domingo, 4 de dezembro de 2016

Reflexão: Não ao aborto

Não ao aborto
 
Ely Matos (CVDEE - FEAK/JF)
 
 
Se você é a favor da legalização do aborto, pode parar a leitura aqui: este texto não é para você. Quero me dirigir apenas aos que são contra a legalização, mas têm sido submetidos a uma avalanche de argumentos (e pseudo-argumentos) típicos desta sociedade confusa em que estamos vivendo. Eu gostaria que o texto fosse lido pelos espíritas, em especial os mais jovens.
 
Isso não é uma discussão. Ninguém muda a crença de ninguém. São apenas elementos, apresentados muito rapidamente, para reflexão pessoal. Alguns argumentos que temos visto a favor da legalização são:

 a) “Se você é contra, não aborte; mas deixe cada um cuidar da sua vida”. Um pseudo-argumento. Basta trocarmos por “se vc é contra matar, não mate, mas deixe os outros matarem” ou “se vc não é preconceituoso, deixe os outros serem”, para vermos a fragilidade da argumentação. É a explícita negação da vida em sociedade.

 b) Freakonomics Movie. “Em suma, vamos evitar que futuros criminosos nasçam”. Bom, se a ideia é essa, porque não matar logo a mãe, já que existe o risco dela continuar “produzindo” estes “futuros criminosos”? Aqui se esconde um tipo sutil de eugenia.

 c) “Até 3 meses não é um ser humano” (ou qualquer outro período de tempo). Muitos senhores de engenho achavam que os escravos não eram seres humanos; os nazistas achavam que os judeus não eram seres humanos. “Desumanizar” existe apenas para tentar aliviar a consciência (que vai pesar, mais cedo ou mais tarde). A questão básica é que o óvulo fecundado já é um ser humano.

 d) “A legalização do aborto vai diminuir o número de abortos”. Então matar menos é melhor que matar mais? É uma sociedade feita de números, não de gente. Por que não considerar que o dinheiro a ser gasto para a realização do aborto “oficialmente” (e outros milhões desviados) fosse usado em programas sociais de prevenção à gravidez, ou de acompanhamento social depois que a criança nascesse? É ilusão? Não tem dinheiro pra isso? Mas matar oficialmente, pelo SUS, pesa menos para a sociedade, não? Isso demonstra apenas como nós, enquanto sociedade, estamos (muito) doentes.

 e) “O corpo é meu e faço dele o que quiser”. Sim, seu corpo é seu, mas aquele outro que está no útero não é seu. É corpo de outro alguém. 

 f) Vamos lembrar que nem todas as mulheres que abortam são a favor do aborto. Abortam com medo da reação da sociedade, da reação dos pais, ou porque estão com vergonha de si mesmas (entre milhares de outros motivos). É para muitos casais uma solução extrema. Mas pergunte a qualquer pai ou mãe, que realmente amem as suas filhas e filhos, se eles preferem ser avós prematuramente ou se preferem ser pais de uma assassina ou de um assassino (quando houver cumplicidade do homem).

 g) “É fácil você falar quando não é com você”. É claro que é fácil, o que não significa que não seja necessário. Cada um enfrenta as situações que criou para si mesmo. O que podemos fazer é oferecer o maior número de informações para que a “livre escolha” seja o mais livre possível, ou seja, com mais plena consciência dos resultados dos atos. 

 h) “isso não deveria ser questão religiosa”, “o estado é laico”, “isso é sua crença pessoal”, “a religião não deve limitar a liberdade das outras pessoas”, “não se deve misturar direito com religião”, etc etc. Outro pseudo-argumento, já que aqueles que defendem a legalização, defendem suas crenças com fervor “religioso”. Apenas acreditam em outras coisas diferentes das religiões tradicionais. Mas nem por isso estão certos.

 i) “As mulheres continuarão abortando, seja legalizado ou não”. Bom, isso demonstra que o problema real não é apenas a legislação, não? Enquanto continuarmos fingindo que não estamos vendo o problema real, o assassinato em massa, oficial ou não, vai continuar.

 j) “Não vou colocar no mundo uma criança que não tenho condições de criar”. Outro pseudo-argumento. Imagine apenas o que aconteceria se seus pais, seus avós ou seus bisavós tivessem pensado assim também, seriamente.
 
A lista é grande. E claro que cada item aqui dá uma conversa imensa. Mas só estou publicando minha opinião. Não quero convencer ninguém. Mas todos precisamos de pensar mais e melhor a respeito do assunto.
 
Ely Matos (CVDEE - FEAK/JF)

sábado, 3 de dezembro de 2016

Arte Espírita em São Paulo - 11º AMARTE – Encontro de Artes e Estudo Espírita.

Arte Espírita em São Paulo

De 10 a 18 de dezembro de 2016 acontecerá no Centro Espírita do Calvário ao Céu o 11º AMARTE – Encontro de Artes e Estudo Espírita.
O tema central é “Semente que desperta é ser mente em movimento”. Na programação, palestras de Plínio Oliveira, Edegar Tão, Artur Valadares e André Luis Bordini, além de atividades com Escola de Evangelização Allan Kardec e Turma do Rico e apresentação do Grupo Mosaico da Fé.
O Centro Espírita do Calvário ao Céu fica na Rua Coronel João Manoel, 763 – Dentro, Bebedouro/SP. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (17) 3342-1267.

Encontro Espírita no Mato Grosso - Encontro Estadual de Comunicação Social Espírita.


Encontro Espírita no Mato Grosso

Nos dias 10 e 11 de dezembro de 2016 acontecerá na sede da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (Espaço FEEMT) o Encontro Estadual de Comunicação Social Espírita.
O tema central é “Comunicar: Uma Virtude Cristã” e os facilitadores serão Alírio de Cerqueira Filho, Merhy Seba, Ivana Raiscky, Mayara Paz e Tiago Toledo. O evento será transmitido ao vivo pelo site da Federação.
O Espaço FEEMT fica na Avenida Djalma Ferreira de Souza, 260 – Morada do Ouro, Cuiabá/MT. Mais informações em www.feemt.org.br ou através do telefone (65) 3644-2727.

Artigo: A MORTE E/OU DESENCARNAÇÃO DOEM?

A MORTE E/OU DESENCARNAÇÃO DOEM?   
Jorge Hessen
Brasília/DF

O fenômeno da morte e/ou desencarnação constitui uma fatalidade da qual nenhum ser humano consegue escapar. A morte sobrevindo a cada instante nas células, que igualmente se revigoram, chega o momento em que a desoxigenação encefálica se incumbe de interromper as funções do tronco cerebral, obstruindo a ocorrência biológica da vida carnal.

No processo da morte pesquisadores afirmam que genes permanecem vivos nos defuntos. Asseguram que alguns genes humanos estão ativos por pelo menos 12 horas após a morte biológica. A descoberta deixa para a academia a definição de "morte física" mais emblemática. Cada vez fica mais claro que desencarnar e ou “morrer” é um longo processo, que começa bem antes da data da certidão de óbito e termina muito depois dela. 

A certeza da vida além-túmulo não elimina as inquietações humanas quanto à morte e/ou desencarnação. Há muitos que temem não precisamente a vida futura, mas o momento da extinção do corpo. Será ele traumático? Em verdade a morte e/ou desencarnação não são iguais para todos, visto que ilimitados são os comportamentos adotados pelos encarnados.

Apesar de utilizarmos como sinônimos os termos morte e desencarnação, a rigor estes são fenômenos distintos. De fato, é rara a coincidência temporal das durações de ambos os processos. É muito mais frequente o processo de morte propriamente dita ser concluído muito antes da desencarnação.

A desencarnação para alguns poucos pode ser rápida, proporcionando uma certa liberdade, até mesmo antes da extinção corporal. Comumente, a separação da alma é feita gradativamente , pois o Espírito se desprende vagarosamente dos laços que o prendem, de forma que as condições de encarnado ou desencarnado, no momento do desenlace, se confundem e se tocam, sem que haja uma linha divisória entre as duas.

Porém, observando-se a tranquilidade de alguns moribundos e as comoções assombrosas de outros, pode-se de antemão ajuizar que as impressões experimentadas durante a morte e/ou desencarnação nem sempre são iguais.

Para as pessoas espiritualizadas a desencarnação se completa antes da morte, ou seja, tendo o corpo ainda vida orgânica, o Espírito já penetra na vida espiritual, ficando apenas ligado à matéria por elo tão tênue que se desata suavemente com o derradeiro pulsar do coração. Porém, para os algemados aos apelos carnais os laços materiais são vigorosos e quando a morte se aproxima o desprendimento demanda contínuos esforços. As convulsões da agonia são indícios da luta do Espírito, que às vezes procura romper os elos resistentes e outras vezes se agarra ao cadáver, do qual uma força irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula.

No livro “Voltei”, Irmão Jacob (Espírito) descreve na condição de testemunha sobre tais situações, explicando que quando foi “cortado” o chamado “cordão prateado” entre o corpo e seu perispírito durante o seu velório, o impacto que ele (Jacob) sentiu foi tão intenso que achou que “estava morrendo por segunda vez”. E logo após esse processo de rompimento do “cordão prateado”, a deterioração do cadáver se acentuou significativamente, conta o autor.

Os religiosos ingênuos que creem poder comprar o ingresso no “reino celestial” à custa de dinheiro (dízimos), serão surpreendidos e ficarão decepcionados com realidade do além-túmulo que os aguarda. Da mesma forma os suicidas, considerando inclusive as atenuantes e agravantes do suicídio, depararão com imensa frustração por não lograrem matar a própria vida e sofrerão enormemente os efeitos inevitáveis da suprema rebeldia às leis do Criador. Nas mortes violentas, tais como nos acidentes, o desprendimento inicia após a morte biológica, e sua consumação não ocorre instantaneamente. O Espírito fica preso ao corpo aturdido, não compreende seu estado, permanecendo na ilusão de que vive materialmente por período mais ou menos longo, conforme seu nível de consciência espiritual.

 
Na maioria das vezes, tendemos a ignorar o fato de nossa mortalidade, e é somente quando um amigo próximo ou parente querido está morrendo que, intuitivamente, reconhecemos nosso próprio e inevitável roteiro em direção à morte. Há milhares de anos esse assunto tem sido uma questão central para o debate teológico e filosófico, mais do que para a exploração científica e objetiva; entretanto, como observamos acima, a ciência começou a ampliar a compreensão sobre o que acontece quando morremos, tanto no aspecto genético do cadáver quão do aspecto psicológico da alma enquanto mente humana.
 
https://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br/2016/08/a-morte-eou-desencarnacao-doem-jorge.html