sábado, 27 de agosto de 2016
Livro em estudo: Nos Bastidores da Obsessão - CONCLUSÃO - A020 – Cap. 6 – No Anfiteatro – Segunda Parte
Livro em estudo: Nos Bastidores
da Obsessão – Editora FEB - 1970
Autor: Espírito Manoel Philomeno
de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco
A020 – Cap. 6 – No Anfiteatro – Segunda Parte
CONCLUSÃO
1. O que acontecia no anfiteatro?
No antifeatro, havia um julgamento de Espíritos que
cometiam erros perante as Leis Divinas. Teofrastus que era conhecedor da
hipnose e das técnicas obsessivas, aplivava penas a esses Espíritos que eram
trazidos, mediante o argumento de que a vingança era um “dever”.
2. Por que razão a mulher
desencarnada era tão fortemente influencida por Teofrastus?
Esta mulher
possuía a culpa dentro de si mesma, perante os erros cometidos. Além de ter
cometido 6 abortos, consta no texto que vivia uma vida de “abominação” ou seja,
completamente distanciada da “responsabilidade perante os próprios atos”.
3. Que tipo de argumento
Teofrastus utilizava para prejudicar encarnados e desencarnados?
Teofrastus falava em nome da Justiça como argumento para
a vingança, sem se dar conta de que todos nós estamos amparados pela Justiça de
Divina e que a cada um segundo as suas obras.
4. Como o Espiritismo pode ser
uma eficiênte terapêutica para o Espírito?
O Espiritismo nos esclarece sobre como manter a nossa
mente higienizada de forma que impeça o assédio de Espíritos obsessores.
A prece é sempre o apoio que todos temos a nossa favor e
ao buscarmos atitudes corretas, exercendo o amor e a caridade, criamos
barreiras a influencia de Espíritos que buscam prejudicar.
“Não há força operante no mal que consiga penetrar numa
mente assepsiada pelas energias vitalizadoras do otimismo, que se adquire pela
irrestrita confiança em Deus e pela prática das ações da solidariedade e da
fraternidade.”
Um abraço a todos!
Equipe Manoel Philomeno
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Veja o vídeo AQUI
Dois homens, ambos gravemente doentes, com muitas dores, sofrendo muito, estavam no mesmo quarto de hospital.
Um deles, podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto à única janela do quarto.
O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias... Todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto, todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela.
Um deles, podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto à única janela do quarto.
O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias... Todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto, todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela.
O homem da cama do lado, aquele que não podia se mover, começou a
viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era
alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora
da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e
cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus
barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as
flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes
acariciavam a paisagem, e uma tênue vista da silhueta da cidade podia
ser vista no horizonte.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, amor e carinho, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena; viajava e sonhava com o mundo lindo visto da janela.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, amor e carinho, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena; viajava e sonhava com o mundo lindo visto da janela.
Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar.
Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a refratava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram com este lindo ato de amor.
Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser
colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a
troca. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a refratava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram com este lindo ato de amor.
Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.
Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e calmamente olhou para o lado de fora da janela... que dava, afinal, para uma parede de tijolo! Que surpresa...
O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto, lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.
A enfermeira respondeu que o homem era cego e estava muito doente, sabia que estava no fim da vida e nem sequer conseguia ver a parede:
“Talvez ele quisesse apenas dar-lhe coragem para que você pudesse suportar tantas dores e sofrimentos...”. (disse a enfermeira)
MORAL DA HISTÓRIA
Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é o dobro de alegria.
“O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que lhe chamam presente.”
E aí! Já leu?!
|
Olá, amigos!
Compartilho com vocês o livro “Fundamentação da Ciência Espírita”, editado pela Lachâtre em 2003. O autor Carlos Loeffler é espírita, radicado em Vitória/ES, professor e pesquisador da UFES, doutor em engenharia de estruturas.
Como o próprio título indica, considero que este livro apresenta uma base fundamental para quem deseja realizar pesquisa espírita de forma consistente.
Baixei o livro a partir do site da Biblioteca Virtual Espírita. O link para download é:
Abraços, Raphael
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Papo informal: a fé cega e a fé racional
Bom dia
pessoal
Gostaria
de sugerir um novo tema para debate.
A fé
cega, e a fé racional, até que ponto nós que nos denominamos espíritas
estudiosos, estamos dispostos a abrir mão de crenças enraizadas, em nome das comprovações
da ciência ou da historia.
Isso vem
me chamando a atenção em nosso meio, porque não raro percebermos renitência a
fatos comprovados, mesmo com a celebre e humilde postura tomada por Kardec
quando diz que o espiritismo é uma doutrina aberta, e que pode ser corrigida
quando houver comprovação.
O que
vocês têm enfrentado nesse aspecto? O que acham? E como devemos nos colocar
diante de um espírita que não aceita questionamentos e que muitas vezes se
coloca em "posição" superior, sem dar a chance sequer para um debate?
Abraços
Paty
--
Bom dia
todos,
Para
melhor compreensão da proposta da Paty, seria interessante e produtivo
relacionar os fatos comprovados aludidos e em desacordo com a visão ou
entendimento espírita.
Abraços,
Paulo
--
Ola Paulo
Coloquei de uma forma geral, pois tenho me deparado
com muitos assuntos, e acho que todos são importantes o debate. Mas um, por
exemplo, com o qual me deparei esta semana, foi o Evangelho de Judas, pessoas
espíritas que conheço simplesmente abominavam até mesmo a ideia de ler a
respeito, colocando a alcunha de traidor e ponto. Isso me chamou a atenção pois
pensei o seguinte: e se de fato houver uma mudança na historia de Jesus que
mudasse as visões dos fatos, o que isso impactaria para nós, estamos realmente abertos
a novos pensamentos, livres de dogmas?
Entre outras várias situações que deparo com
posições orgulhosas extremamente renitentes a possíveis mudanças, exercendo
posições de lideranças em nosso meio. Que consequências teremos disso?
Então resolvi propô-los a uma conversa, para ouvir
demais opiniões que sempre me parecem muito lúcidas e eficazes, principalmente
quanto a como devemos nos comportar diante dessas vertentes.
Abraços
Paty
--
Olá, Paty
Veja, eu entendi que o essencial de suas colocações
se refere muito mais a comportamentos e atitudes de algumas pessoas, uma
espécie de aversão ao simples exame de teses e novas possibilidades, do que a
fatos comprovados que pudessem se contrapor às nossas “verdades”.
Penso que isso é normal, próprio da natureza humana,
vamos encontra-los em qualquer ambiente que frequentemos, pois as religiões,
doutrinas, seitas também abrigam todo tipo de indivíduos, consciências abertas,
fechadas, humildes, arrogantes, boas e más, refletem em ponto pequeno a
diversidade do planeta e o Espiritismo não é uma exceção. Concordo que Kardec
alertou sobre isso, mas alguns seguem e outros não, nessa hora fala mais alto a
imperfeição do ser; se temos dificuldades em mudar a nós mesmos, que dirá mudar
o outro.
Particularmente adoro temas instigantes e me sinto
mais espírita do que nunca agindo assim, sendo confrontado naquilo que até
então entendia como pacificado, acima de qualquer dúvida. Mas se outras pessoas
pensam diferente, não vou bater de frente, não será um ponto de discórdia e vou
procurar aqueles dispostos a debater, estudar junto comigo essas questões. Você
sempre poderá propor a todo o grupo, mas não espere unanimidade, ela
dificilmente virá. A consequência disso é a manutenção do livre arbítrio, não
podemos esquecer que nosso aperfeiçoamento se dá no coletivo, mas é
individualmente que crescemos. Não sei se isso ajuda, mas é a minha
contribuição. :)
Abraço,
Paulo
--
Gostei Paulo,
Também gosto dos temas instigantes, investigativos,
de muita pesquisa e observação, não gosto do prontinho, do resumido, e quanto
mais melhor. Isso é que nos faz evoluir, crescer, conhecer.
Infelizmente realmente temos que respeitar e considerar o nível de cada um, mas confesso que parece que sinto minhas asas amarradas quando me deparo com essas situações.
Infelizmente realmente temos que respeitar e considerar o nível de cada um, mas confesso que parece que sinto minhas asas amarradas quando me deparo com essas situações.
E confesso que acho extremamente prejudicial ao
movimento esse perfil radical adotado por dirigentes de estudo e muitas vezes
como filosofia geral de algumas casas, fazendo o tal igrejismo espirita.
Esquecendo totalmente dos demais aspectos
doutrinários da ciência e filosofia.
Outro assunto que escutei verdadeiras aversões e abominação
total do debate, foi Transcomunicação instrumental.
Abraços
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Estudo dirigido: O Evangelho segundo o Espiritismo
------------------------------------------------------------------------------------------
EESE – Cap. XV – Itens de 4 a 7
Tema: O mandamento maior
Necessidade da caridade, segundo S. Paulo
-----------------------------------------------------------------------------------------
EESE – Cap. XV – Itens de 4 a 7
Tema: O mandamento maior
Necessidade da caridade, segundo S. Paulo
------------------------------
A - Texto de Apoio:
O mandamento maior
4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: -Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)
5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: "E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro" , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
6. Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios
anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; -ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E, quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.
A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.
Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade (S. PAULO, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.)
7. De tal modo compreendeu S. Paulo essa grande verdade, que disse: Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé. É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular.
Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.
B - Questões para estudo e diálogo virtual:
1 – Comente a frase: “Caridade e humildade, tal a senda única da salvação”.
2 – Dentre as virtudes, por que a caridade é colocada acima até mesmo da fé?
3 – Extraia do texto acima a frase ou parágrafo que mais gostou e justifique.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Livro em estudo: Nos Bastidores da Obsessão - A020 – Cap. 6 – No Anfiteatro – Segunda Parte
Livro em estudo: Nos Bastidores
da Obsessão – Editora FEB - 1970
Autor: Espírito Manoel Philomeno
de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco
Não havia tempo para maiores elucubrações, pois nesse
momento deu entrada no recinto singular cortejo formado por um grupo grotesco,
estranhamente vestido, sustentando um sólio sob colorido pálio, em cujo assento
se encontrava hedionda personagem. Trajando roupa de cor berraste, que variava
do arroxeado ao negro, ostentava grosseiro paludamento que lhe caia dos ombros
e era sustido pelo braço esquerdo. O semblante aberto num sorriso que mais
parecia um esgar, não ocultava a ferocidade brilhante nos dois olhos quase
oblíquos, que se destacavam na face gorda e macilenta, sob uma testa larga, de
raros fios de cabelos empastados... Bigodes abundantes se perdiam nas suíças
extravagantes, completando a visão terrificante e macabra.
O préstito bizarro voluteou por três vezes o picadeiro e se aquietou ao centro,
transferindo-se o temível doutor Teofrastus para um palanque adredemente
armado, com gestos vulgares e ridículos. Houve um súbito silêncio feito de
expectativa e receio.
Voltando-se para a multidão, começou a falar, através de
um microfone que levava a sua voz às galerias, por meio de vários projetores de
som, de alta potência.
As palavras duras e impiedosas exprobravam os que se
atemorizavam ante o cumprimento do «dever
da vingança», explodindo ameaças e exibindo toda a prepotência de que se
supunha possuir.
O silêncio era aterrador. Nenhum som, nenhuma
galhofa, exceto, de quando em quando, alguns gritos de terror que partiam das
arquibancadas...
— Temos hoje um caso de Justiça... — reticenciou.
E para fazer-se mais temerário, apostrofou:
— Julgaremos uma criminosa que chegou da Terra para os
nossos presídios, há quase um ano...
Apareceram os que se poderiam chamar jurados, que tomaram lugar em assentos reservados, um acusador, duas testemunhas — uma de lamentável aspecto Iacerado, e a outra, apenas
uma pasta informe, perispiritual, estiolada, que, mantida numa cesta
nauseante, foi colocada sobre uma mesa, em destaque, no centro do proscênio.
Algemada e atada a uma corrente, jovem mulher de uns
quase 35 anos foi trazida, acolitada por dois guardas e conduzida ao palco da
triste encenação.
O semblante desencarnado e a expressão de loucura deformavam-na
em grande parte. Andrajosa e imunda, quase rastejava, minada pela ausência de
forças.
O simulacro de julgamento era decerto confrangedor.
A infeliz relanceou os olhos baços várias vezes, traduzindo
o quanto de sofrimento lhe invadia o ser.
O acusador, empertigado e ferino, narrou:
— Esta mulher vem da Terra, após uma vida de abominação.
«Enganando-se, quanto pôde, entregou-se a toda espécie
de prazeres, assistida de perto por diversos cooperadores da nossa
Organização, após os seus primeiros crimes.
«Tendo oportunidade de fazer-se mãe, seis vezes consecutivas,
delinqüiu em todas elas, evadindo-se, pelo infanticídio, a qualquer
responsabilidade para com os próprios atos.
«Na última vez, fez-se vítima da própria leviandade e
desencarnou após terrível e demorada hemorragia que lhe roubou toda
possibilidade de sobrevivência.
«Dentre os a quem ela impediu voltassem à carne, aqui
estão duas vítimas suas, em diferentes estados: um conseguiu retomar a forma
anterior, mas apresenta os sinais das lâminas que lhe romperam o corpo em
formação; o outro ainda dorme, hibernado, na forma desfigurada, graças ao
despedaçamento sofrido, no ato do aborto.
«Logo despertou, porém, no túmulo, alguns dias após o
desenlace, acreditando-se viva no corpo — ignorante das realidades espirituais
—, um soldado nosso deu-lhe «voz de prisão» pelos crimes cometidos e, algemando-a,
trouxe-a ao cárcere, em que tem estado até este momento.
«A sua primeira vítima,
que pertencia aos nossos quadros, apresentou queixa, há muito, o que nos
levou a assisti-la por alguns anos e agora nos reunimos para fazer justiça. »
O pobre espírito assistia a tudo, quase sem se aperceber.
Parecia semidesvairado, recolhendo a muito esforço mental algumas expressões
esparsas, que no entanto não conseguia coordenar...
Os insultos e doestos choviam, atirados em abundância.
A testemunha fez
chocante narração, várias vezes interrompida pelo vozerio das galerias, após o
que, uma voz se destacou na bulha, anunciando o veredicto:
— Culpada!
Gargalhadas estridentes espoucaram de todos os lados.
O Dr. Teofrastus ergueu-se e, depois de receber mesuras
dos comparsas, sentenciou:
— Façamos com ela, o que no íntimo sempre foi: uma loba!
Acercou-se da sofrida entidade e, fitando-a, escarnecedor,
passou a ofendê-la, vilmente.
A vítima não apresentou qualquer reação. Era como se a
sua visão se encontrasse longe, a fixar as evocações dos abortos delituosos a
que se entregara nos dias de insensatez, que ficaram para trás, mas que não se
consumiram...
Obrigando-a a ajoelhar-se, enquanto lhe estrugia no dorso
longo chicote sibilante, ordenou, de voz estertorada:
— Víbora infeliz! Devoradora dos próprios filhos! Toma a
tua forma... a que já tens na mente atormentada.
“A tua justiça é a tua consciência... Obedece, serpente
famélica!»
A voz, impregnada de pesadas vibrações deletérias e
vigorosas, dobrava os centros de parca resistência perispiritual da
atormentada, e, diante dos nossos olhos, ao comando do sicário cruel, que se
utilizava de processos hipnóticos deprimentes, atuava no subconsciente perispiritual abarrotado de remorso da infanticida,
imprimindo-lhe a tragédia da mutação da forma, num horrendo fenômeno de
licantropia, dos mais lacerantes...
Choros convulsivos e gritos irromperam simultâneos das
arquibancadas. A altercação foi geral. Repentinamente escutaram-se cirenes de
alarme, e a perturbação se fez total...
Saturnino, a meia voz, buscou acalmar-nos, aduzindo
explicações:
— A visão horrenda para todos nós produziu em algumas
centenas de reencarnados aqui presentes, constringidos pelas forças obsessivas
nas quais se encontram subjugados aos seus verdugos, choques muito profundos e
violentos, que os recambiaram inopinadamente ao corpo — abençoada cidadela de
defesa que a vida nos concede para aprender e recomeçar...
— Despertarão, extremunhados, esses espíritos, mesmo os
que conservam a demência nos registros da consciência retornando de estranhos e
terríveis pesadelos, banhados por álgidos suores, amedrontados, chorosos,
desesperados...
E desejando esclarecer-nos com as sábias lições, continuou,
enquanto os distúrbios prosseguiam:
— Nesse sentido, é que o conhecimento do Espiritismo
realiza a melhor terapêutica para o espírito, higienizando-lhe a mente,
animando-o para o trabalho reto e atitudes corretas e sobretudo dulcificando-o
pelo exercício do amor e da caridade, como medidas providenciais de
reajustamento e equilíbrio. Não há força operante no mal que consiga penetrar
numa mente assepsiada pelas energias vitalizadoras do otimismo, que se adquire
pela irrestrita confiança em Deus e pela prática das ações da solidariedade e
da fraternidade.
E dando mais ênfase ao ensino, arrematou:
— Aliando o esforço que cada um deve envidar a benefício
próprio, a prece é a fonte inexaurível que irriga o ser, renovando-o e
aprimorando-o, ensejando também, logo após depurar-se, a plainar além dos
reveses e tropelias, arrastado pelas sutis modulações das Esferas Superiores
da Vida, onde haure vitalidade e força para superar todos os empeços.
Paulatinamente a ordem
foi restabelecida, conquanto a evasão dos encarnados fosse muito
expressiva, na busca desesperada de refúgio nos corpos.
A cena estranha Continuou por mais alguns momentos e o
atormentado espírito da mulher-lobo foi, por determinação do chefe, remetido ao interior para ser colocado
em defesa do anfiteatro.
Houve, ainda, algumas outras demonstrações de hipnose
elementar e grosseira, porém de efeito na multidão, atônita, quando o
espetáculo foi encerrado, após a saída do infame séquito e do seu famanaz.
Um tanto deprimidos, saímos, também, e voltando a
respirar o hálito da Natureza, quando chegamos àpraça em que se encontrava a
União Espírita Baiana, depois da Jornada pelo mesmo processo, adentramo-nos,
para receber energias revitalizantes e esclarecimentos finais do vigilante
Benfeitor.
Recompondo o círculo e carinhosamente recebidos pelos que
ficaram, fomos concitados à oração, após o que Saturnino, empenhado em
esclarecer-nos, elucidou, pausado:
— Aparentemente, os infelizes companheiros que mourejam no
Anfiteatro constituem segura organização a serviço do mal. Adestrados na
prática da ignomínia, supõem-se preparados para investir contra os espíritos
atormentados que gravitam em ambos os lados da vida, imanados às paixões que os
consomem, paixões cujo comportamento facilmente sintonizam com eles e outros
afins, caindo-lhes nas malhas vigorosas que, em última análise, se transformam
em instrumentos de que se utiliza a Lei Divina para corrigir os que ainda
preferem os tortuosos caminhos... Muito tempo se passará até que as Leis de
Amor, Leis da Vida, portanto, se estabeleçam em definitivo entre nós... Convém
considerar que só o bem tem características de perfeição, por ser obra de Deus,
que é Perfeito. O mal, engendrado pelo espírito atribulado, opera por métodos
de violência e, dessa forma, é falho, o que atesta a sua procedência. Não fosse
isso e não nos poderíamos ter adentrado no recinto das intervenções malignas,
pois que o. psicovibrômetro ter-nos-ia
denunciado... À semelhança de um contacto Geiger que detecta a radioatividade,
o psicovibrômetro obedece ao mesmo
princípio, tendo, porém, as características magnéticas que registam a
psicosfera dos que dele se acercam, detectando as vibrações mais suaves que,
então, disparam a agulha que incide numa “relay” que, por sua vez, comanda um
circuito de alarmes espalhados nas dependências adjacentes...
Como procuramos sintonizar com o meio ambiente em que
nos encontrávamos e aspirando os mesmos resíduos espalhados no ar, mergulhamos,
naturalmente, em densas ondas de baixo teor vibratório que nos envolveram a
todos, sendo que nós, Ambrósio e Glauco, passamos a sofrer os mal-estares
compreensíveis, a que Guilherme por sintonia constante está habituado e os
demais encarnados do Grupo, graças à condição do corpo orgânico não
experimentaram maior choque, permanecendo, momentaneamente, no mesmo teor de
energias deprimentes, que impediram a oscilação da agulha de registro do
aparelho... Fosse, porém, o inverso, isto é: se o aparelho detectasse vibrações
de baixo tom vibratório, nenhuma Entidade das que ali se encontravam, desejando
violar recintos Superiores, poderia sutilizar o padrão da sua psicosfera para
criar condição mais elevada. Sem dúvida que toda ascensão é lenta e áspera...
Agradeçamos, portanto, ao Senhor. Teremos ensejo de retornar ao Anfiteatro,
oportunamente, para prosseguir observações e tarefas, quando, então, o irmão
Glauco desempenhará função específica junto ao nosso irmão Teofrastus...
Os trabalhos foram encerrados quando os primeiros raios
da Alva venciam a teimosia da noite.
Reconduzidos ao corpo, particularmente nossa pessoa
conservou lembranças dolorosas e angustiantes. O dia nos foi de inquietação e
distonia emocional, como se a noite nos houvesse ofertado cruéis pesadelos, de
cuja visão confusa não nos podíamos libertar.
Texto complementar para nosso esclarecimento:
Zoantropia
-1. Perturbação mental em que o enfermo
se acredita convertido num animal. 2. Metamorfose
perispirítica, através de processo de indução hipnótica, em que o Espírito
desencarnado, ainda inferiorizado, ganha a forma
animalesca.
Em
‘O Livro dos Médiuns’, cap. VI, temos:
30ª Poderiam os Espíritos
apresentar-se sob a forma de animais?
“Isso pode dar-se;
mas somente Espíritos muito inferiores tomam essas aparências. Em caso algum,
porém, será mais do que uma aparência momentânea. Fora absurdo acreditar-se que
um qualquer animal verdadeiro pudesse ser a encarnação de um Espírito. Os
animais são sempre animais e nada mais do que isto.”
André Luiz no livro
‘Nos Domínios da Mediunidade, cap. 13:
A obsessão é sinistro conúbio da mente
com o desequilíbrio comum às trevas. Pensamos, e imprimimos existência ao
objeto idealizado. A resultante visível de nossas cogitações mais íntimas
denuncia a condição espiritual que nos é própria, e quantos se afinam com a
natureza de nossas inclinações e desejos aproximam-se de nós, pelas amostras de
nossos pensamentos.
Se persistimos nas esferas mais baixas
da experiência humana, os que ainda jornadeiam
nas linhas da animalidade nos procuram, atraídos pelo tipo de nossos
impulsos inferiores, absorvendo as substâncias mentais que
emitimos e projetando sobre nós os elementos de que se fazem portadores.
Imaginar é criar.
E toda criação tem vida e movimento,
ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E
como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é
indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devamos
receber.
Quem apenas mentalize angústias e
crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria
alma outras imagens que não sejam as da desarmonia
e do sofrimento?
QUESTÕES PARA ESTUDO E DIÁLOGO VIRTUAL
1. O que acontecia no anfiteatro?
2. Por que razão a mulher
desencarnada era tão fortemente influencida por Teofrastus?
3. Que tipo de argumento
Teofrastus utilizava para prejudicar encarnados e desencarnados?
4. Como o Espiritismo pode ser
uma eficiênte terapêutica para o Espírito?
Um abraço a todos!
Equipe Manoel Philomeno
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
domingo, 21 de agosto de 2016
Assinar:
Postagens (Atom)