Eu fui plantonista do CVV
Enéas*
Ser plantonista do CVV – Centro de Valorização da Vida - é uma das coisas mais divinas. Amor Incondicional, além de tudo humilde, de coração para coração, não alardeado, no anonimato. O crescimento é íntimo, interior, em doses homeopáticas, silenciosamente, para a eternidade, sem ninguém notar. Só Deus.
Ah, se em cada cidade do mundo tivesse um CVV aberto, funcionando como deve funcionar, acho que as pressões individuais e coletivas seriam amenizadas.
Hoje, os procedimentos devem estar muito aprimorados, mas, estou certo de que o Amor Incondicional, em toda a extensão do termo, é a grande motivação dos plantonistas.
Logo que ingressei na FDJ (Fraternidade dos Discípulos de Jesus), desabafei para um colega: “agora estou me sentido um cristão”. Ao que ele me afirmou: “tu só te sentirás um cristão se te tornares um plantonista do CVV”.
Corri e me tornei um plantonista. Um ano depois, confirmei ao meu colega a exatidão das suas palavras naquela ocasião.
Sempre senti que o CVV é uma escola de honestidade, de honradez, de simples e profunda cidadania, sem alarde.
Cada tilintar do telefone, ou, hoje, do acesso eletrônico, é um encontro de sentimentos. Pelos sentimentos é que somos selecionados por Deus.
A inspiração para o servidor do CVV é Bíblica: Parábola do Bom Samaritano.
Aquele que se impregnar das vibrações dessa parábola terá tudo para ser um cidadão benéfico para toda a Humanidade.
O Céu está sempre nos espreitando...
O CVV e a Aliança sempre andaram juntos em minha vida. As vivências em ambos os Movimentos sempre foram ricos exemplares de valores morais elevados.
Que Deus nos abençoe sempre para não desmerecermos.
É preciso muita vigilância, muitos esforços para manter o exato cumprimento dos deveres assumidos, permanente boa vontade para ler bons livros atinentes ao aperfeiçoamento dos diálogos, boa vontade para estudar, meditar, aperfeiçoar-se, porque o “atendimento” não é brincadeira. É sempre assunto sério. E a fraternidade entre os plantonistas deve ser sempre cuidada com carinho, não pode ser de outro jeito!
Com o CVV o Globo Terrestre torna-se pequeno, encurta-se. Como eu sinto falta deste trabalho!
Enéas é o pseudônimo usado pelo caro irmão durante os plantões de trabalho no CVV
(Fonte: http://www.alianca.org.br/v2/banco_downloads/trevo_marco_2012.pdf)
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
terça-feira, 21 de abril de 2009
Biografia: Timóteo
Junto ao espírito Erasto, ele disserta no item 225 de O livro dos médiuns, acerca do papel do médium nas comunicações.
Dá-nos "Atos dos Apóstolos" a informação de que ele era filho de uma mulher judia e de pai gentio. Na obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, "Paulo e Estevão", contudo, o espírito Emmanuel é pródigo em detalhes a respeito desse a quem Paulo de Tarso chamava de "amado filho na fé". 2
Quando Paulo chegou a Listra foi à casa de Lóide, recomendado pelo irmão daquela, que residia em Icônio. Viúva de um grego abastado, ela vivia em companhia de sua filha Eunice, também viúva e o neto adolescente de 13 anos.
Recebidos Paulo e Barnabé, com inexcedível carinho, em casa de Lóide, naquela mesma noite o apóstolo tarsense pôde observar a ternura com que o rapazola fazia a leitura dos pergaminhos da Lei de Moisés e dos Livros Sagrados dos Profetas. Ao ouvir falar a respeito de Jesus, Timóteo, inteligente e de generosos sentimentos, demonstrou grande interesse, o que levou Paulo a acariciar-lhe a fronte pensativa, várias vezes.
No dia seguinte, o rapaz passou a fazer inúmeras interrogações e, enquanto ele cuidava das cabras, Paulo aproveitou para conversar longamente a respeito da Boa Nova de que era portador. Alguns dias depois, Paulo fundou na cidade o primeiro núcleo do Cristianismo, em humilde casa. O pequeno Timóteo era quem auxiliava em todos os misteres, na recepção dos enfermos e demais necessitados, na ordem, na disciplina.
Em uma das pregações públicas, Timóteo assistiu aterrado o amigo querido ser apedrejado pela população, incitada pelos administradores da pequenina cidade. Desejou intervir, salvando-o, mas prudentemente foi detido por companheiro ponderado que lhe fez ver a inconveniência de se expor, sem nada verdadeiramente poder fazer ante a multidão enfurecida e muito bem conduzida por mentes ardilosas.
No entanto, é ele mesmo que, após acompanhar por vielas extensas, a turba exaltada depositar o corpo do Apóstolo no monturo, distante dos muros de Listra, se aproxima, na sombra da noite para socorrê-lo. Dispensa-lhe os primeiros socorros, buscando água fresca em poço próximo. Depois, banhado em lágrimas, fica ao seu lado, aguardando que desperte do profundo desmaio.
Timóteo, oportunamente, passaria a acompanhar Paulo de Tarso em suas viagens, desejoso de se consagrar ao serviço de Jesus, iluminando o seu coração e a sua inteligência. A caminho da Macedônia, separaram-se ele e Lucas de Paulo, a pedido daquele, tornando a se encontrarem mais tarde.
Para as viagens apostólicas, a fim de evitar as tricas judaicas e eventualmente provocar atritos nas suas tarefas iniciais, Timóteo submeteu-se, a conselho do próprio Paulo, à circuncisão, demonstrando a capacidade de ajustar-se ao que fosse necessário para servir a Jesus.
Timóteo é convidado pelo apóstolo de Tarso a estar com ele, quando da redação das suas famosas epístolas, "cuja essência espiritual provinha da esfera do Cristo"1, e que não serviram somente para a comunidade para a qual foram escritas, mas à cristandade universal.
Esteve com Paulo em Roma, quando este foi prisioneiro dos romanos. Seguiu-o até a Espanha, junto com Lucas e Demas. Demorou-se mais na região de Tortosa, visitou parte das Gálias, auxiliando na conquista de novos corações para o Cristo e multiplicando os serviços do Evangelho. Afeiçoado a Paulo, Timóteo foi por ele encarregado em mais de uma oportunidade, a levar mensagens para as comunidades cristãs nascentes. Assim, da Espanha partiu para a Ásia, carregado de cartas e recomendações amigas.
Quando Paulo de Tarso retornou a Roma, a pedido de Simão Pedro, escreveria tomado de singulares emoções as últimas disposições ao filho do coração, Timóteo: "Apressa-te a vir ter comigo. (...) Só Lucas está comigo. (...) Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (...) Apressa-te a vir antes do inverno. (...)"2
Roga ainda os seus bons ofícios para que João Marcos venha a Roma, a fim de o auxiliar no serviço apostólico. Lucas é o encarregado de expedir a Epístola e percebe os lúgubres pressentimentos que tomam de assalto o velho Apóstolo.
Em verdade, Timóteo não chegou a rever Paulo na vida física, mas guardou n'alma as suas últimas exortações: "Foge das paixões da juventude, segue a justiça, a fé, a esperança , a caridade e a paz com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro.(...)"
"Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Jesus-Cristo; e o que ouviste de mim, diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.(...)"
"Esforça-te por te apresentares a Deus digno de aprovação, como um operário que não tem de que se envergonhar, que distribui retamente a palavra da verdade. (...)"
*
1 - XAVIER, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estevão , cap. IV a X
2 - Bíblia Sagrada - I Epístola a Timóteo
3 - Bíblia Sagrada - II Epístola a Timóteo
4 - Bíblia Sagrada _ Atos dos Apóstolos
*
Fonte: www.espirito.org.br
Dá-nos "Atos dos Apóstolos" a informação de que ele era filho de uma mulher judia e de pai gentio. Na obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, "Paulo e Estevão", contudo, o espírito Emmanuel é pródigo em detalhes a respeito desse a quem Paulo de Tarso chamava de "amado filho na fé". 2
Quando Paulo chegou a Listra foi à casa de Lóide, recomendado pelo irmão daquela, que residia em Icônio. Viúva de um grego abastado, ela vivia em companhia de sua filha Eunice, também viúva e o neto adolescente de 13 anos.
Recebidos Paulo e Barnabé, com inexcedível carinho, em casa de Lóide, naquela mesma noite o apóstolo tarsense pôde observar a ternura com que o rapazola fazia a leitura dos pergaminhos da Lei de Moisés e dos Livros Sagrados dos Profetas. Ao ouvir falar a respeito de Jesus, Timóteo, inteligente e de generosos sentimentos, demonstrou grande interesse, o que levou Paulo a acariciar-lhe a fronte pensativa, várias vezes.
No dia seguinte, o rapaz passou a fazer inúmeras interrogações e, enquanto ele cuidava das cabras, Paulo aproveitou para conversar longamente a respeito da Boa Nova de que era portador. Alguns dias depois, Paulo fundou na cidade o primeiro núcleo do Cristianismo, em humilde casa. O pequeno Timóteo era quem auxiliava em todos os misteres, na recepção dos enfermos e demais necessitados, na ordem, na disciplina.
Em uma das pregações públicas, Timóteo assistiu aterrado o amigo querido ser apedrejado pela população, incitada pelos administradores da pequenina cidade. Desejou intervir, salvando-o, mas prudentemente foi detido por companheiro ponderado que lhe fez ver a inconveniência de se expor, sem nada verdadeiramente poder fazer ante a multidão enfurecida e muito bem conduzida por mentes ardilosas.
No entanto, é ele mesmo que, após acompanhar por vielas extensas, a turba exaltada depositar o corpo do Apóstolo no monturo, distante dos muros de Listra, se aproxima, na sombra da noite para socorrê-lo. Dispensa-lhe os primeiros socorros, buscando água fresca em poço próximo. Depois, banhado em lágrimas, fica ao seu lado, aguardando que desperte do profundo desmaio.
Timóteo, oportunamente, passaria a acompanhar Paulo de Tarso em suas viagens, desejoso de se consagrar ao serviço de Jesus, iluminando o seu coração e a sua inteligência. A caminho da Macedônia, separaram-se ele e Lucas de Paulo, a pedido daquele, tornando a se encontrarem mais tarde.
Para as viagens apostólicas, a fim de evitar as tricas judaicas e eventualmente provocar atritos nas suas tarefas iniciais, Timóteo submeteu-se, a conselho do próprio Paulo, à circuncisão, demonstrando a capacidade de ajustar-se ao que fosse necessário para servir a Jesus.
Timóteo é convidado pelo apóstolo de Tarso a estar com ele, quando da redação das suas famosas epístolas, "cuja essência espiritual provinha da esfera do Cristo"1, e que não serviram somente para a comunidade para a qual foram escritas, mas à cristandade universal.
Esteve com Paulo em Roma, quando este foi prisioneiro dos romanos. Seguiu-o até a Espanha, junto com Lucas e Demas. Demorou-se mais na região de Tortosa, visitou parte das Gálias, auxiliando na conquista de novos corações para o Cristo e multiplicando os serviços do Evangelho. Afeiçoado a Paulo, Timóteo foi por ele encarregado em mais de uma oportunidade, a levar mensagens para as comunidades cristãs nascentes. Assim, da Espanha partiu para a Ásia, carregado de cartas e recomendações amigas.
Quando Paulo de Tarso retornou a Roma, a pedido de Simão Pedro, escreveria tomado de singulares emoções as últimas disposições ao filho do coração, Timóteo: "Apressa-te a vir ter comigo. (...) Só Lucas está comigo. (...) Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (...) Apressa-te a vir antes do inverno. (...)"2
Roga ainda os seus bons ofícios para que João Marcos venha a Roma, a fim de o auxiliar no serviço apostólico. Lucas é o encarregado de expedir a Epístola e percebe os lúgubres pressentimentos que tomam de assalto o velho Apóstolo.
Em verdade, Timóteo não chegou a rever Paulo na vida física, mas guardou n'alma as suas últimas exortações: "Foge das paixões da juventude, segue a justiça, a fé, a esperança , a caridade e a paz com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro.(...)"
"Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Jesus-Cristo; e o que ouviste de mim, diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.(...)"
"Esforça-te por te apresentares a Deus digno de aprovação, como um operário que não tem de que se envergonhar, que distribui retamente a palavra da verdade. (...)"
*
1 - XAVIER, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estevão , cap. IV a X
2 - Bíblia Sagrada - I Epístola a Timóteo
3 - Bíblia Sagrada - II Epístola a Timóteo
4 - Bíblia Sagrada _ Atos dos Apóstolos
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Fonte: www.espirito.org.br
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Experiência pessoal: Trabalhando com moradores de rua
Trabalhando com moradores de rua
Já faz uma época boa, melhor nem dizer o quanto, que tive a experiência de vivenciar, de forma voluntária, o trabalho realizado com os moradores de rua.
Morava em São Paulo, fazia pós-graduação, trabalhava e, ainda não era espírita, por isso ante algumas dificuldades sentimentais, estava meio perdida na vida. E, como sempre, nesses momentos, há uma alma caridosa, esta pegou-me pela mão e levou-me a uma Casa Espírita perto do local onde morava.
Lá, após Atendimento Fraterno, passei a realizar o tratamento de fluidoterapia, com a audição da Reunião Pública e a tomada de passe.
Acabado o tempo, continuei a frequentar as Reuniões Públicas, porque me faziam bem. Ia, claro, na qualidade de descompromissada, até o dia em que o recepcionista faltou ao trabalho e, como eu estava sempre por ali, me pediram para fazer a recepção da casa, era algo super simples: dar boa noite aos chegantes, entregar um folheto com uma mensagem de teor edificante e anotar na cadernetinha de tratamento, a sua realização naquela data.
No papo vai, papo vem... Falaram do trabalho que era realizado pela Casa, tratava-se de, toda sexta-feira, a partir das 20h, um grupo que saia em caravana distribuindo um sopão, cobertores, assistência aos moradores de rua da região dos Campos Elíseos e Santa Cecília.
Claro, fui conhecer para saber qual era.
Lá chegando, tinha que estar às 19h, tinha uma turma de Senhoras alegres, simpáticas e carinhosas, que já tinham terminado com o preparo da sopa, que haviam começado às 16h30, e aguardavam a turma jovem para auxiliar a colocá-la nos potinhos de margarina, separar em várias caixas, buscar o pão fornecido pela padaria do outro quarteirão e separá-lo também nas várias caixas, pois iriam para diversos carros. Os jovens alegres, conversadores, papeadores, fazendo a tarefa e alguns adultos intermediários entre a juventude e a meia-idade, e que eram os responsáveis pela moçada durante a caravana.
Um ambiente simpático e acolhedor, que convidava mesmo, a quem ali chegasse, a ficar e aderir ao trabalho. Além, claro, de uma sopa, que nunca mais irei tomar uma igual, por mais que seja feita com amor e carinho, aquela sopa tinha um gostinho diferente, um gostinho a mais.
Entrei no clima e no auxílio e às 20h, lá partia a caravana... Primeira parada...segunda..., terceira..., quarta... E, às 24h, término das paradas e retorno à Casa Espírita, onde a turma se reunia para a avaliação e prece.
E eu percebi quantas histórias de vida, quantas vivências de tristezas, lamentações, choramingos, esperanças, orgulho, vaidade, soberba, de tudo um pouco; quantas carências, maiores do que as econômicas, quantos sonhos desfeitos pelas variadas formas de egoismo, orgulho, vícios, defeitos, quantas esperanças acabadas; mas também quanto aprendizado, quanto calor humano, quanto exemplo de resignação e de luta pela sobrevivência...!
Dentro disso tudo, marcou-me muito, até hoje lembro de forma clara e nítida, o senhorzinho Pernambuco, que sempre nos saudava: "Boa, Molecada! O dia hoje está (frio, calor, mais ou menos...) e está bravo aguentar as ruas sozinho. Que bom que chegaram. Qual a mensagem de hoje?"
E, de cada mensagem, surgia uma história de vida, uma história para pensarmos, uma história que nos fazia ver, ao final da noite, em nossas avaliações, que, na realidade, quem tinha confortado, quem tinha auxiliado, a um ou a outro, era o Senhorzinho Pernambuco, que, entre uma colher e outra do sopão e do pedaço de pão, nos passava grandes lições de vida, que, até hoje, vez por outra, em alguma situação, a lembrança do Senhorzinho Pernambuco vem à mente, não das histórias, que se esvairam pelo tempo, mas dele mesmo, que com sua própria lembrança, até hoje, muitas vezes é fonte de 'Olhe pra cima!', 'Ame!', 'Mantenha a esperança!"e tantas outras positivas e sábias para que a jornada encarnatória seja um cadinho produtiva de verdade.
Só pra constar, o Senhorzinho Pernambuco, após seis meses de convívio semanal, desencarnou; nunca soubemos qual era seu nome, mas ele, com seus ensinamentos, continuou a permear o trabalho que realizávamos. E, para mim, continua até hoje.
Foi um trabalho de entrada efetiva e real na busca de maiores conhecimentos da Doutrina Espírita e que me auxiliou a fazer algumas importantes transformações em mim mesma. Embora, atualmente, não realize mais trabalho nesse setor, porque vamos crescendo, buscando novos horizontes; é um trabalho que permanecerá sempre comigo na lembrança e principalmente no coração e, até hoje, muitas vezes, diante de dificuldades, é esse o trabalho, com suas lembranças, vivências e aprendizados, que me auxilia e me impulsiona a ir adiante.
E, por isso, digo: vale a pena nos engajarmos em um desses projetos sociais. Só temos a ganhar em amadurecimento de sentimentos e emoções.
(Lu Francis é membro das Equipes CVDEE e Espiritismo.Net)
Já faz uma época boa, melhor nem dizer o quanto, que tive a experiência de vivenciar, de forma voluntária, o trabalho realizado com os moradores de rua.
Morava em São Paulo, fazia pós-graduação, trabalhava e, ainda não era espírita, por isso ante algumas dificuldades sentimentais, estava meio perdida na vida. E, como sempre, nesses momentos, há uma alma caridosa, esta pegou-me pela mão e levou-me a uma Casa Espírita perto do local onde morava.
Lá, após Atendimento Fraterno, passei a realizar o tratamento de fluidoterapia, com a audição da Reunião Pública e a tomada de passe.
Acabado o tempo, continuei a frequentar as Reuniões Públicas, porque me faziam bem. Ia, claro, na qualidade de descompromissada, até o dia em que o recepcionista faltou ao trabalho e, como eu estava sempre por ali, me pediram para fazer a recepção da casa, era algo super simples: dar boa noite aos chegantes, entregar um folheto com uma mensagem de teor edificante e anotar na cadernetinha de tratamento, a sua realização naquela data.
No papo vai, papo vem... Falaram do trabalho que era realizado pela Casa, tratava-se de, toda sexta-feira, a partir das 20h, um grupo que saia em caravana distribuindo um sopão, cobertores, assistência aos moradores de rua da região dos Campos Elíseos e Santa Cecília.
Claro, fui conhecer para saber qual era.
Lá chegando, tinha que estar às 19h, tinha uma turma de Senhoras alegres, simpáticas e carinhosas, que já tinham terminado com o preparo da sopa, que haviam começado às 16h30, e aguardavam a turma jovem para auxiliar a colocá-la nos potinhos de margarina, separar em várias caixas, buscar o pão fornecido pela padaria do outro quarteirão e separá-lo também nas várias caixas, pois iriam para diversos carros. Os jovens alegres, conversadores, papeadores, fazendo a tarefa e alguns adultos intermediários entre a juventude e a meia-idade, e que eram os responsáveis pela moçada durante a caravana.
Um ambiente simpático e acolhedor, que convidava mesmo, a quem ali chegasse, a ficar e aderir ao trabalho. Além, claro, de uma sopa, que nunca mais irei tomar uma igual, por mais que seja feita com amor e carinho, aquela sopa tinha um gostinho diferente, um gostinho a mais.
Entrei no clima e no auxílio e às 20h, lá partia a caravana... Primeira parada...segunda..., terceira..., quarta... E, às 24h, término das paradas e retorno à Casa Espírita, onde a turma se reunia para a avaliação e prece.
E eu percebi quantas histórias de vida, quantas vivências de tristezas, lamentações, choramingos, esperanças, orgulho, vaidade, soberba, de tudo um pouco; quantas carências, maiores do que as econômicas, quantos sonhos desfeitos pelas variadas formas de egoismo, orgulho, vícios, defeitos, quantas esperanças acabadas; mas também quanto aprendizado, quanto calor humano, quanto exemplo de resignação e de luta pela sobrevivência...!
Dentro disso tudo, marcou-me muito, até hoje lembro de forma clara e nítida, o senhorzinho Pernambuco, que sempre nos saudava: "Boa, Molecada! O dia hoje está (frio, calor, mais ou menos...) e está bravo aguentar as ruas sozinho. Que bom que chegaram. Qual a mensagem de hoje?"
E, de cada mensagem, surgia uma história de vida, uma história para pensarmos, uma história que nos fazia ver, ao final da noite, em nossas avaliações, que, na realidade, quem tinha confortado, quem tinha auxiliado, a um ou a outro, era o Senhorzinho Pernambuco, que, entre uma colher e outra do sopão e do pedaço de pão, nos passava grandes lições de vida, que, até hoje, vez por outra, em alguma situação, a lembrança do Senhorzinho Pernambuco vem à mente, não das histórias, que se esvairam pelo tempo, mas dele mesmo, que com sua própria lembrança, até hoje, muitas vezes é fonte de 'Olhe pra cima!', 'Ame!', 'Mantenha a esperança!"e tantas outras positivas e sábias para que a jornada encarnatória seja um cadinho produtiva de verdade.
Só pra constar, o Senhorzinho Pernambuco, após seis meses de convívio semanal, desencarnou; nunca soubemos qual era seu nome, mas ele, com seus ensinamentos, continuou a permear o trabalho que realizávamos. E, para mim, continua até hoje.
Foi um trabalho de entrada efetiva e real na busca de maiores conhecimentos da Doutrina Espírita e que me auxiliou a fazer algumas importantes transformações em mim mesma. Embora, atualmente, não realize mais trabalho nesse setor, porque vamos crescendo, buscando novos horizontes; é um trabalho que permanecerá sempre comigo na lembrança e principalmente no coração e, até hoje, muitas vezes, diante de dificuldades, é esse o trabalho, com suas lembranças, vivências e aprendizados, que me auxilia e me impulsiona a ir adiante.
E, por isso, digo: vale a pena nos engajarmos em um desses projetos sociais. Só temos a ganhar em amadurecimento de sentimentos e emoções.
(Lu Francis é membro das Equipes CVDEE e Espiritismo.Net)
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