domingo, 13 de janeiro de 2013

Como ensinar adolescentes diferença entre sexo real e pornográfico?


Vanessa Barford & Nomia Iqbal
BBC News Magazine
A abundância de conteúdo pornográfico de fácil acesso na internet permite que adolescentes sejam expostos regularmente à pornografia e pode criar nos jovens uma visão distorcida sobre sexo e relacionamentos.
Não há estatísticas sobre quantas crianças e adolescentes acessam pornografia pela internet, ou com que regularidade. Também não existem provas conclusivas de que o comportamento sexual dos adolescentes esteja mudando.
No entanto, pesquisas nos últimos anos indicam que um número expressivo de crianças e adolescentes têm acesso à pornografia frequentemente por meio de novas tecnologias.
Um levantamento na União Europeia (UE), por exemplo, concluiu que 25% dos jovens com idades entre 9 e 16 anos já tinham visto imagens de cunho sexual. E em 2010, uma pesquisa na Grã-Bretanha revelou que quase um terço dos jovens com idades entre 16 e 18 anos havia visto fotos de natureza sexual em celulares, na escola, mais de uma vez por mês.
A National Association of Head Teachers (Associação Nacional de Diretores de Escolas) da Grã-Bretanha está fazendo uma campanha sobre o impacto da pornografia com o objetivo que crianças e adolescentes sejam educados de maneira apropriada à idade.
A ideia é que o currículo escolar nacional para alunos com dez anos de idade inclua aulas sobre como usar a internet de forma segura e alertas sobre conteúdos não apropriados. Adolescentes estudariam o assunto de forma mais aprofundada.
"As crianças estão crescendo em um mundo abertamente sexual e isso inclui acesso fácil à pornografia na internet, então, elas precisam de recursos para lidar com isso", disse um consultor em políticas educacionais, Sion Humphreys.
O que preocupa os educadores é a possibilidade de que os jovens sejam influenciados, na adolescência e na vida adulta, pela pornografia que viram.
A publicitária e empresária Cindy Gallop criou um site que compara "o mundo pornográfico" com "o mundo real" do sexo.
Gallop, que em 2009 fez uma palestra para uma série de conferências sobre o tema, disse que "a presença por toda parte e a liberdade de acesso à pornografia na internet, aliada à uma sociedade que reluta em falar sobre sexo" resultou no seguinte: "Pornografia tornou-se a educação sexual padrão, por falta de uma outra opção".

Ponto de Referência
Em entrevista à BBC, a adolescente Rebecca, de 17 anos, disse que a pornografia muda as expectativas dos meninos em relação à aparência das meninas. "Cabelo comprido, peito grande, bumbum grande", citou.
Um colega da classe de Rebecca, Femi, disse que a pornografia também preocupa os meninos.
"Talvez você não esteja alcançando fisicamente aquele padrão que a pornografia te apresenta", disse.
Karan, hoje com 20 anos, disse que, quando tinha 16, seu namorado assistia a pornografia com os amigos "como se fosse um hobby". Ela contou que, frequentemente, ele assistia a pornografia na presença dela, imitando o que via.
"Eu achava que tinha alguma coisa errada comigo porque não gostava".

Na escola e em casa
Uma pesquisa entre jovens com idades entre 16 e 24 anos feita pela University of Plymouth e pela entidade UK Safer Internet Centre - que trabalha para tornar a internet mais segura - revelou que um em três entrevistados admitiu que a pornografia afetou seus relacionamentos.
E dados do serviço telefônico dedicado às crianças britânicas, ChildLine, mostram que, no ano passado, houve um aumento de 34% no número de ligações feitas por adolescentes afetados por imagens sexuais que haviam visto na internet.
Apesar desses indícios, profissionais e pais não conseguem chegar a um acordo sobre como resolver o problema.
Leonie Hodge, da ONG Family Lives - que já deu aulas a 7 mil estudantes sobre o tema -, disse estar convencida de que crianças precisam aprender a diferença entre pornografia e realidade.
"Adolescentes são bombardeados com pornografia desde pequenos, você não consegue escapar disso. É uma arrogância acharmos que eles não são capazes de lidar com isso".
Nos cursos da ONG, jovens discutem como reagiriam ao receber imagens indecentes e como se sentiriam se entrassem em contato com material pornográfico.
A National Union of Teachers, no entanto, acha que falar sobre pornografia nas aulas é ir longe demais - a não ser que os próprios alunos toquem no assunto.
Outros, como a publicitária Gallop, advogam a importância do papel dos pais.
"O segredo é não ficar com vergonha, ou dizer coisas do tipo 'meninas de família não fazem isso'", disse. "E não importa se a criança não der ouvidos, o importante é manter os canais de comunicação abertos".
A fundadora do site Netmums, de apoio a mães, concorda com Gallop, mas argumenta que a questão não é tão simples.
Siobhan Freegard disse que muitas mães entram em pânico quando encontram pornografia no computador dos filhos.
"Esse pode ser um campo minado", explicou. "Muitos não sabem o que fazer ou o que dizer. Por exemplo, uma mãe solteira pode ter dificuldade em conversar com filhos adolescentes, pais solteiros podem ter dificuldade em abordar o tema com as filhas. Em casas mais tradicionais, talvez sexo sequer seja discutido".
"A solução ideal é que escolas e pais trabalhem juntos", propõe.
Notícia publicada na BBC Brasil, em 7 de novembro de 2012.

Breno Henrique de Sousa* comenta
Banalização do Sexo
Os movimentos pela liberação sexual, ocorridos a partir da década de 1960, foram uma reação a séculos de repressão sexual, sobretudo pela repressão à sexualidade da mulher. Sexo sempre foi tabu e continua sendo. Paradoxalmente, as reações de liberação levaram ao extremo da vulgaridade e banalização. O festival musical de Woodstock que aconteceu em 1969 nos Estados Unidos foi também um símbolo da liberdade sexual e influenciou a juventude no mundo, formando uma geração que se libertaria das amarras moralistas que enclausuravam o sexo.
A repressão nunca foi um instrumento eficaz para educar o ser humano. Ela pode reprimir e inibir o ser humano, mas nunca educá-lo e transformá-lo realmente. Ainda pior é o fato de que a repressão gera uma espécie de atração mórbida pelo objeto proibido. É da natureza humana projetar seus anseios e insatisfações em coisas inalcançáveis, é uma forma que o inconsciente encontra de sabotar a própria felicidade pondo-a em lugar indisponível e tirando a atenção para as coisas que proporcionariam resultados perenes. Mas por que a mente nos engana? Simplesmente porque as atitudes que nos dão uma real satisfação e plenitude exigem de nós esforços que não estamos dispostos a pagar. Exigem o sacrifício do ego, dos nossos orgulhos e de nossas vaidades. É um processo doloroso. É mais fácil buscar um prazer imediato que disfarce nossa infelicidade. Prazeres fugazes oferecem resultado imediato, mas que se esvaem rapidamente sem deixar conteúdo nenhum. A reforma íntima traz resultados permanentes, mas é demorada e os resultados demoram a vir. O ego é imediatista e não está disposto a se sacrificar.
A repressão sexual foi colocada como causa da infelicidade humana e se tornou, por isso, o objeto da cobiça humana. A repressão erotizou o sexo e o retirou de seu lugar de direito, fixando-o permanentemente na cabeça do homem. Todos só pensam em sexo, de tal maneira que Freud reconheceu a importância desse departamento como elemento central da psicologia humana. Chamou a energia sexual de libido e demonstrou como muitos dos nossos traumas e repressões estão relacionados com problemas em torno da sexualidade reprimida. Pensam em sexo aqueles que estão reprimidos porque não podem usá-lo, pois ainda existe a repressão sexual em nossos costumes e religiões; assim como pensa em sexo os que têm vida promíscua, porque chegam à exaustão, mas nunca a satisfação plena de seus anseios mais profundos. A repressão alimenta o erotismo e a pornografia, eles parecem inimigos, mas no fundo são do mesmo esquema. Sem a repressão as pessoas vivenciariam o sexo naturalmente, falariam sobre sexo naturalmente e não haveria espaço para o imaginário erótico e pervertido. Não confie em um moralista repressor, ele tem qualquer coisa de pervertido.
Quem ganha com esse jogo de repressão / liberação sexual? Ganham aqueles que descobriram nesse jogo um poderoso instrumento de adormecimento da consciência. Enquanto o ser humano consome sua energia e atenção desvirtuando as poderosas energias do sexo, ele permanece letárgico com relação ao seu despertar espiritual e consciência crítica. O sexo é o mais poderoso instrumento de manipulação usado pelo mercado consumidor. Pessoas ansiosas por sexo e inconscientes são consumidores perfeitos que podem ser facilmente ludibriados com a publicidade que abusa das imagens eróticas e apelativas, que anunciam que aquele produto é tão bom quanto sexo.
Os pais e as escolas devem urgentemente falar com seus filhos aberta e sinceramente sobre SEXO. Desmistificá-lo, deserotizá-lo, explicar que o sexo foi feito para o ser humano, mas o ser humano não foi feito apenas para o sexo. Revelar todo esse jogo de repressão e banalização. Não são os filtros de controle familiar que vão impedir seus filhos de verem imagens eróticas no computador. Eles verão e já estão vendo na escola, nos celulares, na TV aberta, em todas as partes. Não há como criar uma bolha para salvar os filhos da exposição erótica, o caminho é desmistificar o nu, despertar a reflexão crítica sobre as questões sexuais, dizer que sexo é bom e sagrado, tão bom e sagrado que é através dele que Deus possibilita a coisa mais sagrada que é a vida. Sexo é vida. Em toda a natureza existe o sexo como uma ação natural de manifestação da vida e por isso deve ser tratado como um departamento sagrado da existência humana, que deve ser tratado com respeito, dignidade e privacidade.
Tratar abertamente sobre sexo não significa tratar do assunto de maneira vulgar, expondo os filhos propositadamente a imagens eróticas. Existem pais que mostram aos seus filhos homens imagens eróticas com medo de que se tornem homossexuais; outros decidem iniciar a vida sexual de seus filhos homens levando-os a prostíbulos logo que atingem à puberdade. Atitudes irrefletidas que sempre levam à erotização ou mesmo geram traumas. O Espiritismo trata do assunto de maneira aberta e respeitosa, muitos livros e conferências no meio espírita abordam esse assunto de maneira lúcida e esclarecedora. Sobretudo os pais espíritas e evangelizadores devem munir-se desse conhecimento a fim de atender às demandas do mundo atual para que as próximas gerações não se encontrem reprimidas ou escravas desse desequilíbrio.
* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Literatura Espírita

Autor: Boletim Informativo Seara


Apesar de existirem atualmente incontáveis títulos de várias editoras, a base de toda Doutrina Espírita está nas cinco obras Obras Básicas codificadas por Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno e a Gênese.

Às vezes, por falta de conhecimento doutrinário muitos autores não conseguem identificar o que deve ser publicado e o que não passa de exercício mediúnico, contradição, ilusão ou polêmica sem finalidade construtiva. Aliados a editoras ávidas em vender, esses autores acabam por confundir o leitor, levando-o a fantasias e desinformação.

Muitas obras ditas “espíritas” na realidade são apenas obras espiritualistas ( embasadas na existência de Deus e na sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico). O fato de um livro ter sido psicografado ( inspirado por um espírito desencarnado) não o torna necessariamente um livro espírita ou um bom livro. Há espíritos de todos os graus evolutivos ditando livros para médiuns desavisados. É necessário muita disciplina, responsabilidade, treino, preparação moral e espiritual para se tornar um escritor espírita, seja por meio mediúnico ou não.

Se não temos ainda conhecimento doutrinário para conhecer obras espíritas, que nos auxiliarão na compreensão do Espiritismo, devemos solidificar nossos conhecimentos através de Kardec e de outros autores consagrados no meio espírita como Chico Xavier ( possui mais de 400 obras publicadas), Divaldo Pereira Franco, Richard Simonetti, Yvonne Pereira, Hermínio de Miranda RAul Teixeira, entre outros, A ajuda da FERGS ( Federação Espírita do Rio Grande do Sul), que é criteriosa na distribuição de livros, também pode ser de grande valia.

Baseados na frase: “Espíritas, amai-vos e instrui-vos”, busquemos o conhecimento nos livros espíritas nos Grupos de Estudo Sistematizado da Doutrina e nos trabalhos edificantes do dia-a-dia, a fim de melhor colocarmos em prática o amor e a caridade ensinados por Jesus.


BIS BOLETIM INFORMATIVO SEARA - DEZEMBRO DE 1999

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Vamos comentar?! ;-)

Oiês! Ouvindo a música " Senhor, eu sei que tu me sondas - salmo 139", na voz da Paula Zamp, ficamos interessados em saber qual seria seu comentário ou sua forma de entender a música, mesmo que ela não tenha sido composta por espíritas.
Deixamos o vídeo aí embaixo e aguardamos seu comentário, combinado?!
Beijos e abraços

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Acontecerá: Evento "Em Defesa da Vida" acontece no RJ

A Caravana Bezerra de Menezes percorrerá os municípios de Seropédica, Conservatória, Vassouras e Piraí, nos dias 19 e 20 de janeiro de 2013, com estudos em torno da valorização da vida. A organização é do Instituto Espírita Bezerra de Menezes.
Dia 19, sábado, a Caravana começa em Seropédica, no Centro Espírita "Paulo de Tarso", com a participação de Hélio Ribeiro Loureiro, abordando o tema "O Aborto no Projeto do Novo Código Penal".
Na sequência do dia 19, a Caravana chega em Vassouras, no "Lar Bezerra de Menezes", com a presença de Maurício Mancini e suas reflexões em torno do tema "Consequências Espirituais do Suicídio".
A programação do sábado finaliza com Hélio Ribeiro Loureiro falando sobre "A Eutanásia na Visão Espírita", no Centro Espírita "Fonte Viva", em Conservatória.
No domingo, dia 20, o evento será encerrado em Piraí, no Instituto Espírita "Oásis no Caminho", quando Lucia Moyses abordará o tema "A Responsabilidade Espiritual dos Pais."

Outras informações podem ser obtidas na secretaria do IEBM, Rua Coronel Gomes Machado, 140, Centro, Niterói, RJ, ou pelo telefone (21) 2618-0633.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Livro dos Espíritos - Apreciações diversas


ESCRITO SOB O DITADO E PUBLICADO POR ORDEM DE ESPÍRITOS SUPERIORES
Por ALLAN KARDEC
Esta obra, como o indica seu título, não é uma doutrina pessoal, é o resultado do ensinamento direto dos próprios Espíritos, sobre os mistérios do mundo onde estaremos um dia, e sobre todas as questões que interessam à Humanidade; nos dão, de alguma sorte, o código da vida em nos traçando o caminho da felicidade futura. Este livro, não sendo o fruto de nossas próprias idéias, uma vez que, sobre muitos pontos importantes, tínhamos um modo de ver muito diferente, nossa modéstia nada sofreria com os nossos elogios; preferimos, entretanto, deixar falar aqueles que são inteiramente desinteressados na questão.
O Courrier de Paris, de 11 de junho de 1857, continha, sobre esse livro, o artigo seguinte:

A DOUTRINA ESPÍRITA

O editor Dentu vem de publicar, há pouco tempo, uma obra muito notável; queríamos dizer muito curiosa, mas, há dessas coisas que repelem toda qualificação banal.
O Livro dos Espíritos, do senhor Allan Kardec, é uma página nova do grande livro do Infinito, e estamos persuadidos de que se colocará um marcador nessa página. Ficaríamos desolados se cressem que fazemos, aqui, um reclamo bibliográfico; se pudéssemos supor que assim fora, quebraríamos nossa pena imediatamente. Não conhecemos, de modo algum, o autor, mas, confessamos francamente que ficaríamos felizes em conhecê-lo. Aquele que escreveu a introdução, colocado no cabeçalho de O Livro dos Espíritos, deve ter a alma aberta a todos os nobres sentimentos.
Para que não se possa, aliás, suspeitar da nossa boa-fé e nos acusar de tomar partido, diremos, com toda sinceridade, que jamais fizemos um estudo aprofundado das questões sobrenaturais. Unicamente, se os fatos que se produziram nos espantaram, não nos fizeram, pelo menos, jamais dar de ombros. Somos um pouco dessas pessoas que se chamam de sonhadores, porque não pensam inteiramente como todo o mundo. A vinte léguas de Paris, à tarde sob as grandes árvores, quando não tínhamos ao nosso redor senão algumas cabanas disseminadas, pensamos, naturalmente, de qualquer outro modo do que na Bolsa, no macadame dos bulevares, ou nas corridas de Longchamps. Perguntamo-nos, com freqüência, e isso muito tempo antes de ter ouvido falar de médiuns, o que se passava nisso que se convencionou chamar lá no alto. Esboçamos mesmo, outrora, uma teoria sobre os mundos invisíveis, que havíamos guardado, cuidadosamente, para nós, e que ficamos bem felizes de reencontrar, quase inteiramente, no livro do senhor Allan Kardec.
A todos os deserdados da Terra, a todos aqueles que caminham ou que caem, molhando com suas lágrimas a poeira do caminho, diremos: lede O Livro dos Espíritos, isso vos tornará mais fortes. Aos felizes, também, aqueles que não encontram, em seu caminho, senão aclamações da multidão ou os sorrisos da fortuna, diremos: Estudai-o, ele vos tornará melhores.
O corpo da obra, diz o senhor Allan Kardec, deve ser reivindicado, inteiramente, pelos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente classificado por perguntas e por respostas: Estas últimas são, algumas vezes, verdadeiramente sublimes, isso não nos surpreende. Mas não foi preciso um grande mérito a quem soube provocá-las?
Desafiamos os mais incrédulos a rirem lendo esse livro, no silêncio e na solidão. Todo o mundo honrará o homem que lhe escreveu o prefácio.

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