quarta-feira, 9 de março de 2016

Dica Legal: Filme "A linguagem do coração"

Sinopse: Baseado em uma história real, Marie Heurtin (Ariana Rivoire) é uma moça que nasceu cega e surda. Vivendo em seu próprio mundo, sem conseguir se comunicar, o pai dela a manda para um internato. Lá a jovem conhece Marie Margueritte (Isabelle Carré), uma freira que resolve adotar a menina como se fosse uma filha. Ganhando a confiança de Marie Heurin e usando da sua fé, a freira a ensina como se expressar apesar das suas limitações.


Crianças trans não estão fingindo. Elas existem

Crianças trans não estão fingindo. Elas existem

Por: Fernanda Allegretti
 
Em entrevista a Oprah Winfrey em 2008, Brad Pitt disse que Shiloh, a primeira de seus três filhos biológicos com Angelina Jolie, só queria ser chamada de John. "John ou Peter. Eu digo: 'Shi, você quer suco?' E ela: 'John. Eu sou John'." Shiloh tinha então 2 anos. Em 2010, falando à Vanity Fair, Angelina contou que a filha, àquela altura com 4 anos, gostava de se vestir como menino e queria ser um menino. Em 2014, Shiloh, hoje prestes a completar 10 anos, apresentou-se de terno e gravata à cerimônia de estreia de um filme dirigido pela mãe. Brad Pitt e Angelina Jolie estão certos em apoiar o comportamento da filha? Deveriam desestimulá-lo? O que eles fazem ou deixam de fazer afetará o futuro de Shiloh? Há pouquíssima informação científica para orientar pais em situação como a do casal de atores. Mas um raro estudo com crianças transgênero, publicado no ano passado no jornal Psychological Science, pode ajudar a jogar luz sobre a questão. O trabalho foi liderado pela psicóloga Kristina Olson, da Universidade de Washington. Nele, 32 crianças transgênero, com idade entre 5 e 12 anos, foram submetidas a exames como Teste de Associação Implícita para medir a velocidade com que associavam aspectos de gênero masculino e feminino à própria identidade. Os autores concluíram que as crianças trans mostraram uma identificação tão automática com o gênero que escolheram quanto as crianças cisgênero (que, ao contrário das trans, identificam-se com seu sexo de nascimento). A conclusão de Kristina: "Embora sejam necessários mais estudos, nossos resultados mostram que as crianças trans não são confusas, rebeldes nem estão simplesmente fingindo ser o que não são. Crianças trans existem, e a identidade que cultivam está bastante arraigada nelas".
Matéria publicada na Revista Veja, em 12 de fevereiro de 2016.

Jorge Hessen* comenta
As almas ou Espíritos não têm “sexo”. Os sexos só existem no organismo para a reprodução dos corpos físicos. Mas os Espíritos não se reproduzem no além, razão pela qual órgãos sexuais são inúteis no “ultra tumba”. Eis aí um tema um tanto quanto instigante. Todavia, após leitura atenta e uma boa compreensão do texto abaixo, será possível a assimilação de juízos e aprendizado.
Aos 2 anos de idade, Tyler, que nasceu menina, disse com todas as palavras para seus pais: “eu sou menino”. Entretanto seus pais insistiram com ele que não. Mostraram fotos do órgão sexual e argumentaram que ela havia nascido com corpo de menina. Tyler respondia: “quando vocês me mudaram?”. Dois anos depois, um psicólogo confirmou a condição: Tyler sofria mesmo de Transtorno de Identidade de Gênero, e recomendou que os pais começassem a tratar a criança como um menino. A “filha”, então, passou a ser carinhosamente tratada como menino.
A transexualidade é um assunto muito polêmico, e menos discutido do que deveria. Talvez por isso não se compreenda exatamente do que se trata, e essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito. Consagradamente transexual é a pessoa que nasceu com um determinado sexo, mas não se identifica com ele. E esse transtorno mental e de comportamento leva tal indivíduo a procurar tratamentos hormonais e até fazer cirurgias para mudar o corpo.
Uma pessoa pode ser cisgênero ou transgênero. O cisgênero se identifica com o gênero correspondente ao sexo biológico, ou seja, se possui órgão sexual feminino é uma menina, se possui órgão sexual masculino é um menino. É o que todo mundo considera regra. Já o transgênero é a pessoa que contesta essa regra, que não tem seu gênero definido pelo sexo biológico. Uma pessoa transexual se identifica com o gênero oposto ao sexo com que nasceu. O transexual é transgênero, mas nem todo transgênero é transexual.
Um estudo recente realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado pela revista Psychological Science, concluiu que as crianças transgênero começam a reivindicar um gênero diferente, ao mesmo tempo que as crianças cisgênero se identificam com o gênero correspondente ao sexo biológico, por volta dos 2 anos. É como se a criança olhasse no espelho e não se reconhecesse. É uma expectativa constante de que ela vá acordar no corpo certo.
A partir de 2013, a justiça alemã garantiu aos pais de recém-nascidos transgêneros três opções para registrar seus filhos: “masculino”, “feminino” e “indefinido”.(1) Quando existe uma criança transgênero na família, talvez seja importante a procura por apoio moral e psicológico para lidar com esse momento desafiador e estabelecer um canal aberto de comunicação entre os familiares. Por isso, a ajuda de profissionais como pedagogos e psicólogos é oportuna. Mas, na hora de procurar auxílio, é muito importante que tais especialistas entendam sobre identidades transexuais, para que o caso não seja tratado como uma doença, o que de fato não é. O profissional também ajudará a criança a lidar com os preconceitos que ela enfrentará no transcurso da vida.
A sociedade dará sinais de avanço quando compreender que o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”. O Espírito Emmanuel adverte que “encontramo-nos diante do fenômeno “transexualidade”, perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior ao simples gênero masculino ou feminino. Aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade em si exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.”(2)
Para os mensageiros do além, “as características sexuais dos Espíritos fogem do entendimento humano, até porque são os mesmos os Espíritos que animam os corpos de homens e mulheres. Para o Espírito, (re)encarnar no corpo masculino ou feminino [ou sexualmente “indefinido”] pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.”(3) Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. “Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo [experiência masculina ou feminina], como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem [ou mulher] encarnasse só saberia o que sabem os homens e ou as mulheres.”(4)
É urgente amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.”(5)

Referências bibliográficas:
(2) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997, Cap. Homossexualidade;
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Parte 2ª – Capítulo IV – DA PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS – Sexo nos Espíritos, questões 200, 201 e 202;
(4) Idem;
(5) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997, Cap. Homossexualidade.
 
* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.

terça-feira, 8 de março de 2016

Semana de Kardec em São Paulo - Princípios básicos da Doutrina Espírita

Semana de Kardec em São Paulo

De 13 a 19 de março de 2016 será realizada a 64ª Semana Kardequiana de São José dos Campos/SP.

O tema central é “Princípios Básicos da Doutrina Espírita”. Na programação, com uma palestra por dia e sempre a partir das 20h, estudos de Cosme Massi, Fátima Carvalho, Rosângela Pires, Carlos Alberto Dias, entre outros.

O evento acontecerá na Obra Social Célio Lemos, que fica na Rua Ana Gonçalves da Cunha, 30 – Jardim Jussara. Apenas no sábado, a palestra de Carlos Abranches será realizada na Rua Major Ubatubano, 148 – Centro.

Mais informações podem ser obtidas em www.use-sjc.org ou pelo telefone (12) 3922-9338.