segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

REVISTA ESPIRITA - Dezembro 1863 - Mensagem São José

REVISTA ESPIRITA
JORNAL
DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS
DEZEMBRO 1863

"Venho a vós, meus amigos, cheio de alegria, vendo o Espiritismo fazer rápidos progressos, tomar cada dia novas forças, no meio dos entraves que lhe opõem. Essas forças não são unicamente do número, mais ainda as da união, da fraternidade, da caridade. Tende, pois, confiança, esperança e coragem caminhando nessa santa rota do progresso espírita, do qual nenhum poder humano vos deterá.
"No entanto, esperai a luta, e preparai-vos para sustenta-la. Vossos inimigos que estão ali vos forjam pesadas cadeias com as quais esperam vos ter e vos domar. Que farão contra a vontade de Deus, que vos protege? Os fundamentos de sua fé se elevarão apesar de todos os empecilhos. Os servidores do Todo Poderoso estão cheios de ardor e de zelo; não se deixarão abater; resistirão a todos os ataques; caminharão na senda, quando mesmo e sempre; os entraves, as cadeias se quebrarão como se fossem de vidro.
"Eu vos digo, velai, orai, estendei a mão aos infelizes, abri-lhe os olhos que estão fechados; que vossos corações e vossos braços estejam abertos a todos sem exceção. Espíritas, vossa tarefa é bela! o que há de mais belo, de mais consolador, do que esse pacto de união entre os vivos e os mortos? Que imensos serviços poderemos nos dar mutuamente! Por vossas preces a Deus, falando do fundo do coração, muito podeis para o alívio das almas que sofrem, e quanto o benefício é doce ao coração daquele que o pratica! Que tocante harmonia senão a das bênçãos que tereis merecido! Ainda uma vez, orai elevando vossa alma ao céu, e ficai persuadidos de que cada uma de vossas preces será escutada e abrandará uma dor.
"Compreendei bem que quanto mais conduzirdes os homens a vos imitar, mais o conjunto de vossas preces terá poder. Tomai os homens pela mão, e conduzi-os no verdadeiro caminho onde engrossarão a vossa falange. Pregai a boa doutrina, a doutrina de Jesus, a que o próprio Divino Mestre ensina em suas comunicações, que não fazem senão repetir e confirmar a doutrina dos Evangelhos. Aqueles que viverem verão coisas admiráveis, eu vo-lo digo.
"P. É preciso responder a essa ordem pela imprensa?  R. Meu Deus, permiti-me dizer-lhes o que penso! Estabeleceram eles uma rota; fazem-na varrer para que o povo ali passeie com mais comodidade e em maior número; também a multidão vem ali se espremer. Deveis compreender a minha linguagem, um pouco enigmática. Vosso dever de Espírita é de lhes mostrar que tem aberta uma porta em lugar de fechá-la.
"SÃO JOSÉ."
Nota. Esta comunicação foi obtida por um operário, médium completamente iletrado, e que sabia apenas assinar; desde que é médium, escreveu um pouco, mas muito dificilmente. Não se pode, pois, supor que a dissertação acima seja a obra de sua imaginação.
 Enviado por: "Joel Silva"

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Mural reflexivo: A justiça e os dramas humanos


A justiça e os dramas humanos

        O artigo de um juiz, publicado em jornal de grande circulação, é de causar emoção nas almas mais insensíveis.
        Seu artigo diz o seguinte:
        “Indaga-me jovem amigo se as sentenças podem ter alma e paixão.
        O esquema legal da sentença não proíbe que tenha alma, que nela pulsem vida e emoção, conforme o caso.
        Na minha própria vida de juiz senti muitas vezes que era preciso dar sangue e alma às sentenças.
        Como devolver, por exemplo, a liberdade a uma mulher grávida, presa porque trazia consigo algumas gramas de maconha, sem penetrar na sua sensibilidade, na sua condição de pessoa humana?
        Foi o que tentei fazer ao libertar Edna, uma pobre mulher que estava presa há 8 meses, prestes a dar à luz, com o despacho que a seguir transcrevo:
        A acusada é multiplicadamente marginalizada:
        Por ser mulher, numa sociedade machista...
        Por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta.
        Por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este Mundo.
        Por não ter saúde. Por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si.
        Mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar numa homenagem à maternidade, porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.
        É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este Mundo, com forças para lutar, sofrer e sobreviver.
        Quando tanta gente foge da maternidade...
        Quando pílulas anticoncepcionais, pagas por instituições estrangeiras, são distribuídas de graça e sem qualquer critério ao povo brasileiro...
        Quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas...
        Quando se deve afirmar ao Mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da Terra e não reduzir os comensais...
        Quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si.
        Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão.
        Saia livre, saia abençoada por Deus...
        Saia com seu filho, traga seu filho à luz...
        Porque cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um Mundo novo, mais fraterno, mais puro, e algum dia cristão...
        Expeça-se incontinenti o alvará de soltura.”
        O artigo vem assinado pelo Meritíssimo Juiz João Batista Herkenhoff, Livre-docente da Universidade Federal do Espírito Santo.
     * * *
             Ao ler o despacho desse magistrado, a esperança de um Mundo novo e justo se desdobra à nossa frente.
        Esperança de um dia as leis humanas se tornarem educativas e não punitivas.
        Esperança de ver as sanções proporcionais às faltas cometidas.
        Esperança de, num julgamento, ser levado em conta o passado de cada ser, sua infância, as possibilidades que teve de educação, de saúde, de carinho, de afeto.
        Enfim, esperança de que a Humanidade atente para as Leis de Deus e nelas baseiem as suas.
     Redação do Momento Espírita com base em artigo publicado
no Jornal Gazeta do Povo (Curitiba), em 23.01.1998.

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