sábado, 31 de outubro de 2015

Desidentificação* (Parte 2)

desidentificaçaoDesidentificação*
(Parte 2)

Claudio C. Conti

"Sem dúvida, a pessoa portadora de substâncias fragmentadoras move-se em um verdadeiro nevoeiro, que é mais compacto ou mais sutil, conforme as fixações, os vícios a que se aferra."
"Identificando-se com as ideias que lhe são convenientes — algumas de procedência psicopatológica — adapta-se-lhes e incorpora-as, deformando a personalidade, e esta irrealidade termina por afetar-lhe a individualidade, caso não se resolva pela psicoterapia específica e urgente. "

Espíritos compatíveis com um mundo de expiação e provas tem como característica principal despender energia com os seus interesses pessoais, focando sua existência em suprir seus desejos. Portanto, atenção se faz necessária para este comportamento doentio em que todos, uns mais outros menos, buscam e prestam atenção apenas nas ideias que lhe são convenientes.
Para o espírita sincero este alerta de Joanna de Ângelis deve ser motivo para grande atenção, especialmente em se tratando de assuntos espíritas que primam pela transformação pessoal. Muitas vezes, para não dizer na maioria das vezes, os assuntos relacionados ao comportamento adequado e sadio, mas que são contrários aos nossos interesses, são entendidos de uma forma deturpada para amenizar o chamamento para a responsabilidade, isto é, interpreta-se a informação como melhor aprouver.
Com relação ao seguinte termo utilizado por Joanna de Ângelis: "algumas de procedência psicopatológica", pode-se dizer que a grande questão que o espírito encarnado na Terra se vê a braços é o fato de apresentar algum nível de psicopatologia. Isto é decorrente de, como demonstrado anteriormente, o espírito se ater principalmente voltado para os seus interesses pessoais, evitando conhecer e avaliar outras possibilidades para sua experiência carnal, numa tentativa grotesca de se furtar das adversidades.
As encarnações não devem ser consideradas como um "passeio no parque", momentos de descanso em que o espírito gozará das benesses de um deus. Muitas vertentes religiosas pregam uma divindade cujo atributo principal é evitar as dificuldades, devendo o fiel, para isso, cumprir certas obrigações. Pensamentos deste tipo datam de longa data, indicando o sacrifício animal, inclusive o humano, para apascentar a divindade e garantir uma colheita produtiva.
As adversidades precisam ser trabalhadas e, assim, o espírito poderá exercitar o raciocínio e, com isso, o entendimento da vida. Buscando as soluções, exercita, também, a faculdade de considerar várias opções disponíveis até que, ao cabo de algum tempo, terá condições, inclusive, de criar soluções até então desconhecidas. A ciência humana avança de forma semelhante, o cientista buscando encontrar o entendimento daquilo que observa, elabora teorias que melhor descrevem o fenômeno. Estas teorias vão sendo melhor elaboradas conforme o aprofundamento do entendimento.
Assim, as adversidades ajudarão o indivíduo a distinguir a identificar em si mesmo o comportamento que causa ou é decorrente de uma psicopatologia. Em se mantendo na zona de conforto, isto é, nas experiências que saciam os interesses pessoais limitados a matéria, o comportamento patológico não será identificado como tal, seja por não encontrar campo para se manifestar ou por ser considerado como sendo normal para o meio social em que se encontra e faz parte.
Se mantendo apenas no que lhe é conveniente, portanto, dentro de um conjunto limitado, sendo que alguns desses "convenientes" são de natureza psicopatológicas, são incorporados pelo indivíduo e, consequentemente, o conteúdo psíquico produzido será a sua expressão pessoal. Neste contexto, a personalidade pagará um alto preço por sofrer as deformações decorrentes da assimilação deste tipo de ideia.
Algumas substâncias, tais como o tabaco e álcool, podem causar dependência naqueles que estão mais suscetíveis, a informação constante e direta sobre um tema qualquer que vai de encontro com os anseios do indivíduo suscetível será incorporada e considerada como verdade, não mais questionada, passando a ser a sua "filosofia de vida". Em decorrência disto, muita atenção é necessária nomovimento espírita, pois, como existe a tendência da religiosidade fanática, que em termos espíritas seria a fé não raciocinada, interpretações equivocadas ou deturpadas podem ser propagadas continuamente e não mais analisadas.
Todo aquele que se diz espírita necessita se manter à Codificação Kardequiana como referência primordial e toda informação deve ser confrontada para correta avaliação.
"Expressam-se essas identificações nas áreas fisiológicas — como sensações — e psicológica — como emoções."
"Toda vez que a pessoa tenta a conscientização íntima, o encontro com o Eu profundo, a busca interior, as sensações predominantes nas paisagens físicas perturbam-lhe a decisão, impedindo a experiência. São sensações visuais, gustativas, olfativas, auditivas, tácteis, com as quais convive em regime de escravidão, e que assomam no silêncio, na concentração, ocupando o espaço mental, desviando a atenção da meta que busca."
O estabelecimento de determinado padrão de comportamento faz com que o corpo físico, que responde ao pensamento por natureza, tenda a se adequar e responder em regime de simbiose. Contudo, padrão mental enfermiço forçosamente conduzirá a estados também enfermiços para o corpo.
Em decorrência deste processo, em momentos de lucidez, o indivíduo vislumbra que outro padrão mental e, consequentemente, de comportamento, poderá restabelecer a saúde tanto física quanto mental. Todavia, tal como o viciado sofre de abstenção, mesmo quando seu desejo é da liberação do vício, o espírito que se manteve renitente durante largo período de tempo, o próprio corpo físico se contrapõe, devido ao condicionamento, a qualquer tentativa de alteração do quadro instalado. Isto ocorre pelo motivo do corpo, que é matéria e, também, plástico, isto é, amoldável, é uma expressão do pensamento.
Esta relação mente-corpo pode ser observada na prática de exercícios físicos, mais especificamente na retomada após longo período de inatividade. No início, o corpo se ressente do movimento diferente e mais contundente do que o costumeiro, respondendo com dificuldade para realizar os movimentos e, também, surgem as dores musculares. Porém, com a continuidade do esforço, em determinado momento, o corpo acaba por ceder ao comando. Podemos interpretar este comportamento como a necessidade de que primeiramente haja a adequação mental para que o corpo responda adequadamente num processo repetitivo e constante.
O corpo, sendo matéria, apresenta uma plasticidade relativa, responde com uma postura condizente com a mente. A certeza inicial de que não se consegue realizar um movimento, por exemplo, congela o corpo; passando da certeza da incapacidade para a dúvida libera o corpo das tensão congelantes, apesar de ainda não ser capaz; contudo, ao acreditar na capacidade libera o corpo de todas as tensões e, então, o processo flui. Esta premissa também seria válida para a manutenção da saúde física.
A mente preparada para alçar vôos mais altos não se mantém escrava das sensações físicas, assim, estas sensações deixam de ser o interesse precípuo do indivíduo deixando, portanto, de funcionarem como "âncora" que fixam o ser espiritual numa determinada condição.
"São ruídos externos que, em outras circunstâncias, não são percebidos; imagens visuais arquivadas, aparentemente esquecidas; olfação excitada, que provoca o apetite; coceiras e comichões que surgem, simultâneos, em várias partes do corpo; salivação e desejo de alimentar-se, tomando os centros de interesse e desviando-os da finalidade libertadora."
"Por outro lado, nos tentames do silêncio interior para reequilíbrio da personalidade, as sensações produzem associações de idéias que levam a evocações insensatas."
"Música e perfume retornam à sensibilidade orgânica e induzem a recordações atribuladoras, com lamentáveis anseios de repeti-las e frui-las novamente."


"A mente viciada e o corpo acomodado dificultam o despertar da consciência para a lucidez."

Assim, todas as vezes, para o indivíduo aferrado em seus interesses pessoais, que busca atividades ou interesses de elevação, o espírito perceberá o "peso da âncora", isto é, o corpo, ainda sob os efeitos das viciações prolongadas, se ressentirá do novo comportamento, necessitando das doses de fluidos perniciosos com os quais está acostumado. Contudo, o esforço constante e disciplinado fará com que,gradativamente, a "âncora" fique cada vez mais leve, isto é, a urgência de satisfação do corpo cede, gradativamente, lugar a interesses outros de natureza espiritual.
É uma ilusão acreditar que exista a libertação imediata dos condicionamento que mantém o ser prisioneiro de suas viciações pela simples vontade. Porém, é preciso estar ciente se tratar de um  processo de libertação no qual o indivíduo vai, gradativamente, liberando as amarras, primeiramente mais fracamente ligadas que, com isso, enfraquece as ligações mais fortes que, por sua vez, passam a ser mais fracas e mais fáceis de serem quebradas.
O importante, portanto, é o processo, pois, uma vez iniciado, a vida vai ficando mais fácil e os percalços e contrariedades molestando menos.
Contudo, para haver resultado é preciso primeiramente acreditar que se trata de seu desejo, para depois querer realmente e, finalmente conseguir. Uma dificuldade inicial reside no fato de não se distinguir entre acreditar se tratar de um desejo pessoal e querer realmente. Por isso, muitas vezes espera-se um resultado muito cedo no processo e, como não alcança o intento, desanima e cessa o esforço.

26 de Outubro de 2015

* Publicado originalmente em http://www.ccconti.com/Artigos/Desidentificacao.pdf

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Desidentificação (Parte 1)

desidentificaçaoDesidentificação
(Parte 1)

Claudio C. Conti

No livro O Ser Consciente, da autora espiritual Joanna de Ângelis, sob a psicografia do médium Divaldo Pereira Franco, um dos capítulos é intitulado Desidentificação cujo tema central aborda uma questão muito interessante e importante para o processo evolutivo do espírito encarnado ou ligado ao planeta Terra como mundo de expiação e provas. Desta forma, este estudo apresenta uma análise deste capítulo.
Em negrito e entre aspas são apresentados os parágrafos extraídos do texto original seguido da correspondente análise.

"Podemos considerar a personalidade humana constituída de essência e substância. A primeira são as energias que procedem do Eu profundo, as vibrações que dimanam da sua causalidade, e a segunda é a reunião dos conteúdos psíquicos, transformados em atos, experiências, realizações, decorrentes do ambiente, das circunstâncias, e reminiscências das existências passadas."
Ao iniciar a leitura do texto, tem-se a impressão de que "essência e substância" trata-se de matéria e energia, contudo, na sequência percebe-se que a "essência" são as energias que procedem do eu profundo e a "substância" é a reunião de conteúdos psíquicos. Em outras palavras, o que Joanna de Ângelis chama de "essência" trata-se do que o indivíduo é realmente como espírito; e o que chama de "substância" é o seu comportamento decorrente das vivências, os processos psíquicos que estão relacionados com o meio em que se vive. Por exemplo, podemos não apresentar certo comportamento por estarmos em determinado meio, contudo, em outra situação pode ser diferente. Portanto, não se trata de uma aquisição do espírito, mas simplesmente influência do entorno que pode ser tanto positiva quanto negativa.
Muitas vezes vemos pessoas acreditando estarem transformadas, quando, na verdade, respondem ao ambiente. Quando numa casa espírita, o estudo e a frequência com que se ouve sobre condutas sadias, propicia condição para que o indivíduo passe a agir mais adequadamente em muitas ou algumas situações, todavia, se não estivesse recebendo todo esse estímulo, seu comportamento poderia ser diferente.
"São as substâncias que respondem pelo comportamento do ser, propiciando-lhe liberdade ou escravidão e dando nascimento ao eu. "
As substâncias são os processos psíquicos em si que, por sua vez, serão exteriorizados na forma de comportamento, as nossas ações e reações são decorrentes dos processos psíquicos, que propiciarão liberdade ou escravidão, dependendo do conteúdo e do subsequente comportamento. Quanto mais se faz errado conduzirá à escravidão, em contrapartida, quanto mais se faz certo conduzirá para a liberdade.
Em qualquer uma das situações, a experiência vivenciada dará ensejo para que evolua e se aprimore, pois a vivência fornece material psíquico com a qual o espírito passa a interpretar o mundo e sua condição de forma mais apropriada. Por este motivo, por "dando o nascimento do eu" podemos entender a interpretação e entendimento pessoal de sua condição, pois o "eu" seria uma referência à estrutura psíquica decorrente da conscientização do espírito como individualidade.
Esta é uma questão que, muitas vezes, causa certa dificuldade de entendimento, pois a crença é de que somente seguindo o caminho reto é que o espírito evoluiria, porém, mesmo fazendo as coisas erradas dá ensejo para o surgimento do eu, pois todos os caminhos fazem parte das Leis de Deus que não abandona nenhum de seus filhos nem, tampouco, faz coisas inúteis.
"Numa pessoa média, portadora de consciência, sem a nobre conquista do discernimento e da vivência compatível, a ilusão e os engodos se estruturam, passando à posição das realidades únicas, que ignoram, por efeito, a legítima Realidade."
A pessoa média tem consciência, pois já atingimos a consciência do eu, que somos indivíduos, apesar de não reconhecer as necessidades como tal, isto é, trabalhar a sua essência. Como consequência, não apresentando o discernimento apurado, o indivíduo não consegue distinguir entre as várias manifestações e interpretações com as quais se depara. Nesta condição, as ilusões da vidapassam a ser consideradas como a realidade; o indivíduo vive numa ilusão, acreditando se tratar da realidade. Ao considerar a matéria, e tudo a ela relacionado, como sendo a realidade única e última que existe, o indivíduo norteia sua vida em determinada direção: o da ilusão.
"Essa deturpação psicológica proporcionada pelo ego, que se entorpece e se engana, contribui para as experiências utópicas e alienadoras, que lhe alteram a conduta, produzindo estados profundamente perturbadores."
A pessoa média cujo discernimento concernente à realidade está comprometido, vive numa deturpação psicológica proporcionada pelo que está relacionado com sua experiência hoje. Este é o motivo pelo qual a deturpação está relacionada com o ego. O ego direcionado num único sentido irá causar as deturpações psíquicas. Em uma comparação para fins didáticos apenas, seria como se um cão fosse treinado para fazer uma coisa somente e, assim, decorrente do condicionamento, ele se manteria. Então, o ego condicionado a olhar em uma direção não irá enxergar outras coisas por não conseguir processar a informação, se mantendo sempre na mesma linha. Outras coisas, por não entender, será desconsiderada ou não percebida.
Obviamente que um ego nesta condição irá produzir estados de perturbação.
"O hábito e o cultivo dos pensamentos viciosos, de qualquer natureza, tornam-se as substâncias que formam a personalidade doentia, que se adapta aos fatores dissolventes, rompendo a linha do equilíbrio e do discernimento, empurrando para o trânsito pela senda da irrealidade."
Como visto anteriormente, pensamentos viciosos são decorrentes do ego treinado numa determinada direção. Todas as vezes que o ego fica voltado para uma direção apenas, sem considerar outras possibilidades, pode ser considerado como o início de um processo de ovoidização (processo no qual o espírito se mantém com a mente focada em uma ideia apenas acarretando a perda da forma perispiritual, corresponde a alto grau de perturbação). Pois, um indivíduo que mantém um pensamento fixo, numa forma doentia, corresponde a uma personalidade doentia que, quando levado ao mais alto grau, seria a perda de sua estrutura perispiritual. O que está sendo tratado no texto de Joanna de Ângelis não deve chegar a este estado, mas é possível vislumbrar o limite para esta postura, isto é, ego com pensamento ou interesse único leva a ovoidização como ponto máximo das consequências. Enquanto se mantiver, não no pensamento único como na condição mais crítica, mas num conjunto restrito de pensamento, permanecerão os estados perturbadores.
O hábito do cultivo de pensamentos viciosos forma a personalidade de natureza doentia que "se adapta aos fatores dissolventes rompendo a linha do equilíbrio e do discernimento". Quando o indivíduo mantém a mente fixa em algo, tende a perder o discernimento. Se, por exemplo, alguém decidir de antemão que o amarelo é a cor mais adequada e outro deseja mostrar o verde, o primeiro não irá considerar como uma possibilidade.
Para evitar este estado, devemos apreciar outras possibilidades, mesmo que com o intento de apenas conhecer uma outra opção e, então, decidir com mais consciência, mesmo que mantenha a primeira escolha. Esta é uma postura completamente diferente e sadia. Uma coisa é decidir pelo amarelo e não considerar nenhuma outra cor, outra coisa é ver as outras cores e manter a decisão pelo amarelo. A primeira é fixação enquanto que a segunda é o resultado de uma avaliação.
Aplicando-se este procedimento, que pode até ser forçado à princípio, mas que se tornará natural com o passar do tempo, a tendência é que gradativamente a mente vai relaxando e, consequentemente, o ego passa a avaliar uma gama de possibilidades e não mais se mantém como pensamento fixo em uma única ou em número restrito de ideias, se afastando do monoideismo. Passando a conhecer diversas possibilidades, exercita o raciocínio e tende a escolher a melhor opção.
O pensamento em uma opção ou decisão apenas engana o indivíduo pelo motivo de que, não ponderando sobre um leque de opções, o resultado será aquele único que consegue vislumbrar, portanto, será o melhor. Usando o exemplo apresentado anteriormente, escolhendo o amarelo e não conhecendo outras cores disponíveis, ao ver o resultado vai concluir que estava certo, porém como não considerou as outras opções, não poderia dizer que era a melhor escolha. Para a mente com um único direcionamento, vai se considerar com razão. Esta postura, sendo repetida numerosas vezes leva a obliteração do discernimento por passar a acreditar que as suas decisões são sempre corretas.
Os processos mentais doentios como padrão de comportamento se tornam os fatores dissolventes do ser, pela perda da personalidade. A personalidade é desenvolvida através das escolhas pessoais, ao limitar as escolha pelo pensamento fixo, se permite a perda do poder de avaliação e escolha, consequentemente, perde sua personalidade. Se mantendo na primeira ideia, sem considerações mais amplas, o indivíduo também se coloca a mercê de espíritos maus e brincalhões.
O fanatismo religioso é um bom exemplo da dissociação da personalidade, onde o indivíduo deixa de avaliar o que lhe é dito e assimila as determinações pregadas pela religião ou seu representante, seja ela qual for. Importa ressaltar que há casos em que a religião em si não conduz ao fanatismo e nem este seria a sua finalidade, contudo, interpretações ou interesses pessoais dos seus representantes perante um grupo de fiéis poderá ter o fanatismo como consequência.
É comum que pessoas considerem que uma religião em particular ou as religiões em geral geram fanáticos, contudo é importante ressaltar que para que isto ocorra é necessário que o indivíduo ou grupamento, pequeno ou grande, não importa, estejam predispostos. Portanto, o próprio ser se submete ao regime de escravidão mental. Este processo, o fanatismo, pode ser observado em vários campos da sociedade e não apenas no religioso.
É importante nunca esquecer que toda religião e regime político, entre outros, incluindo seus representantes ou dirigentes apresentam falhas, o que é natural e esperado por se tratar da própria natureza humana. Quando não se pondera sobre esta possibilidade e os equívocos que podem ser cometidos, considerando tudo como correto, o próprio indivíduo se libera do direito de raciocinar.
Nestes casos, a personalidade individual é sacrificada em prol da personalidade coletiva.
Como espíritos compatíveis com um mundo de expiação e provas, os seres aqui viventes apresentam pensamentos viciosos e, consequentemente, em algum grau, personalidades doentias. A tarefa que deve ser atentada e buscada é despender esforços para que a psicopatologia seja mantida sob controle, no grau mínimo possível para o indivíduo e para o momento. Neste exercício, gradativamente, seja qual for o nível que se encontrar, a tendência é tornar o espírito mais sadio em rumo do mundo de regeneração.

Continua - Parte 2 em 31/10/2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Por que o Japão tem uma taxa de suicídios tão alta?

Por que o Japão tem uma taxa de suicídios tão alta?

No ano passado, no Japão, mais de 25 mil pessoas cometeram suicídio. Isso dá uma média de 70 por dia. A maioria delas, homens.

Estes números não representam a maior taxa de suicídio entre países desenvolvidos - o título ainda cabe à Coreia do Sul, com uma média anual de 28,9 suicídios por 100 mil habitantes. Mas estão muito acima de outras nações ricas.

O índice japonês de 18,5 suicídios para cada 100 mil habitantes é, por exemplo, três vezes o registrado no Reino Unido (6,2) e 50% acima da taxa dos Estados Unidos (12,1), da Áustria (11,5) e da França (12,3).

O assunto voltou a ter destaque com a auto-imolação de um homem de 71 anos em um trem bala na última terça-feira.

O que fez um pacato idoso a se matar desta forma em um vagão lotado?

Conforme ele derramava o líquido inflamável sobre si mesmo, teria se afastado de outros passageiros, segundo testemunhas, para não colocá-las em perigo. Algumas disseram que ele tinha lágrimas nos olhos ao fazer isso.

Agora, conforme seu passado começa a ser investigado pela mídia japonesa, surgem sinais de se tratar de um homem no limite. Ele vivia sozinho e não tinha emprego. Passava os dias coletando latas de alumínio para vendê-las para reciclagem.

Vizinhos disseram a repórteres que o ouviram quebrar uma janela ao se trancar do lado de fora de seu apartamento dilapidado.

Outros afirmaram raramente tê-lo visto fora de casa, mas ouviam com frequência a televisão ligada. Pobre, de idade avançada e sozinho. É um caso bastante familiar.

"O isolamento é o fator número um que antecede a depressão e o suicídio", diz o psicólogo Wataru Nishida, da Universidade Temple, em Tóquio.

"Hoje em dia, são cada vez mais comuns histórias de idosos que morrem sozinhos em seus apartamentos. Eles estão sendo negligenciados. Os filhos costumavam cuidar de seus pais no Japão, mas isso não ocorre mais."

'Suicídio em nome da honra'

Muitas pessoas costumam citar uma antiga tradição de "suicídio em nome da honra" para a alta taxa do país.

Elas citam, por exemplo, a prática samurai de cometer "seppuku" e dos jovens pilotos "kamikazes" de 1945 para explicar por que razões culturais tornam os japoneses mais propensos a tirar suas próprias vidas.

De certa forma, Nishida concorda com este ponto de vista: "O Japão não tem história de Cristianismo. Então, o suicídio não é um pecado. Na verdade, alguns encaram como uma forma de assumir responsabilidade por alguma coisa".

Ken Joseph, que trabalha no serviço de ajuda a suicidas do país, concorda. Ele diz que sua experiência ao longo dos últimos 40 anos mostra que idosos que têm problemas financeiros podem ver o suicídio como uma saída para esta situação.

"Os seguros de vida no Japão são muito ambíguos quanto ao pagamento por suicídio. Então, quando uma pessoa se mata, o seguro costuma ser pago", afirma Joseph.

"Os idosos vivem sob uma pressão intolerável e acreditam que o melhor que podem fazer é tirar suas vidas para sustentar sua família."

Pressão financeira

Por causa disso, alguns especialistas acreditam que a taxa de suicídios no Japão é na verdade muito mais alta do que os registros mostram.

Muitos casos de idosos que morrem sozinhos nunca chegam a ser completamente investigados pela polícia. De acordo com Joseph, a prática quase universal no país de cremar os corpos também significa que qualquer evidência de um suicídio é rapidamente destruída.

Mas não são apenas os idosos homens com problemas financeiros que estão tirando suas vidas. O índice vem crescendo rapidamente entre homens jovens, fazendo com que o suicídio seja a principal causa de morte entre os homens japoneses com idades entre 20 e 40 anos.

E as evidências apontam que estes jovens estão se matando porque perderam completamente a esperança e são incapazes de pedir ajuda.

Os números começaram a crescer após a crise financeira asiática de 1998 e aumentaram novamente após a crise financeira mundial de 2008.

Especialistas acreditam que estes aumentos estão ligados a um crescimento das "condições precárias de emprego", em que jovens são contratados por curtos períodos de tempo.

O Japão já foi a terra do emprego vitalício, mas, enquanto muitas das pessoas mais velhas ainda desfrutam de estabilidade e benefícios generosos, quase 40% dos jovens japoneses não conseguem encontrar empregos estáveis.

A ansiedade causada por problemas financeiros e a instabilidade no trabalho é reforçada pela cultura japonesa de não reclamar. "Não há muitas formas de expressar raiva ou frustração no Japão", diz Nishida.

"Esta é uma sociedade muito orientada por regras. Jovens são moldados para se encaixar em nichos existentes. Não há como alguém expressar seus sentimentos vendadeiros. Se são pressionados por seu chefe ou se deprimem, alguns acham que a única saída é morrer."

Isolamento tecnológico

A tecnologia pode estar piorando esta situação, ao aumentar o isolamento dos jovens. O Japão é famoso por uma condição conhecida como "hikkimori", um tipo de isolamento social grave.

O jovem nesta situação pode se fechar completamente ao mundo, permanecendo em um quarto por meses ou mesmo anos. A maioria deles são homens.

Mas esta é apenas a forma mais extrema de uma atual perda generalizada de socialização cara a cara. Uma pesquisa recente sobre o comportamento dos jovens em relacionamentos e sexo trouxe resultados impressionantes.

Publicada em janeiro pela Associação de Planejamento Familiar do Japão, o estudo indicou que 20% dos homens com idades entre 25 e 29 anos tinham pouco ou nenhum interesse em relações sexuais. Nishida aponta para a internet e a influência da pornografia online sobre isso.

"Os jovens japoneses têm muito conhecimento, mas pouca experiência de vida. Não sabem como expressar suas emoções", afirma Nishida.

"Eles esqueceram como é tocar uma pessoa. Quando pensam sobre sexo, podem ficar ansiosos e sem saber como lidar com isso."

E, quando jovens se encontram isolados e deprimidos, eles têm poucos lugares aos quais recorrer. Doenças mentais são um tabu no país, e a depressão é geralmente pouco compreendida. Quem sofre deste problema, normalmente tem medo de falar sobre o assunto.

Sistema de saúde ruim

O sistema de saúde para doenças mentais também é ruim. Faltam psiquiatras, e não há qualquer tradição destes profissionais trabalharem junto com psicólogos.

Pessoas com problemas mentais podem receber prescrições de medicamentos psicotrópicos fortes, mas, com frequência, isso não vem acompanhado de um acompanhamento psicológico.

O próprio mercado de psicologia do Japão é uma bagunça. Ao contrário de outros países, não há um sistema de ensino estabelecido pelo governo nem para qualificação profissional de psicólogos clínicos.

Qualquer um pode ser apresentar como tal, e é muito difícil saber se quem presta este tipo de serviço sabe o que está fazendo.

Não é um bom cenário, ainda mais porque, apesar da taxa de suicídio ter começado a declinar nos últimos três anos, ela ainda é muito alta.

Nishida diz que o Japão agora começa a debater mais sobre doenças mentais e não tratar isso como algo assustador e estranho que afeta apenas a alguns poucos. Mas o especialista acredita que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

"Quando há uma discussão na TV sobre problemas mentais no Japão, eles ainda falam como se depressão fosse sinônimo de suicídio. Isso precisa mudar."

Notícia publicada na BBC Brasil, em 5 de julho de 2015.

Jorge Hessen* comenta

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1 milhão de pessoas se matam por ano em todo o mundo. A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio. Somente no Brasil, quase 30 pessoas se suicidam por dia, e infelizmente os números são crescentes. As maiores incidências são nos países ricos. O leste europeu registra um dos mais altos índices de suicídio proporcionalmente. Países da Ásia, como Coreia do Norte, China e Japão são os recordistas mundiais.

Em 2014, mais de 25 mil pessoas cometeram suicídio no Japão. Isso dá uma média de 70 por dia. A maioria é de homens. O assunto voltou a ter destaque recentemente com o suicídio de um homem de 71 anos, que ateou fogo no corpo dentro de um trem bala. Para o psicólogo Wataru Nishida, da Universidade Temple, em Tóquio, a solidão na velhice é o fator número um que antecede a depressão e o suicídio. Tese que encontra respaldo em John Cacioppo, cientista e professor de psicologia da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, que sugere ser o isolamento um fator impactante para acelerar o extermínio “prematuro” do idoso solitário. Para Cacioppo há fatores de risco em face do sentimento de solidão, dentre os quais estão a interrupção frequente do sono, elevação da pressão arterial, aumento do cortisol (hormônio do estresse), alterações no sistema imunológico e aumento da depressão.(1)

Talvez realmente a solidão seja preocupante enfermidade dos dias de hoje. Mas não são apenas os idosos homens com problemas pessoais que estão tirando suas vidas. O índice vem crescendo rapidamente entre homens jovens, fazendo com que o suicídio seja a principal causa de morte entre os homens japoneses com idades entre 20 e 40 anos. E as evidências apontam que estes jovens estão se matando porque perderam completamente a esperança e são incapazes de pedir ajuda.(2)

Para alguns pesquisadores as causas do suicídio podem estar relacionadas a distúrbios psicossociais, como exclusão, dependência química, desesperança e traumas emocionais. Não raro, o suicídio é tido como consequência da depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, anorexia e desvios de personalidade. E os especialistas procuram responder o que leva o ser humano a desrespeitar o seu instinto de autopreservação.

Sob a tese sociológica, o escritor francês Albert Camus, no seu livro intitulado “O Mito de Sísifo”, defende a tese que só existe um problema filosófico realmente grave: o suicídio - Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder a questão de filosofia. Que o confirmem os peculiares escritores Artur Shopenhauer no seu macabro livro “As Dores do Mundo”, que induz o leitor fragilizado ao suicídio, e Friederich Nietzsche, que em “Assim Falava Zaratustra” afirma que orar é vergonhoso. Emille Durkhein, um dos maiores pesquisadores das teses suicidógenas, afirma que a culpa maior para uma pessoa cometer um ato tão extremo, de vencer o próprio instinto de conservação é da sociedade, que é a grande pressionadora para esse ato extremo do homem - é o ser psicológico sendo abatido pelo ser social.

Os Espíritos explicam que o adiamento de uma dívida moral significa reencontrá-la mais tarde com juros somados com cobrança sem moratória. A vida na Terra foi dada como prova e expiação e depende de cada um lutar com unhas e dentes para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores com amor.(3) Como explicar o descontentamento da vida que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos? Certamente é resultado da ociosidade, da falta de fé, e também da saciedade. É óbvio que ninguém tem o direito de acabar com a própria vida. O suicídio é uma grave transgressão às leis de Deus.

O suicídio cometido por desgosto da vida é uma brutal estupidez, uma loucura. Ora, por que tais infelizes rebeldes da vida não trabalhavam para o próximo? Com certeza a existência seria menos pesada. Infelizes são os que não têm a coragem de suportar as adversidades da existência. Deus ajuda os que sofrem e não os que carecem de energia e de coragem. As consternações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados. O suicídio é resultado da ociosidade, da falta de fé, e geralmente da saciedade.(4)

Referências bibliográficas:

(1) Disponível em <http://oglobo.globo.com/saude/solidao-aumenta-em-14-as-chances-de-idosos-morrerem-de-forma-prematura-11609030#ixzz2yAIPeewV>, acessado em 05/10/2015;

(2) Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150705_japao_suicidio _rb>, acessado em 07/10/2015;

(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 920, RJ: Ed. FEB, 2000;

(4) Idem , questões de 943 a 949.

* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Mural reflexivo: Relações banalizadas

112650738902d566b1oRelações banalizadas

     No mundo moderno as comunicações operam-se com grande rapidez e eficiência.

     Internet, televisão e cinema constituem instrumentos de difusão de informações e modos de vida.

     Graças a eles se tem notícia do quão liberais estão os costumes.

     Valores tradicionais são colocados em xeque.

     A educação baseada na proibição dá mostras de periclitar.

     Os jovens exercitam a sexualidade cada vez mais cedo.

     Tabus caem e nada mais parece errado.

     Segundo uma concepção que se generaliza, o importante é ser feliz.

     Essa felicidade é identificada com a realização de sonhos e a obtenção de prazeres.

     Entretanto, a vivência dessa nova cultura não parece proporcionar paz e plenitude.

     Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, se alastram.

     A troca constante de parceiros traz vazio e insatisfação.

     Uma série de relações sem profundidade em nada contribui para o amadurecimento afetivo.

     A ausência de compromisso sério torna banais os relacionamentos.

     Em clima de banalidade, é impossível surgir uma afeição genuína e profunda.

     A qualquer sinal de dificuldade, o rompimento surge como uma opção simples e fácil.

     Pessoas tornam-se descartáveis nas vidas umas das outras.

     A procura da felicidade torna-se um processo de infantilização.

     Ao invés de serem identificados e resolvidos os problemas de uma relação, foge-se deles.

     É como se os seres humanos se assemelhassem a eletrodomésticos.

     Quando surgem problemas, um é facilmente substituído por outro.

     Trata-se de uma triste característica que se incorpora na personalidade.

     Gradualmente, optar pela solução mais fácil torna-se uma segunda natureza.

     Ocorre que a solução mais fácil nem sempre é a mais honrosa.

     Em questões morais, raramente agir com correção é fácil.

     Caso se opte sempre pela facilidade, corre-se o risco de perder completamente as referências éticas.

     De leviandade em leviandade, o homem se converte em um monstro egoísta e imoral.

     As dores e os problemas dos outros deixam de ter qualquer importância.

     O relevante é não se incomodar e seguir despreocupado.

     Entretanto, ação gera reação.

     Quem se permite desprezar, ferir e seguir adiante, gradualmente se vê isolado.

     Contudo, a dor destina-se a desenvolver a sensibilidade e não poupa ninguém.

     Todo mundo, mais cedo ou mais tarde, experimenta dificuldades e necessita de apoio.

     Em épocas difíceis, de dor e desolação, um ombro amigo é um tesouro de inestimável valor.

     Ciente disso, não se negue a apoiar quem precisa de você.

     Não banalize suas relações e nem imagine que as pessoas são descartáveis.

     Não tenha como meta de vida a despreocupação.

     Descubra a ventura de estabelecer vínculos afetivos sólidos e profundos.

     Permita-se partilhar os problemas dos outros.

     Converta-se em alguém solidário e disposto a colaborar.

     Quando surgirem problemas em uma relação, resolva-os, como adulto que é.

     Talvez sua vida se torne um pouco menos despreocupada.

     Mas ela ganhará em plenitude e maturidade.

     O exercício da solidariedade e da compaixão o fará um ser humano melhor.

     E, com certeza, ser digno e bom lhe proporcionará paz e alegria.

     Pense nisso.

(Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 13, ed. Fep.)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Revista Espírita - Carrère: constatação de um fato de identidade - Quinto Ano – 1862 - Março

Revista Espírita

Jornal de Estudos Psicológicos

Quinto Ano – 1862

Março

Carrère: constatação de um fato de identidade

Revista Espírita, março de 1862

A identidade dos Espíritos que se manifestam, como se sabe, é uma das dificuldades do Espiritismo, e os meios que se empregam para verificá-la conduzem, frequentemente, a resultados negativos; as melhores provas, a esse respeito, são as que nascem da espontaneidade das comunicações. Embora essas provas não sejam raras, quando estão bem caracterizadas, é bom constatá-las, primeiro para sua própria satisfação e como objeto de estudo, e, além disso, para responder àqueles que lhe negam a possibilidade, possivelmente porque, tomando-as, não tiveram sucesso, ou bem porque há neles um sistema preconcebido. Repetiremos o que dissemos em outra parte, que a identidade dos Espíritos que viveram numa época recuada e que vêm dar ensinamentos, é quase impossível de se estabelecer, e que não é preciso ligar, aos nomes, senão uma importância relativa; o que eles dizem é bom ou mau, racional ou ilógico, digno ou indigno do nome assinado? Aí está toda a questão. Não ocorre o mesmo com os Espíritos contemporâneos, cujo caráter e cujos hábitos nos são conhecidos, e que podem provar sua identidade pelas particularidades do detalhe, particularidades que se obtêm raramente quando são pedidas, e que é preciso saber esperar. Tal é o fato relatado na carta seguinte:

Bordeaux, 25 de janeiro de 1862.

Meu caro senhor Kardec,

"Sabeis que temos o hábito de vos submeter todos os nossos trabalhos, nos reportando inteiramente às vossas luzes e à vossa experiência para apreciá-los; também quando, para nós os fatos são marcantes de identidade, nós nos limitamos a vos fazer conhecê-los em todos os seus detalhes.

"O Sr. Guipon, controlador da contabilidade na Companhia das estradas de ferro do Sul, membro do grupo diretor da Sociedade Espírita de Bordeaux, me escreveu, em data de 14 deste mês, a carta seguinte:

"Meu caro senhor Sabô, permiti-me dirigir-vos o pedido de fazer, em sessão, a evocação do Espírito de Carrère, subchefe da equipe da estação de Bordeaux, morto comandando uma manobra em 18 de dezembro último. Junto a este, em envelope, o detalhe dos fatos que

desejo fazer constatar e que seriam, para nós, um assunto sério de estudo e de instrução.

Me fareis o obséquio igualmente de não abrir esse envelope senão depois da evocação.

L. GUIPON.

No dia 18 do mesmo mês, numa reunião de uma dezena de pessoas honradas de nossa cidade, fizemos a evocação pedida:

1. Evocação do Espírito de Carrère. - R. Eis-me.

2. Qual é a vossa posição no mundo dos Espíritos? - R. Não sou nem feliz nem infeliz. Aliás, estou frequentemente sobre a Terra; mostro-me a qualquer um que não está muito contente por me ver.

3. Com que objetivo vos manifestais a essa pessoa? - R. Ah! vede, é que ia morrer; tinha medo e não se tinha medo por mim. Procurar-se-ia por toda a parte um Cristo para me ajudar a transpor a difícil passagem da vida para a morte, e a pessoa a quem me mostrei tinha um que ela recusou de me emprestar para aplicá-la sobre meus lábios agonizantes, e depor entre minhas mãos como uma prova de paz e de amor. Pois bem! Ela disso falou por longo tempo ao me ver ao lado do Cristo; ali me verá sempre. Agora, eu me vou, estou mal

acomodado aqui; deixai-me partir. Adeus.

Imediatamente depois desta evocação, abri o envelope fechado que continha os detalhes seguintes:

"Quando da morte de Carrère, subchefe da equipe de Bordeaux, morto em 18 de dezembro último, o Sr. Beautey, chefe de estação PV, fez transportar o corpo à estação dos viajantes e ordenou, a um homem da equipe ir ao seu domicílio pedir à senhora Beautey um Cristo para colocá-lo sobre o cadáver. Essa senhora respondeu pretendendo que o Cristo estava quebrado, e que, consequentemente, não o podia emprestar.

"Pelo dia 10 de janeiro corrente, a senhora Beautey confessou a seu marido que o Cristo que ela tinha recusado não estava quebrado, mas que ela não queria prestá-lo, disse ela, para não mais ter que sentir as emoções ocasionadas em seguida a um acidente semelhante, sobrevindo precedentemente, e quase nas mesmas condições. Ela acrescentou em seguida que nunca mais recusaria nada a um morto, e explicou essas palavras assim: -

Durante toda a noite da morte desse homem, ele ficou visível para mim; por muito tempo eu o vi colocado perto do Cristo, depois ao seu lado.

"A senhora Beautey, que jamais vira nem ouvira falar desse homem, designou com tanta precisão ao seu marido, que este o reconheceu como se estivesse presente. A senhora Beautey, de resto, estava desperta, e não estava vendo os Espíritos pela primeira vez; entretanto, um fato há a se notar, é que o Espírito de Carrère impressionou-a fortemente, e que ele não tinha chegado quando ela viu outros Espíritos. - Assinado Guipon."

Mais abaixo se encontra a menção seguinte:

"Esta narração está perfeitamente exata.

"Assinado: Beautey, chefe de estação."

Acreditei de meu dever vos relatar o fato de identidade que acabo de vos assinalar, fato, é preciso nisto convir, muito raro e que não chegou, seguramente, senão com a permissão de Deus, e que serve de todos os meios para ferir a incredulidade e a indiferença.

Se julgardes útil reproduzir este interessante episódio, mais abaixo encontrareis as assinaturas das pessoas que assistiram a essa sessão. Elas me encarregaram de vos dizer que seus nomes podem ser postos a descoberto, e, conservar o incógnito nesta circunstância, acrescentam elas, seria uma falta. Os nomes próprios que figuram nos detalhes circunstanciados da evocação de Carrère podem igualmente ser publicados.

Vosso muito devotado servidor,

A. SABÔ.

Atestamos que os detalhes relatados na presente carta são verídicos em todos os pontos, e não hesitamos em confirmá-los com a nossa assinatura. A. Sabô, contador principal da Companhia das Estradas de Ferro do Sul, 13, rua Barennes. - CH. COLLIGNON, capitalista,

rua Sauce, 12. - EMILIE COLLIGNON, capitalista. - UANGLE, empregado das contribuições indiretas, rua Pélegrin, 28. - VIÚVA CAZEMAJOUX. - GUIPON, controlador de contabilidade e das receitas das estradas de ferro do Sul, 119, caminho dos Bègles. - ULRICHS, negociante, rua dos Chartrons, 17. - CHAIN, negociante. - JOUANNI, empregado na casa do Sr. Arman, construtor de navios, rua Capenteyre, 26. -GOURGUES, negociante, caminho de Saint- Genès, 64. - BELLY primogênito, mecânico, rua Lafurterie, 39. - HUJBERT, capitão na 88§ de comunicação. - PUGINER, tenente-coronel no mesmo regimento.

Como de hábito, não faltam os incrédulos para colocar este fato à conta da imaginação.

Dirão, por exemplo, que a Senhora Beautey tinha o espírito ferido pela sua recusa, e que um remorso de consciência lhe fizera crer que via Carrère. Isso é possível, nisso convimos, mas os negadores, que não se consideram capaz de aprofundarem antes de julgar, não procuram se alguma circunstância escapa à sua teoria. Como explicarão o retrato, que ela fez, de um homem que jamais viu? "E um acaso", dirão. - Quanto à evocação, direis também que o médium não faz senão traduzir seu pensamento ou o dos assistentes, uma vez que essas circunstâncias foram ignoradas? É ainda o acaso? - Não; mas entre os assistentes havia o Sr. Guipon, autor da carta oculta e conhecedor do fato; ora, seu pensamento pôde se transmitir ao médium, pela corrente dos fluidos, tendo em vista que os médiuns estão sempre num estado de superexcitação febril, mantido e provocado pela concentração dos assistentes, e sua própria vontade; ora, nesse estado anormal, que não é outra coisa senão um estado biológico, segundo o sábio Sr. Figuier, há emanações que escapam do cérebro e dão percepções excepcionais provenientes da expansão dos fluidos que estabelecem relações entre as pessoas presentes e mesmo ausentes. Vede bem, pois, por esta explicação tão clara quanto lógica que não há necessidade de ter recursos com a intervenção de vossos pretensos Espíritos que não existem senão na vossa imaginação. -

Esse raciocínio, confessamos com toda a humildade, supera a nossa inteligência, e vos perguntaremos se vos compreendeis vós mesmos?

Enviado por: Joel Silva

domingo, 25 de outubro de 2015

Qual sua opinião?

12096546_733879593384604_1684284670875028155_n

“Antes eu queria um corpo bonito.
Hoje eu só quero um corpo saudável.
Antes eu queria uma vida de sucesso.
Hoje eu só quero uma vida normal.
Antes eu queria ...um carro zero.
Hoje se eu conseguir ir andando ta ótimo.
Antes eu reclamava da comida.
Hoje eu agradeço pelas refeições.
Antes eu queria mudar meu cabelo.
Hoje eu só quero tê-lo.
Antes eu reclamava da minha casa.
Hoje ela parece um Palácio.
Antes reclamava por tomar um remédio ruim.
Hoje eu tomo 30 comprimidos sem reclamar.
Antes eu queria engravidar.
Hoje eu quero ser mãe.
Antes reclamava das minhas cicatrizes.
Hoje elas são marcas de um milagre.
Antes não gostava de hospital, Mas ele foi minha casa por 7 longos meses.
Antes trabalhava demais e queria férias que durassem 2 anos.
Hoje faz uns 10 meses que me afastei do trabalho.
Falamos e fazemos muitas coisas sem pensar. Afinal, Somos humanos e isso tudo é natural. Mas quando vc chega no abismo, quando a morte chega perto, tudo o que vc deseja é mais uma chance. Percebe que precisa mesmo de tão pouco pra viver. Que muita coisa que desejou ou conseguiu não faz a minima diferença. Mas quem seu coração cativou. Quem amou e por quem foi amado. Nessas horas, quando sua vida nao tem mais tanto valor, o que permanece é o amor. O que fica são as lembranças de como vc viveu.
A gente nem sempre colhe o que planta. E nem sempre cada um tem o que merece. Que mal eu fiz pra ficar doente?? À quem eu causei tanto sofrimento para merecer o câncer? As coisas não funcionam assim...
Aprendi que cada um tem o que precisa.
E que nunca é tarde pra se aprender mais. Sempre há tempo pra mudar o caminho. E mesmo quando estamos no caminho certo, as vezes não enxergamos as flores. Há momentos em nossas vidas que só vemos as pedras.
As vezes Deus quer te mostrar outras belezas. Quer que você veja a paisagem, basta você mudar o ângulo da sua visão, da sua vida. Levantar os olhos e ver tudo de bom que Deus fez por você. Se levantar a cabeça ao invés de andar cabisbaixo reclamando de tudo você verá que existem outros em situação muito pior que a sua. Talvez não muito longe. Quem sabe vc pode ajudar...
Obrigada Jesus por ter mudado a minha visão.
Antes eu queria aproveitar a vida.
Hoje eu quero que Deus aproveite a minha vida.
Antes eu queria pedir.
Hoje eu só quero agradecer!”

(Texto de Laís Resende )

(Fonte: Facebook de Luciana de Oliveira p enviado por Fabiana)